ABORTOS – AVALIANDO OS ALARMANTES FETICÍDIOS

Abr 6th, 2015 | By | Category: Artigos

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downloadO primeiro país da era pós-moderna a legalizar o aborto foi a antiga “União Soviética”, em 8 de novembro de 1920. Os hospitais soviéticos instalaram unidades especiais denominadas abortórios, concebidas para realizar as operações em ritmo de produção em massa. A segunda nação a legalizar o abortamento foi a Alemanha Nazista, em junho de 1935, mediante uma reforma da Lei para a Prevenção das Doenças Hereditárias para a Posteridade, que permitiu a interrupção da gravidez de mulheres consideradas de “má hereditariedade” (“não-arianas” ou portadoras de deficiência física ou mental).
Entre 1996 e 2009, cinquenta países aprovaram leis com artigos mais liberalizantes para o “feticídio”. Em todos os países da Europa, exceto Malta, o aborto não é penalizado em situações controladas. Os países ibéricos são exemplos de liberalização. Em 2007, Portugal legalizou o aborto sem restrições até a 10ª semana de gestação, e depois desse período, em casos de má-formação fetal, de estupro ou de perigos à vida ou à saúde da mãe. Na Espanha, lei com termos semelhantes começou a vigorar em 2010. Cuba é o único país hispânico em que o aborto é legal sem restrições.
Nos Estados Unidos a condenação de uma mulher a 20 anos de prisão pelo crime de “feticídio” reacendeu o debate sobre aborto na terra do “Tio Sam” e tem provocado alarmes sobre a criminalização de gestantes que interrompem a gravidez. O caso de Purvi Patel, de 33 anos, é o primeiro no país em que uma mulher é acusada, condenada e sentenciada por “feticídio” após a interrupção da própria gravidez, segundo a National Advocates for Pregnant Women (NAPW), organização nacional de defesa dos direitos da mulher e de grávidas, com sede em Nova York.[1]
O aborto é legal nos EUA, e a lei proibitiva [2] não se aplica a abortos feitos em clínicas. Purvi Patel foi condenada porque, segundo a acusação, em vez de ter recorrido a uma clínica, teria tomado remédios ilegais para induzir o aborto. Pelo menos 42 Estados americanos proíbem abortos após determinado período de gestação, e 26 obrigam mulheres que buscam abortos a esperar pelo menos 24 horas antes de realizar o procedimento.
Recentemente, o caso de uma grávida que foi esfaqueada e teve o feto retirado de seu ventre por outra mulher, no Colorado, (EUA), provocou muitas reações em favor de leis sobre “feticídio”, principalmente por parte de grupos antiaborto. Muitos Estados norte-americanos restringem a realização de abortos em menores de idade, exigindo consentimento dos pais. Há ainda leis estaduais que restringem a cobertura de abortos por planos de saúde e outros que permitem que instituições se recusem a realizar abortos, seja por motivos religiosos ou outros. [3]
Os americanos estão despertando desse pesadelo hediondo da legalização do assassinato de bebês nos ventres criminosos. Na contramão desse despertar americano contra o aborto, há insanos defensores do aborto (que tiveram o direito de (re)nascer) pugnando para que o aborto seja legalizado no Brasil. Os abortistas tupiniquins evocam as péssimas condições em que são realizados os procedimentos nas clínicas clandestinas. Porém, em que pese o argumento do compatriotas, não nos enganemos imaginando que o aborto oficial no Brasil irá resolver a questão do assassinato das crianças no útero; ao contrário, o aumentará bastante! E o pior: continuará a ser praticado em segredo e não controlado, pois a clandestinidade é cúmplice do anonimato e não exige explicações das mulheres que esconderão da sociedade o monstruoso delito do aborto praticado.
Com exceção da gestação que coloque em risco a vida da gestante, quaisquer outras justificativas são inaceitáveis para uma mulher decidir pelo aborto [inclusive nas infelizes situações de gravidez resultante de abuso sexual. Se compreendesse as implicações sinistras que estão reservadas para quem aborta, certamente refletiria milhões vezes antes de extinguir um ser indefeso do próprio ventre.
Defender o direito da mulher sobre o seu próprio corpo, como argumento para a descriminalização do aborto é delírio psicótico. O corpo do embrião não é o da mulher, visto que ela abriga, durante a gravidez, um outro corpo que não é, de forma alguma, a extensão do seu. O nascituro não é um objeto qualquer semelhante a máquina de carne, que pode ser desligada de acordo com interesses circunstanciais, porém um ser humano com direito à proteção, no lugar mais fantástico e sublime que Deus criou: o templo da vida, ou seja, o útero materno.
Não nos enganemos, a medicina que executa o aborto nos países que já legalizaram o assassínio do bebê no ventre materno é uma medicina criminosa. Não há lei humana que atenue essa situação ante a Lei de Deus. Parece que no Brasil a taxa de interrupção de gravidez supera a taxa de nascimento. Essa situação tem estimulado grupos dispostos a legalizar o aborto no Brasil, torná-lo fácil, acessível, higiênico, juridicamente “correto”. Contudo, ainda que isso possa vir a ocorrer, JAMAIS esqueçamos que o aborto ilegal ou legalizado SEMPRE será um CRIME perante as Leis Divinas!
Chico Xavier adverte que “meditemos sobre aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões.” [4] E acrescenta: “se anos passados houvesse a legalização do aborto, e se aquela que foi a minha querida mãe entrasse na aceitação de semelhante legalidade, legalidade profundamente ilegal, eu não teria tido a minha atual existência, em que estou aprendendo a conhecer minha própria natureza e a combater meus defeitos, e a receber o amparo de tantos amigos.”[5]
O depoimento do Sublime filho de Pedro Leopoldo não pode ser atirado no Baú dos escombros; ao contrário, deve ser conservado perene na caixa forte da consciência lúcida de cada ser humano.

Jorge Hessen

Nota e referências bibliográficas:
[1] Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150401_feticidio_eua_pai_ac acessado em 02/04/2015
[2] Os arboristas de plantão afirmam que as leis restritivas têm sido frequentemente usadas para limitar o direito de mulheres ao aborto – garantido pela Suprema Corte dos EUA em 1973.
[3] Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150401_feticidio_eua_pai_ac acessado em 02/04/2015
[4] Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.
[5] Disponível em http://www.editoraideal.com.br/chico/perguntas-21.htm, acessado em 01/04/2015

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5 Comments to “ABORTOS – AVALIANDO OS ALARMANTES FETICÍDIOS”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    É curioso pra mim, caro Jorge, o que se passa na espiritualidade numa situação de delitos como esse, em que a vida não segue em frente em função de um ato deliberado de interrupção, sendo que nós não somos portadores do direito retirar a vida.

    Me desperta curiosidade também o que decorre na espiritualidade num caso em que um homem, por desequilíbrio mental e emocional leva atrás de si outras 149 vidas, parecendo uma inconsequência terrível e desastrosa.
    Suicídio acontece a toda hora, sabemos disso, então não seria de todo estranho que um desequilibrado tirasse a própria vida caindo de um prédio ou de uma ponte, mas daí a levar consigo mais de uma centena de pessoas, interrompendo projetos de vida variadíssimos, assim de maneira deliberada e inconsequente, me pareceu algo muito desastroso.
    Geraldo Magela Miranda

  2. Ione diz:

    Abençoado e lúcido artigo como sempre!

    Seja sempre muito iluminado Jorge Hessen

  3. SERGIO DE JESUS ROSSI diz:

    Caro Jorge,

    Como lhe disse, estou me “adaptando” ao cotidiano de aposentado.
    Na verdade, não será muito difícil eu me acostumar à nova situação: horários mais livres, menos trabalho, muito menos estresse . . .
    E o tema de sua exposição merece a melhor atenção de cada um de nós.

    Há poucos anos, fiz uma palestra em nosso C. E. Paulo de Tarso justamente sobre o aborto; lembro-me de que me referi ao clássico argumento dos abortistas, completamente falacioso.
    Esgrimiam a estatística de então, que registrava a morte de 15% das mulheres em procedimentos abortivos, debitando essa tragédia inquestionável à falta de atendimento médico adequado, já que se tratava de prática proibida; assim, culpavam a ilegalidade do aborto pelo falecimento de quase 50.000 gestantes, mas omitiam o número mais importante, e trágico.
    Afinal, das crianças abortadas, exatamente 100% morreram, e isso era mais de 1.560.000 !
    Apenas esta cifra já seria suficiente para mostrar toda hipocrisia e egoísmo que dominam os defensores do infanticídio pré-natal.
    A verdade, aterradora e deplorável, é que as pessoas pretendem continuar usufruindo sua pretensa liberdade para fazerem o que bem entenderem sem assumir qualquer responsabilidade; desejam exercer a plena promiscuidade sexual sem “riscos”.
    Tal raciocínio justificaria, para mentes assim distorcidas, a eliminação de qualquer tipo de “incômodo”, incluindo uma eventual gravidez inesperada; a mulher, particularmente, consegue elidir o próprio instinto maternal em nome de seu suposto direito de utilizar o próprio corpo como quiser, esquecendo, convenientemente, que o feto também é um corpo que deveria ter as mesmas prerrogativas . . .
    Felizmente, tais seres, destituídos de sentimentos verdadeiros de amor e humanidade, ainda são minoria na sociedade brasileira, mas, em outros países, o cenário parece calamitoso.
    Acabei de ler um livro que, em princípio, nada tem a ver com o nosso tema.
    Entretanto, é sintomático dos descaminhos morais de grande parte dos povos mais avançados.
    O título é “Previsões” e reúne as idéias de 30 pensadores das mais diversas áreas da cultura mundial, sendo a grande maioria originária da Grã Bretanha e dos Estados Unidos, além de um da Índia, um da Eslovênia, um da Austrália e um da Nigéria; porém, todos têm em comum a residência e o trabalho em ambiente cultural anglo-saxônico.
    Cada texto é precedido de uma apresentação e biografia resumida do autor, procurando mostrar a evolução e a gênese de suas idéias; no total, portanto, têm-se 60 dissertações variadas e tecnicamente perfeitas, porém todas permeadas, em maior ou menor grau, por uma cega confiança nas possibilidades da Ciência, que será capaz, no devido tempo, de resolver todos os problemas da humanidade.
    Seria tedioso mostrar que tal posicionamento reflete o entranhado materialismo que permeia considerável parcela de tais ambientes, mas é possível selecionar alguns trechos bastante expressivos, extraídos da apresentação e do texto de Peter Singer, australiano, filósofo, defensor intransigente dos animais e vegano; sua especialidade é a ética, considerada, porém, sob inusitado enfoque, no mínimo, estranho. Ele a classifica como “utilitarista”, possível eufemismo para “cínica”.
    O seu posicionamento quanto à “manipulação” dos animais é extremo, a ponto de criticar aqueles que os acolhem em casa, denunciando a expressão “animais de estimação” como humilhante ! Ele entende que animais mais inteligentes, como os grandes primatas, deveriam ter os mesmos direitos dos seres humanos. Na verdade, discorda completamente do conceito de tutela humana sobre os animais, rejeita a idéia de alguém assumir o papel de guardião de um bichinho.
    Sua postura, aqui sintetizada, mostra claramente a sua preocupação com a vida desses seres, apesar do evidente exagero.
    Entretanto, sua defesa da vida não é tão abrangente assim.
    Ele defende, por exemplo, que os bebês, quando nascidos com graves incapacidades, poderiam receber uma injeção letal, aplicada pelo próprio médico, a fim de evitar uma futura e provável morte, lenta e dolorosa para todos; talvez ele imagine que essa competência caberia ao pediatra ou, quem sabe, ao obstetra.
    Ele acredita que nosso direito à vida não é absoluto apenas porque somos humanos, já que nem todas as vidas têm o mesmo valor, “porque os graus de autoconsciência, inteligência e a capacidade de ter relacionamentos significativos com os outros, tornam algumas vidas mais valiosas do que outras”. A frase é de Kate Worsley, ao descrever o pensamento de Peter Singer, e prossegue: “a presença ou ausência de capacidades tais como a autoconsciência são relevantes para decisões sobre dar ou não um fim à vida”.
    Ela cita também palavras do próprio Singer: “haverá qualquer motivo para se viver, além de si mesmo, do dinheiro, do amor e da família ?”.
    Bem, se ele não conhece nenhuma outra razão para viver, a situação fica dramática. Para ele, embora certamente não tenha sequer consciência disso.
    Ele começa o seu texto afirmando que o seu campo é a ética aplicada !
    Suas palavras: “. . . [estamos] ainda governados pelos vestígios de uma ética cristã que a maioria de nós não aceita genuinamente, mas incapazes de tomar a iniciativa para algo mais coerente”.
    E prossegue: “isso significaria a legalização da eutanásia voluntária e o suicídio assistido por um médico”. Não esquece de incluir nessa categoria os doentes vegetativos e os recém-nascidos com incapacitação grave; defende que a eutanásia e o aborto são justificáveis em diversas circunstâncias.
    Para completar, citemos que, desde 1999, ele é professor de Bioética no Centro de Valores Humanos, da Universidade de Princeton.
    Detendo inegável prestígio junto à comunidade científica internacional e ao público em geral, Singer provavelmente não enfrenta grandes amarguras devido a seus conceitos sobre o direito à vida, e principalmente à morte.
    A triste conclusão leva-nos a identificar o avanço inexorável do materialismo, na companhia inevitável do individualismo e do egoísmo, ambos infrenes; a eugenia praticada pelos nazistas talvez não acarretasse atualmente o mesmo horror e repugnância que acometeram, com justiça, os demais povos da Europa.
    Nosso país não está, naturalmente, a salvo de tal conjuntura, o que demandará enfrentamento severo da parte daqueles que perseveram acreditando nos valores inalienáveis da vida; ainda que as leis de relativização da existência avancem, não poderemos jamais recuar de nossas convicções, muitas vezes sob o fogo cerrado do hedonismo irresponsável.
    Os vanguardistas do assassinato consentido não titubeiam em classificar seus opositores como conservadores, religiosos, carolas, atrasados; não conseguem, ou não querem, entender que o nosso guia é a ética, não a lei, menos ainda qualquer religião ou filosofia.
    Para os espíritas, especificamente, não se trata de ser contra o aborto e a eutanásia porque o Espiritismo assim o determina; ao contrário, somos espíritas porque a nossa doutrina endossa as nossas convicções, ditadas pelo raciocínio escrupuloso.

    Caro Jorge, acabei estendendo-me demais, conduzido pela irritação que determinados conceitos e seus arrazoados absurdos me provocam.
    Desculpe-me, portanto, a prolixidade.
    Grande abraço fraterno,
    Sérgio de Jesus Rossi
    sergiorossi.df@gmail.com

  4. MARCELO DAMASCENO DO VALE diz:

    A leitura de um artigo de Rebecca Gomperts publicado no site de notícias do UOL, me deixou-me arrasado pela constatação que eu não defendo meus ideais, sou tímido em divulgar minhas concepções e sou incapaz de realizar planos e sonhos.
    Bom quem é Rebecca Gomperts? Ela é fundadora da ONG Women in Waves, que disponibiliza navios para que mulheres possam abortar em águas internacionais próximas de países onde a prática do abortamento é permitida.
    Ela pode ser chamada de assassina, matadora de crianças, impedidora de reencarnações. Contudo é sincera em suas convicções materialistas e principalmente verdadeira em sua preocupação com a saúde das mulheres que procuram o aborto clandestino. É verdadeira quando afirma que a proibição e criminalização do aborto mata além das crianças muitas gestantes que realizam a expulsão do feto em verdadeiros matadouros ou sem assistência médica.
    A saída? Legalizar a prática? Flexibilizar as leis? Aumentar o esclarecimento dos métodos contraceptivos?
    Na visão de homem talvez seja fácil falar, mas em tempos de internet fácil e barata, postos de saúde que distribuem preservativos e anticoncepcionais gratuitamente, acredito que só engravida quem quer, claro excluindo moradores de rua, dependentes químicos, profissionais do sexo que não se preocupam com contracepção etc.
    Conheço algumas mulheres que abortaram e me disseram que assim o fizeram apenas por não ter condições financeiras de criar aquele filho.
    E na minha tibieza espero o plano espiritual me encher de recursos monetários, simpatizantes da causa, companheiros para divulgação. E o tempo vai passando…
    Feito o desabafo, espero ser menos tímido e mais atuante, de alguma forma para ajudar a diminuir a incidência de abortos no Brasil.
    Abraços…
    Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
    “Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”
    Questão 932 de O Livro dos Espíritos.
    Marcelo Damasceno do Vale

  5. Rose freitas diz:

    Mais uma contribuição valiosa quando estamos estudando Lei de Reprodução, livro dos espíritos. Obrigada…Abraço fraterno…….

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