AS IDEOLOGIAS MATERIALISTAS NÃO SE AJUSTAM À MENSAGEM DOS ESPÍRITOS

Jun 14th, 2013 | By | Category: Artigos

indignaçãoDeus não concede privilégios a ninguém, e, se há sofredores e felizes é por força do mau ou bom uso do livre arbítrio do Espírito. Por força da liberdade de escolha, cada pessoa decide qual o caminho a seguir. Não é com regozijo que coexistimos com o infausto vulto do “mendicante social”. Quem é tal figura? Ressalvando-se as exceções, não ignoramos que há pessoa insensível, usurpadora, que abomina trabalhar, não produz nada para a sociedade e (sobre)vive vampirizando os recursos dos programas sociais do estado. Apresenta-se como uma coitadinha, “abandonada social”, e exige impetuosamente muitos direitos para si, despreocupada com os próprios deveres.

Existe pessoa que fala de si como uma infeliz desfavorecida, mas não cumpre  suas obrigações, ou se as cumpre, entende que está sendo explorada. Não gosta de estudos, detesta leituras (quando alfabetizada). Quase sempre por ter ojeriza à sala de aula e professores, esquivou-se da escola, mas responsabiliza a sociedade e o “(des)governo” por sua condição de iletrada e pobre. Não esqueçamos que Deus proporciona a todos os seres idênticas e incessantes oportunidades de crescimento. Coloca em estado latente o mesmo poder, a mesma sabedoria e os mesmos estímulos evolutivos para todos, no longo e difícil trajeto para a perfeição.

Nessa linha de raciocínio, o que pensar do cidadão que execra e exorciza tudo o que exige raciocínio? Aquele que vive na sua mansarda sem quaisquer bens, exceto um aparelho de TV, para poder discutir sobre capítulos de novela e jogos de futebol. Comumente alimenta a fé nas religiões que praticam o comércio espiritual, prioritariamente as que incluam exorcismos e rituais com berreiros e espasmos convulsivos. Culpa o destino, o governo, a raça, a cor, o bairro onde reside. Em suma, a responsabilidade da sua inércia é sempre do outro.

Por outro lado, há cidadãos que laboram de sol a sol com dignidade para enaltecer a vida na sociedade. Por oportuno, e com muita exultação, evocamos aqui no debate o célebre José Mujica, atual presidente do Uruguai, ele que é considerado o chefe de estado mais despojado do mundo. Possui um fusquinha e dedica cerca de 90% do salário para obras sociais. Vive assim por opção. É um idealista sincero e crê na igualdade e justiça dos homens para a conquista da paz. Adora mencionar Sêneca (1) quando diz que “pobres são aqueles que precisam de muito”. Não proclama a “valorização da pobreza”, mas do comedimento no viver. (2) Sem dúvida, Mujica é uma alma grandiosa e deveria ser  inspiração para os homens públicos do Brasil.

O presidente uruguaio, em que pese o seu estupendo exemplo de vida,  é arauto de uma sociedade igualitária. Será possível ou mera utopia o sonho de Mujica? Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela desencarnação: todos aos seus olhos são iguais. Eis o sentido correto da Lei de Igualdade. Portanto, perante Deus somos iguais a despeito da colossal fissura que se abre pelas disparidades sociais.

O Criador criou-nos essencialmente idênticos, contudo nem todos fomos criados na mesma época, e, por conseguinte, uns são mais velhos e somam maior conjunto de aquisições do que outros mais “jovens”. As desigualdades entre nós estão na diversidade dos graus da experiência alcançada e do exemplo nos caminhos do bem sob a tutela do livre arbítrio.

A variedade das aptidões, ao contrário do ideal igualitário, é um meio propulsor do progresso social, já que cada homem contribui com sua parcela de conhecimento. As desigualdades que apresentamos entre nós, seja em inteligência ou moralidade, não derivam de privilégios de uns em detrimento de outros, mas do maior ou menor aproveitamento desse “tempo cósmico”, no esforço do alargamento das habilidades e virtudes que nos são inerentes, consoante o melhor uso do livre arbítrio por parte de cada um. Destarte, as desigualdades naturais das aptidões humanas são os degraus das múltiplas experiências do passado. E cremos que essas diferenças constituem os agentes do progresso e paz social.

Como se vê, a nossa tese é contrária à pretendida igualdade sócio-econômica, frequentemente artificial na vida de relação dos Espíritos encarnados. Por que não são igualmente ricos todos os homens? Com base nas instruções do XVI capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendemos que não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação. (3)

A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. “A pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus-Cristo; a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos. (4)”

Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis santuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade. (5)

A Mensagem de Jesus não preconiza que os ricos do mundo se façam pobres e sim que todos os homens se façam ricos de conhecimento, porque somente nas aquisições de ordem moral descansa a verdadeira fortuna. Reconhecemos que o socialismo que vigora em muitos países da Terra é uma bela expressão de cultura humana, enquanto não resvala para os polos do extremismo. Porém, “a concepção igualitária absoluta é um erro grave dos estudiosos, em qualquer departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição nesse sentido, mas não passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para efeitos exteriores, porquanto o verdadeiro valor de um homem está no seu íntimo, onde cada espírito tem sua posição definida pelo próprio esforço;”. (6)

Aos radicais segmentos progressistas vimos esclarecer que aceitar os preceitos espíritas não significa concordância conformista dos problemas de natureza econômica e política, porém maior compreensão desses estágios humanos. Os conceitos espíritas não concebem as desigualdades como algo estático e insensível a mudanças pelas nossas ações. As lições espíritas jamais visam privilegiar os interesses de uma elite rica no campo social. A necessidade de se transformar a nossa sociedade desigual em uma sociedade justa é o escopo doutrinário, sem necessidade absoluta de ideologias materialistas e tacanhas para esse desiderato.

Jorge Hessen

http://aluznamente.com.br

Referências bibliográficas:

(1)           Contemporâneo de Jesus foi um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano

(2)           Disponível em http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Vida/noticia/2013/05/vida-simples-de-pepe-mujica-presidente-do-uruguai.html

(3)           Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, “Desigualdades das Riquezas”; RJ: Ed. FEB, 2000

(4)           Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB 2001, pergs. 55,56,57

(5)           _____, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, “Desigualdades das Riquezas”; RJ: Ed. FEB, 2000

(6)           _____, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB 2001, pergs. 55,56,57

Tags: ,

13 Comments to “AS IDEOLOGIAS MATERIALISTAS NÃO SE AJUSTAM À MENSAGEM DOS ESPÍRITOS”

  1. Excelente matéria, parabéns!

  2. Marco Falcão Coimbra diz:

    Excelente !!! Sugiro colocar a definição dos espíritos em “O Livro dos Espíritos” da palavra caridade como a entendia Jesus, para os leigos da doutrina…
    Abraços fraternos,
    Marco Coimbra

    • Segundo o Espiritismo o verdadeiro sentido da palavra caridade, é a “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” Sobre isso Kardec comenta na questão 886 do Livro dos Espíritos: O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça. pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos. A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque da indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa.
      É como dissemos no desfecho do artigo: “aceitar os preceitos espíritas não significa concordância conformista dos problemas de natureza econômica e política, porém maior compreensão desses estágios humanos. Os conceitos espíritas não concebem as desigualdades como algo estático e insensível a mudanças pelas nossas ações. As lições espíritas jamais visam privilegiar os interesses de uma elite rica no campo social. A necessidade de se transformar a nossa sociedade desigual em uma sociedade justa é o escopo doutrinário, sem necessidade absoluta de ideologias materialistas e tacanhas para esse desiderato.
      Att
      Jorge Hessen

  3. miotto.marcos@terra.com.br
    Em 15 de junho de 2013 16:17, miotto.marcos escreveu:
    Caríssimo Jorge,

    Boa tarde!

    Entendo (eu) que não devemos elogiar um obreiro espírita pela lógica tão comum da vaidade e do orgulho reinantes em nosso meio, porém a palavra “IMPECÁVEL” é a melhor definição que posso lhe ofertar.

    Continue firme, caríssimo Irmão, só tenho que te agradecer por tão bela explanação, me ajudando e muito para a composição das discussões nos grupos de estudos Espíritas, onde os créditos não serão esquecidos.

    Abraços sempre fortes,

    Marcos Miotto

  4. Ivete Ciscotto diz:

    Tenho o dever de não só elogiá-lo por seu artigo, como agradecer-lhe pelo incentivo que nos dá para discutirmos com muitos irmãos confrades à respeito do conformismo… Todos lavando as mãos..
    Luz no seu caminho

  5. Margarida Azevedo diz:

    Caro Jorge
    Excelente artigo. Concordo inteiramente com o posicionamento explanado. Aqui em Portugal, mercê da “crise económica”(?) são cada vez mais aqueles que habitam na rua. Chamam-lhes “Sem Abrigo”. Procura-se minorar-lhes o sofrimento. Porém, ninguém se interroga: Como foram lá parar? O que fizeram(ou não fizeram) para que tal desgraça lhes tivesse acontecido. Por fim, ( e já se me depararam vários casos) há ainda ociosos, aqueles que fomentam a perguiça, que nada fazem, nem querem fazer. Esses estão lá porque querem. E nem de lá querem sair. É mais fácil viver da “generosidade alheia” do que trabalhar.
    Parabéns e um abraço
    Margarida

    • Estimada e nobre irmã
      Acabei de responder a um grande amigo o seguinte: A provocação temática foi posta por um grupo de amigos , afim de que eu comentasse. Aceitei o repto e debrucei nas fontes buscando uma linha de argumento que percebi seria socialmente sensível, até porque arrazoamos muito sobre a caridade , sobre a guarida assistencialista aos deserdados; apostilamos sobre as tiranias sociais, destarte, encontrei fontes aqui e acolá , indo montando o esqueleto da tese principal. Posteriormente fui armando o arcabouço com as precisas partes do corpo, a saber: dos órgãos internos à pele ; da carne aos músculos, assim completei o corpo ideado através de um assunto densamente provocador, mormente em épocas de repartição de benesses estatais aqui no Brasil sem o imperioso domínio do desígnio desses donativos do estado.
      Rememoro e comparo com o histórico apogeu do Império romano, naquela época os estafetas e pensadores de César sugeriam a filosofia do pão e circo para o povão esfaimado. Atualmente o pão é a “verba estatal” , o circo é representado pela novela frívola, dos estéricos e estéreis programas de auditórios, pela “dança dos famosos”, “BBB” – Big Brother Brasil, pelo reality show rural “a fazenda”, há os sedativos esportivos em época de copa do mundo, como o futebol, as Olimpíadas e assim vai a carroça fechando o circulo da filosofia do “panis et circenses”.
      Como vimos, nada disso é novidade para os historiadores , infelizmente ainda há ausência do convite à educação, ao trabalho produtivo, à dignidade. Não é justo tirar dos que laboram de sol a sol o quinhão e destiná-lo (considerando as honrosas exceções) para os que sorrateiramente vampirizam o estado em nome da miséria econômica. Identificamos a ausência de ética, de dignidade e há superávit de ociosidade para encarar o trabalho produtivo e o estudo dos muitos “beneficiados”. Repito é ó bvio que não podemos generalizar , urge portanto ressalvar as exceções em alguns casos.
      Forte abraço
      Jorge Hessen

  6. Diaz diz:

    “Deus não concede privilégios a ninguém, e, se há sofredores e felizes é por força do mau ou bom uso do livre arbítrio do Espírito. Por força da liberdade de escolha, cada pessoa decide qual o caminho a seguir.”
    Caro Jorge Hessen.
    Belo artigo, atual e oportuna a lembrança do líder Uruguaiano neste momento em que o Brasil acorda para a realidade política e as necessidades de mudança.
    Quanto a questão do livre arbítrio creio que poderíamos refletir um pouco mais. Quando encarnados, fazemos uso do livre arbítrio em todas as nossas escolhas? Se sofrimento ou felicidade são realmente resultados de nossas escolhas, onde reside a justiça quando privilegia o sábio que tem maior possibilidade de acerto em suas escolhas?
    Abraço.
    Diaz

    • A justiça divina não privilegia ninguém, ,posto que a cada um segundo os seus merecimentos como ensinou-nos Jesus.
      A reencarnação corrobora, em toda plenitude, as lições do Mestre de Nazaré. Lembramos que ninguém compreenderá as Leis do Criador, em sua essência ,se não nascer de novo , consoante explicou Jesus a Nicodemos.
      O tamanho do livre arbítrio guarda sintonia com nossas escolhas de vida; se acerto ante as Leis do amor amplio minha liberdade de escolha, se erro deliberadamente, encurto essa liberdade de opção e fico algemado às consequências que advirão.
      A reencarnação explica desse modo as desigualdades e favorece aos que mais laboram , portanto não privilegia ninguém.
      Saudações
      Jorge Hessen

  7. luis diz:

    Amigos,

    Coloco aqui a pergunta, tantas vezes repetida, mas nunca respondida de modo definitivo: se todo efeito tem sua(s) causa(s), qual é a causa q tem como efeito os homens, filhos de Deus, os quais por procederem de Deus não podem ser nem maus, nem injustos, nem ininteligentes, serem tão ininteligentes, maus e injustos de tal modo q a lei de Deus está frequentemente submetendo-os a sofrimentos terríveis, torturantes como vemos no mundo?

  8. Wlamir diz:

    Como sempre, gosto de ler os artigo do Sr. Jorge, são de muito proveito e de uma explanação sem rodeios.
    Parabens Sr. Jorge, que Deus lhe abençoe.

Deixe um comentário