A HONESTIDADE NÃO NECESSITA DE ELOGIOS – É OBRIGAÇÃO HUMANA

Jul 23rd, 2015 | By | Category: Artigos

honestidadeNão experimento qualquer regozijo quando leio as notícias sobre pessoas que são festejadas por atos de honestidade. Isso significa que ser honesto é ser exceção numa maioria desonesta. Despertou-nos a atenção um recente roubo ocorrido em Canna, uma pequena ilha da Escócia. O imprevisto ocorreu em uma loja gerenciada pelos próprios fregueses, que vendia comidas, produtos de higiene pessoal e outros utensílios. Produtos como doces, pilhas e chapéus de lã artesanais foram roubados, sendo a loja revirada pelos ladrões. Parece coisa pequenina para nós brasileiros, mas o roubo assombrou os residentes de Canna, que não viam nada parecido acontecer por ali havia meio século.

A loja permanece aberta em tempo integral e o pagamento da compra dos produtos é feito na “boa fé” ou “caixa da honestidade”: os fregueses deixam o dinheiro junto com um bilhete descrevendo o que compraram. Se confrontarmos a realidade do Brasil, seja na educação, na saúde, na ética, na honestidade, com outros países sérios, surgem desculpas sempre esfarrapadas quais: o Brasil é “especial”, é a “pátria do Evangelho”(!??…) , é continental, tem uma história “mística” etc… A cantilena é incansavelmente repetida.

Não obstante saibamos que o Brasil como território é um paraíso, um lugar formoso, de uma natureza exuberantemente cativante, com rios, cachoeiras, florestas, ilhas e mares que nos fazem  suspirar, inventamos “trocentas” desculpas para nossos déficits e barbáries morais. Em face disso é urgente uma insurreição moral, entronização do cultivo da honestidade, destruição do status do embuste, o fim da vulgaridade inebriante, notadamente a que tange para a degeneração ética através de permissões para a pilhagem, a falcatrua, a  corrupção em todos os covis  institucionais do País.

Acredite se puder, mas recentemente decifrei uma “pesquisa” garantindo que os brasileiros, na sua maioria, são “honestos”. Isso mesmo, honestos! Seria cômico se não fosse trágico tal resultado. É risível confiar em tal “pesquisa”! Os questionários abordavam circunstâncias como não devolver o troco recebido a maior, sonegar imposto de renda, estacionar na vaga destinada a idosos e deficientes físicos, apossar-se de canetas, lápis, borrachas, elásticos e envelopes da empresa ou órgão público onde trabalha, ficar com o dinheiro de uma carteira achada na rua, “furar” a fila no embarque do ônibus, exceder o limite de velocidade ou avançar o sinal de trânsito, usar cópia ilegal de softwares de computador, dirigir quando bebeu acima do limite permitido, etc, etc, etc, etc, etc…

Tal “pesquisa” realizada no “Coração do mundo”(!?) concluiu que os brasileiros são mais honestos que os europeus submetidos à mesma “pesquisa”. É óbvio que tal “pesquisa” no Brasil não é a radiografia da realidade – os brasileiros, com as justas ressalvas, são capazes de múltiplos atos desonestos. Ora, num país em que ainda impera a chamada “Lei de Gerson”, em que o fim é obter vantagem, o meio utilizado não faz diferença. As respostas dos “entrevistados” atestam um fato inquietante: que além de desonestos os “entrevistados” são ao mesmo tempo mentirosos.

Impossível negar que a grande maioria dos brasileiros pratica os pequenos atos de desonestidade contidas nas perguntas da “pesquisa”, porém raros são capazes de admitir que o cometeriam. Diante de tantas evidências, seria justo hastearmos a bandeira de um povo incorruptível?… E como transformar essa conjuntura? É elementar, meu caro Watson!, diria Sherlock Homes. É necessário que assumamos a consciência de que não somos sinônimo de reputação “NOTA DEZ”, e em seguida cultivemos as transformações necessárias em nossa índole comportamental. Desonestidade é, especialmente, desrespeito pelo próximo, e todo ato desonesto provoca algum tipo prejuízo à sociedade.

No país em que o valor máximo da vida pode ser depositado em instituições financeiras, onde o sensualismo e o culto ao corpo físico substituiu os valores do espírito, onde a honestidade é desmoralizada sem piedade pelo indesejável “jeitinho”, continuaremos bem longe da harmonia social. Apesar disso, é preciso confiar no futuro. Importa assumir sincera confiança nos homens que vivem nestas plagas abençoadas e no porvir e plantar os alicerces do edifício do Evangelho de Jesus na Pátria do “Cruzeiro do Sul”.

Tudo no universo encontra-se em constante metamorfose e aprimoramento, por isso o progresso é uma das finalidades da vida. Na natureza não ocorrem saltos. Algumas etapas devem ser percorridas para ser possível se atingir a fase subsequente. Tais conquistas não são obras do acaso e nem brotam de um momento para o outro. Todavia, a honestidade é justamente uma das primeiras virtudes a serem conquistadas por quem deseja a paz e a felicidade na sociedade.

Ser honesto implica confirmar fidelidade em todos os aspectos da existência. O homem honesto realiza as tarefas que lhe cabem, com ou sem testemunhas e aplausos, até porque ao agir honestamente, ninguém faz mais do que a obrigação.

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2 Comments to “A HONESTIDADE NÃO NECESSITA DE ELOGIOS – É OBRIGAÇÃO HUMANA”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Já discutimos isso aqui, não é, Jorge?
    Respeito e educação são ainda coisas que passam ao largo da maioria de nós brasileiros, eu creio. Isso fica evidente o tempo todo no cotidiano. Basta sair à rua.
    Mas quem sabe seja uma fase do nosso processo evolutivo…
    Só sei que do jeito que a coisa anda, tá difícil pra quem é honesto, educado e tem respeito pelo que não é seu.
    Abraço e bom final de semana.
    Geraldo Magela Miranda

  2. Pedro Ilho diz:

    Honestidade hoje em dia é uma palavra em desesuso, porém com algumas exeções; existem pessoas que roubam coisas alheias na mão grande, apontando uma arma para a cabeça da vítima, outras desviam valores pecuniários em benefíco próprio em função do poder que oucupam. Outras fazem isso sorrateiramente, na surdina, de modo que o proprietário não veja. Porém conheço pessoas que devolveram dinheiro achado na rua, à empresa à qual pertencia o mesmo. Também conheço pessoas que devolveu jóia de ouro que havia achado, e, que era relíquia da família, e acho que isso não é favor e nem ser honesto, ou os dois juntos, é simplesmente dever de quem quer ter a consciência limpa e tranquila. Enquanto uns atropelam e fogem deixando a vítima à mecê da sorte, conheço pessoas que ficaram transtornadas com o acidente provocado por elas a ponto de chorar segurando a mão da vítima e pedindo para que a mesma se mantesse calma até chegar o socorro, não bastasse isso, ligar todos dias para saber como estava passando, se comprometendo em assumir todas as despesas. Isso é uma raridade, mas existe.

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