Adão e Eva, “pecado”, “castigo”, “culpa” e o livre arbítrio

Nov 20th, 2018 | By | Category: Artigos

 

0000000000000005É ingênuo crermos no “pecado”, qualificado dogmaticamente como uma ofensa contra Deus, que por sua vez revida mediante o tal“castigo” que inflige ao “pecador”. Ora, vejamos que Deus não se ofende com os equívocos das suas criaturas em processo de evolução. Em face disso o tal “castigo” não é e nem pode ser uma espécie de vingança ou uma atividade pessoal do Criador (antropomórfico) para penitenciar o “pecador”.

Deus não pune; Deus AMA! Sobre isso, Jesus inovou o pensamento teológico ao apresentar Deus como um pai bondoso e justo, em substituição à divindade colérica, vingativa e caprichosa dos povos ancestrais. Na verdade, o indigesto dogma do “pecado” foi criado pela senil e heterônoma teologia humana. Advém dos espetáculos mitológicos protagonizados por Adão e Eva, que supostamente teriam desobedecido uma ordem divina e atraíram para si e para toda humanidade uma maldição que implicaria em toda sorte de males, dores, erros, crimes e tudo quanto fosse ruim.

Daí a pueril crença do “pecado original” na Terra, com a represália divina entre os homens através das doenças, da morte e todo tipo de contradição. Vagando por essas crendices, afirma-se que já nascemos “culpados”, que somos “pecadores”, que temos o DNA da transgressão, tudo isso por causa do escandaloso casal adâmico da velha mitologia. Garantem os arautos de tais imposições dogmáticas que se há injustiça no mundo, se crianças nascem defeituosas, se existe guerra, fome, tragédias e muita malignidade, tudo é culpa do “pecado original’; portanto, tudo procedente dos lendários Adão e Eva.

Perante a Lei de justiça divina, o adepto do Espiritismo recusa a ideia de transferência de responsabilidade dos atos errados dos outros, pois cada um é responsável por si naquilo que deliberar empreender. Pela lei da reencarnação, todos trazemos ao renascer as matrizes das imperfeições que mantemos. Deste modo, transportamos os germens dos defeitos que não superamos que se traduzem pelos instintos naturais e tendências para tal ou qual ação. É esse o sentido racional para o tal “pecado original”, ou seja, escolhemos sempre as experiências provacionais a fim de superá-las.

Quando nos desviamos do amor escolhendo arrastar-nos pelas paixões, entramos em rota de colisão com as Leis Divinas (inscritas na consciência) e criamos para nós o psiquismo desarmônico, mantendo as deficiências do senso moral. Ao desencarnarmos arrastamos para o mundo espiritual todas as imperfeições e ao renascermos trazemos as desarmonias conscienciais como tendências naturais.

O anseio íntimo pela liberdade consciencial rejeita o dogma do “pecado original” e da vassalagem cega a Deus. Reencarnamos muitas vezes na Terra ou em outros orbes realizando nosso aperfeiçoamento moral. Recordemos que no princípio de nossa evolução humana éramos “simples e ignorantes” (sem qualquer “pecado original”) e pela evolução chegaremos à perfeição moral. Portanto, penetramos na humanidade sob o manto de purezas e simplicidades; dessa forma nos tornamos gradualmente senhores e únicos depositários da consciência, cuja lesão ou bem-estar não dependem definitivamente senão de nossa vontade e das disposições do nosso livre-arbítrio.

O comportamento livremente deliberado acarreta consequências naturais. Se transgredimos as leis divinas da consciência atraímos consequências naturais e desagradáveis na medida da imperfeição moral que mantemos. Por isso, jamais devemos nos entender injustiçados ou apenados nas ocorrências da vida. E nem perseguidos, e muito menos punidos.

A “cada existência temos os meios de nos redimir pela reparação e de progredirmos, quer despojando-nos de alguma imperfeição, quer adquirindo novos conhecimentos, e assim, até que suficientemente aperfeiçoados, não necessitemos mais da vida corporal e possamos viver exclusivamente a vida espiritual, eterna e bem-aventurada. ” [1]

Somos reflexos das nossas livres escolhas, porém inevitavelmente somos por Deus amorosa e sabiamente conduzidos rumo à suprema felicidade, sempre na conformidade dos caminhos que sem coação elegemos através do uso cabal do livre-arbítrio.

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Referência bibliográfica:

[1]           KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984. Cap. I item 38

 

Tags: ,

3 Comments to “Adão e Eva, “pecado”, “castigo”, “culpa” e o livre arbítrio”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Não existe uma expressão “temente a Deus”?
    E aquela outra pérola de que “Deus é fiel” pregada nos carros por aí. Será que existe alguma dúvida pra essa gente?
    O religioso ignorante acha que deve temer a Deus, como se o Criador portasse um chicote para corrigir e punir os males que nós mesmos produzimos, pelo mau uso de nossa consciência e do tão valioso livre arbítrio de que dispomos.
    Muitos ainda não compreendem, mas vamos lapidando o espírito a cada passada por aqui, daí o sentido do aprendizado e crescimento moral contínuo.
    Geraldo Magela Miranda

  2. PEDRO ILHO diz:

    Pelo o pouco que sei, também penso que Deus não castiga ninguém, é uma injúria que fazem contra Deus quando Jesus disse que o Pai é misericordioso, e um pai misericordioso não castiga um filho. Esse pecado original é um mito que vem da antiguidade assim como Adão e Eva, o que tem a ver o pecado deles com o pecado de cada um, se cada um é responsável pelos os seus atos, como se tivessem existidos Adão e Eva. Nossos erros são de responsabilidades de cada um de nós, e temos que voltar aqui na Terra quantas vezes forem necessários para irmos purgando nossos erros, a Terra e a escola abençoada de nossas vidas.

  3. WANDERLEI diz:

    Olá
    AMIGOS…

    Muito bem anotado… Segundo a teologia católica… Já nascemos pecadores… O pecado original… Que uma teoria fantasiosa… Um dogma… Aonde Cristo ao morrer na cruz… Nos redimiu de nossos pecados passados e futuros rsss

    O Espiritismo… Que é uma religião… Cientifica… Da observação e experimentação…. Que foi bacharelada… E comprovada… Por uma miríade… De pesquisadores espíritas de primeira linha…

    O Espiritismo.. Vem demostrar… Através… Da Codificação Espírita… Os estados dos espíritos no mundo espiritual… O plantio do bem e o mal que realizamos na vida material… E a roda das reencarnações…

    Ou seja… Interpretações erradas… De sistemas errados… Geram um falso entendimento da realidade imortal de nossos espíritos…

    Busquemos Cristo/Kardec

    Fiquem com Deus
    Wanderlei

Deixe um comentário