Armas de fogo para quê? Somos pela paz

Set 7th, 2020 | By | Category: Artigos

43 anos paeUm encontro entre jovens, em um condomínio de luxo de Cuiabá, se tornou uma tragédia no dia 12 de julho de 2020. Naquela tarde, como fazia com frequência, Isabele Guimarães, de 14 anos, foi à casa das amigas. Horas depois, a jovem foi morta com um tiro no rosto. A autora do disparo Laura, também de 14 anos, relatou à polícia que atirou de modo acidental em Isabele.

A adolescente afirmou que se desequilibrou, enquanto segurava duas armas, e disparou. A família da Isabele não acredita nessa versão. Laura praticava tiro esportivo desde o fim de 2019. Ela participou de duas competições e venceu uma delas. (1)

Hoje em dia , adolescentes como Laura podem praticar tiro esportivo sem precisar de autorização judicial, graças ao decreto assinado pelo atual presidente do Brasil. A família de Laura, a homicida, integra uma categoria que tem crescido no país, sobretudo durante o atual governo brasileiro: os CACs, aqueles que se declaram colecionadores de armas, atiradores desportivos ou caçadores.

O caso nos fez rememorar o fatídico plebiscito ocorrido no Brasil há 15 anos sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições. A implicação de tal pleito culminou em não permitir que o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10826, de 23 de dezembro de 2003) entrasse em vigor. Lamentavelmente a maioria da população brasileira apoiou a comercialização de armas de fogo, quando detinha o poder de decidir pela pelo seu impedimento.

É flagrante que o resultado do plebiscito revelou a controvertida índole moral da maioria dos meus conterrâneos, contrariando naquela conjuntura um levantamento realizado pelo Instituto Brasmarket, a pedido do jornal Diário do Grande ABC, demonstrando que 81,6% da população da região do ABC de São Paulo estava contra a comercialização de arma.

É por essas e outras razões que o Espírito André Luiz nos aconselha “afastar-nos do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam. Pois o servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranquila, a fortaleza inatacável.”(2) É categoricamente falsa a segurança oferecida pelas armas no ambiente doméstico, por exemplo, considerando o potencial de alto risco do uso da arma “acidentalmente” , que podem causar efeitos danosos irreparáveis na vida familiar.

O elevadíssimo investimento de recursos econômicos em armamentos é completamente inútil e desnecessário. Por outro lado, o desarmamento geral será uma prática de eficiência administrativa sem prejuízo social algum, pois haverá desinteresse em conflitos internos e externos devido à possibilidade da convivência amigável em comunidade local ou global, implementado inclusive pela competitividade saudável no trabalho, mas com respeito ao semelhante.

As leis e a ordem impostas à sociedade como resposta à exigência coletiva são bem-vindas e necessárias, porém, melhor será quando todos souberem amar e fazer ao próximo o que desejaria que lhe fizessem, respeitando-lhe seus direitos, sobretudo o mais fundamental como o direito à vida.

Não obstante exista no Brasil milhares de centros espíritas, infelizmente ainda lideramos a lista mundial em casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo. Apesar disso, cremos que nesse contexto o Espiritismo é e sempre será o instrumento por excelência decisivo na transformação pela pacificação social.


Referências bibliográficas:

(1) Disponível em https://br.noticias.yahoo.com/tiro-em-banheiro-e-amizade-002555064.html acesso 06/09/2020

(2) VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2003, cap. 18.

6 Comments to “Armas de fogo para quê? Somos pela paz”

  1. PAULO ROBERTO BITTENCOURT DA ROCHA diz:

    Ridícula esta postura contra as armas.
    As armas não são. apenas, para defesa pessoal, em sua visão legal, mas para a defesa da liberdade do povo.
    Se, como espíritas, não quisermos utilizá-las, é um direito nosso. Mas, impedir que um povo se resguarde de um governo tirânico que as proíba, de forma a terem total domínio sobre a população, é um grande erro.
    Tenhamos a certeza, de que um governo totalitário de viés socialista, tirará de nós o direito de exercermos nossa fé.
    Se já não bastassem a quantidade de espíritas “socialistas cristãos”, que demonstram que não conhecem Marx e muito menos Jesus, vemos essa visão iluminista e positivista grassando no nosso meio.
    Vamos estudar as leis morais e veremos que a visão igualitária do socialismo é combatida pela Doutrina Espírita.
    Vivemos um verdadeira guerra espiritual, e o Movimento Espírita posicionando-se politicamente correto.
    Vamos ler a obra de Léon Denis e vejamos o risco que corremos em deixarmos evoluir esta visão socialista na sociedade.
    Cuidado, pois, estamos virando uma seita, graças a quantidade de infiltrados no nosso meio. Chega de sorrisos meigos e olhares carinhosos pela frente, e por baixo solicitando voto para esquerdistas.
    “A Doutrina Espírita será aquilo que nós a fizermos”.
    Olhem para trás e vejam o mal que a Teologia da Libertação fez com o catolicismo. Daí o crescimento do protestantismo no Brasil.
    O que vemos então? A esquerda querendo abrir uma fenda neste segmento religioso.
    Saíamos da espiral do silêncio e combatamos o “bom combate”.
    Naõ defendo nomes, luto por ideias.
    P.S: o que não faltam são armas para quem as quiser comprar ilegalmente.
    Só quem quer a liberação das armas são os cidadãos decentes que cumprem os requisitos da lei, ou não?

    • Estimado Paulo,
      Não tenho histórico de militância política e menos ainda ideológica.
      Parafraseando o filósofo Voltaire , “eu não concordo com uma só palavra que me dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”.
      Permaneço pela paz, sou pelo desarmamento da sociedade.

      Fraternal abraço

    • Sandra diz:

      Espíritas, a favor de armas de fogo, na verdade podem ser tudo, menos espíritas, já que contradizem explicitamente o amai-vos uns aos outros, confundido com o “ARMAI-VOS uns aos outros”. Um aberrante contraste com a advertência do Cristo, que óbvia, é justamente o contrário de incentivar a belicosidade das pessoas, naturalmente inclinadas para o instinto de destruir e de se destruir, por conta de sua irracionalidade, ainda. Precisamos justamente de campanhas de desarmamento porque com civis armados, estatísticas comprovam, aumenta o número de homicídios, suicídios e toda sorte de violência que as armas de fogo exacerbam, facilitam e favorecem. Vejam os números, galera, após a liberação das armas, vejam as estatísticas do aumento de crimes de toda ordem, e partamos para o desarmamento das pessoas porque incentivar incentiva-las a usar armas é sinônimo de regressão, de retrocesso às práticas do homem primitivo e bárbaro que utilizava um tacape e a clava, por não conhecer um rifle, um revólver ou qualquer outro artefato anti cristão, mas a intenção não era nada boa quando partiam para confrontos com seus adversários, isto é, mata-los e destruí-los por qualquer “toma lá, dá cá aquela palha”. Violência gera violência, ao contrário dos preceitos de paz de Cristo, Francisco de Assis e Mahatma Gandhi, esses sim, líderes que o tempo comprovou valer a pena serem seguidos e imitados pela flagrante e evidente superioridade moral diante da humanidade. Chega de sangue, gente boa. Chega de seguir super heróis que nos convocam para o revide, para a agressão e para o conflito. Bora entender melhor que Deus não pode abençoar nem proteger quem procede exatamente contra o mandamentos sagrado Dele, o NÃO MATARÁS. Nessa Era de Transição Planetária pipocam os anti cristos da hora, falando em Deus e agindo ao contrário Dele; é preciso orar e vigiar porque desses sim, precisamos nos defender e fugir deles, porque mesmo que não tragam uma arma nas mãos, podem nos ferir mortalmente com um sorriso nos lábios. “Olho por olho e o mundo acabará cego” ( Mahatma Gandhi)

  2. EU NÃO SOU A FAVOR DE ARMAS NEM DE PORTE DE ARMAS, ARMAS DE FOGO SOMENTE PARA A POLÍCIA, MAS ARMAS NAS MÃOS DE PESSOAS COMUM, SO SERVE PARA DERRAMAR LÁGRIMAS. COSTUMO DIZER Q O PRODUTO FINAL DE UMA ARMA NUNCA É UM FINAL FELIZ, OU DE LADO OU DE OUTRO VAI TERMINAR EM TRISTEZA E ABORRECIMENTO.
    PEDRO ILHO

  3. Gabriela diz:

    “POSSE E PORTE DE ARMAS, VISÃO ESPÍRITA

    Amigos, já vi colegas espíritas e espiritualistas se colocarem contra a liberação legalizada da posse do porte de armas, o que a meu ver, considerando os postulados da doutrina espírita, é uma posição completamente equivocada.

    Vejamos:

    As pessoas que comumente tomam essa posição, trazem por base alguns textos de Emmanuel, onde ele criticava o armamento nuclear, em um contexto de guerra fria onde de fato a humanidade corria esse sério risco, que poderia nos levar a extinção.
    A codificação base da doutrina espírita nos ensina que a legítima defesa é um instituto legítimo perante a justiça divina, como vemos na questão 748 de O Livro dos Espíritos:
    748. Em caso de legítima defesa, escusa Deus o assassino?

    “R: Só a necessidade o pode escusar. Mas se o agredido puder preservar sua vida sem atentar contra a de seu agressor, deverá fazê-lo.”.
    Nessa questão, resta claro que o Espírito da Verdade coloca que, em caso excepcional, quando a vida de alguém ou a sua própria se vê ameaçada, é lícito tirar a vida daquele algoz que promove tal ameaça, consagrando assim o instituto da legítima defesa. Em tal ocasião, perante a justiça maior não seremos tomados como assassinos.
    Como defender-se de um criminoso armado sem estarmos armados também?
    Não consta nenhuma assertiva nas obras bases espíritas que PROÍBEM o espírita de portar e possuir armas.
    No mais, Deus nos julga de acordo com nossas intenções. Como vemos, dentre outras, o esclarecimento na questão 670 de O Livro dos Espíritos:

    “670. Dar-se-á que alguma vez possam ter sido agradáveis a Deus os sacrifícios humanos praticados com piedosa intenção?

    “R: Não, nunca. Deus, porém, julga pela intenção (…).”.

    Assim, se a nossa INTENÇÃO ao portar ou possuir armas é a proteção pessoal, de nossa família ou de terceiros, é perfeitamente lícito possuir ou portar armas de fogo, desde que cumpridos todos os requisitos legais.

    Ainda, vemos na obra “Os Mensageiros”, psicografia de Chico Xavier pelo espírito André Luiz, na altura do capítulo 20 intitulado de “Defesas Contra o Mal” como os mentores da colônia espiritual possuem armas para proteção da colônia contra invasão de espíritos mais densos, perversos e perdidos no Umbral, o capítulo ainda faz alusão a mensagens que nos convidam a postura de proteção contumaz das ovelhas que nos foram confiadas. Vejamos o apelo ao término do referido capítulo:

    “Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso a distância, mostrando-lhe os dentes e emitindo teus silvos”.

    Portanto amigos, de maneira injusta assimilam essa posição de portar e possuir armas com a violência e não como uma extensão de um direito legítimo corroborado na codificação espírita bem como em demais obras renomadas, vez que tal posição trata-se de escolha individual de cada um.
    Ninguém é obrigado a possuir ou portar armas, caso não queira. Como ninguém tem o direito de coibir a escolha diferente de outrem.
    Meus familiares cresceram com meus avós e bisavós que possuíam espingardas, pistolas e as lembranças que temos dessas pessoas é a da mais plena afabilidade, mansidão e carinho. Tenho certeza que os senhores tem lembranças parecidas. O que possuímos não muda quem nós somos.
    Dessa forma, amigos, afirmo com segurança que, caso for da vontade dos Srs. possuir ou portar armas de fogo, observem as disposições legais e as vossas intenções, pois trata-se de proceder perfeitamente aceitável, se observados tais precedentes.

    O espírita vigia constantemente, em tudo que faz.

    Paz e bem!”

    (Texto extraído da página Espiritismo contra o comunismo)

  4. Rogério Miguez (Publicou em Espiritismo estudado Periódico do Centro Espírita “Humberto de Campos” – Votuporanga / SP -Ano XI – Número 69 – Janeiro / 2020 –

    Considerável parcela da população brasileira assiste estarrecida a consolidação de proposta direcionada a armar o cidadão para que este, por não contar com a segurança adequada que deveria ser proporcionada pelas instituições responsáveis, defenda-se por si mesmo a qualquer preço dos muitos perigos rondando o cotidiano, mesmo à custa da morte do agressor.
    Ventos estranhos sopram neste início do século XXI na Terra do Cruzeiro.
    Há uma expectativa imensa da humanidade por uma convivência mais pacífica considerando a existência de tantas guerras e conflitos registradas em nossa história, e de tantos atritos ainda hoje existentes entre nações com o potencial de levar à destruição total do planeta Terra.
    A história não consegue registrar um período sem que ao menos duas nações ou civilizações estivessem digladiando-se, por motivos torpes, alguns mesmo banais, agravando sobremaneira o quadro imenso de dívidas morais para os seus fomentadores e participantes, consequentemente, sedimentando o terreno para futuras e atrozes expiações para os envolvidos, considerando esta parcela da Humanidade Universal.
    Quando teremos um pouco de paz, perguntamo-nos apreensivos?
    Acordar e saber que podemos seguir as nossas vidas sem nos preocuparmos com as bombas atômicas, os mísseis balísticos, as armas futuristas que dispensam a presença física dos soldados no seu manuseio, pois são teleguiadas. Os arsenais militares aumentam a cada dia, a indústria bélica se robustece incorporando estoques de armamentos de todos os tipos, são cada vez maiores os percentuais de recursos financeiros alocados para o armamento e a suposta defesa das nações, já se fala no retorno da guerra fria quando a humanidade vivia sob o pavor de ser aniquilada instantaneamente após o pressionar de apenas alguns botões, do leste e do oeste.
    E neste cenário belicoso da atualidade, como se não bastasse tanta violência e insensatez, tamanho desregramento moral e ético, somos obrigados a conviver com mais uma corrida às armas, não por países do hemisfério norte, muito menos por nações do oriente, mas, pasmem, dentro das fronteiras da nossa própria pátria, em uma busca desenfreada e absurda para tentar garantir a paz e segurança tão desejadas.
    Seria isto mesmo? Estaríamos vivendo um pesadelo, um sonho ruim, uma indisposição momentânea? Infelizmente não, é a pura realidade!
    As armas batem às nossas portas com insistência, divulgadas e encaminhadas por administradores despreparados, ignorantes e imprudentes, contudo, há muitas razões para não receber estas visitantes indesejadas. Entre tantas considerações sobre esta despropositada proposta, destacamos algumas para nossa reflexão:
    Não compro uma arma visto que não quero fazer ao próximo o que não gostaria que me fosse feito, princípio basilar da boa convivência em sociedade apresentado há milênios.
    É extremamente perigoso manter umaarma em casa, uma criança pode encontrá-la e um fim trágico pode suceder.
    Alguns diriam ainda bem que nãopossuem dinheiro. Sim, pois a proposta é para os ricos, os abastados, os pobres jamais poderão comprar legalmente uma arma. Seria este um indicativo de que os ricos são os que instintivamente mais temem os perigos da sociedade desarvorada em que vivemos em função de seus muitos “pecados”, por isto desejam armar-se? Neste particular caso ainda é preciso ajuizar: mesmo possuindo o valor necessário para a aquisição de uma arma, jamais deveríamos fazê-lo.

    • Outros sabiamente diriam: Não quero fazer justiça com as próprias mãos, pois creio não existir o acaso no ordenamento divino, cabendo a Deus e as leis humanas a aplicação das penas ou punições cabíveis.
    • Uns mais ilustrados nos princípios espíritas poderiam asseverar: espero nesta vida não matar mais ninguém, tendo em conta que no passado muitos já tiramos a vida de outros tantos.
    Se perguntássemos aos espíritas se gostariam de se armar para supostamente garantir a paz e a segurança própria e de seus familiares, a grande maioria certamente diria não, porquanto conhecem a advertência de André Luiz1: Esquivarse do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam. O servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranquila, a fortaleza inatacável.
    Sim! A consciência tranquila é a nossa base, o nosso esteio de tranquilidade, o baluarte maior, a fonte inesgotável de paz, mas, a paz do Cristo. Se nada tememos interiormente, nada precisamos recear oriundo do exterior.
    Desta forma, não façamos apologia ao armamento da população, muito pelo contrário, lembremos sempre do Cristo nestas horas incertas, o nosso modelo e guia, exemplo maior de pacificação, cordura e misericórdia, além disso, Deus não deseja a morte do pecador, mas sim do pecado.
    Não se combate violência com violência, pois violência gera sempre mais violência!

    1 VIEIRA, Waldo. Conduta espírita. Pelo Espírito André Luiz. 32. ed. 6. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 18 – Perante nós mesmos.

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