“Bruna Andressa”- um suicídio “ao vivo”, seus pais e muitas agonias

Jul 31st, 2017 | By | Category: Artigos

10 (1)A jovem Bruna Andressa Borges, de 19 anos, se suicidou e transmitiu ao vivo o ato na tarde do dia 26 de julho de 2017 na casa de seus pais, na Vila Militar do bairro Bosque, em Rio Branco, Acre. O vídeo foi transmitido através do Instagram para 286 seguidores. Bruna era estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal do Acre (Ufac). Antes de se enforcar também publicou mensagens no Facebook. “Já fui abandonada e julgada pela pessoa que achei que seria minha melhor amiga, a pessoa que amei me humilhou e riu da minha cara, me chamou de ridícula. Talvez eu seja, mas não pretendo continuar perguntando para saber”, escreveu.

Os pais de Bruna foram encontrados mortos dois dias depois em casa. Os corpos do subtenente Márcio Augusto de Brito Borges, de 45 anos, e da esposa, a ex-sargento Claudineia da Silva Borges, 39, estavam na casa onde moravam, na Vila Militar. As informações da perícia dão conta de que o casal foi encontrado no mesmo local em que sua filha Bruna cometera suicídio dois dias antes.

Há 7 anos uma jovem  de 15 anos suicidou-se com um tiro de revolver, dentro de uma escola, em Curitiba. Não houve grito nem pedido de socorro. Em silêncio, ela entrou no banheiro e se trancou em uma das cinco cabines. Sentada sobre o vaso sanitário, disparou contra a boca. Três meses antes da tragédia, a jovem procurou os pais e pediu para que eles a levassem a um psicólogo. Dizia sentir-se triste e desmotivada. O pai passou a pegá-la na aula de pintura e levá-la, semanalmente, a um psiquiatra. No inquérito policial sobre o suicídio, apurou-se que ela tomava benzodiazepínicos (soníferos) para dormir, e outros medicamentos para controlar a ansiedade que sentia.

Diante dos dilemas acima indagamos: Como os pais podem proteger os filhos dos desequilíbrios emocionais que assolam a juventude de hoje? Obviamente, precisam estar atentos. Interpretar qualquer tentativa ou prenúncio de potencial suicídio como sinal de alerta. O ideal é procurar ajuda especializada de um psicólogo e, para os pais espíritas, os recursos terapêuticos dos centros espíritas. Aproximar-se com mais afinco do filho que apresenta sinais fortes de introspecção ou depressão. O isolamento e o desamparo podem terminar com aguda depressão e ódio da vida.

É evidente que sugerir serem os pais os únicos responsáveis pelo autocídio de um filho é algo muito delicado e preocupante, pois trata-se um ato pessoal de extremo desequilíbrio da personalidade, gerado por circunstâncias atuais ou por reminiscências de existências passadas. Se há culpa dos pais, atribui-se à negligência, à desatenção, a não perceber as mudanças no comportamento do filho e a tudo que acontece à sua volta. Sobre isso, estamos convictos de que a sociedade como um todo é igualmente culpada. Antes de colocar o fardo da culpa nos pais em primeiro lugar, reflitamos: quem pode controlar a pressão psicológica que uma montanha de apelos vazios faz na cabeça dos jovens diariamente?

O suicídio é um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Suas matrizes causais são numerosas e complexas. Os determinantes do suicídio patológico estão nas perturbações mentais, depressões graves, melancolias, desequilíbrios emocionais, delírios crônicos etc. Algumas pessoas nascem com certas desordens psíquicas, tal como a esquizofrenia e o alcoolismo, o que aumenta o risco de suicídio. Há os processos depressivos, em que existem perdas de energia vital no organismo, desvitalizando-o, e, consequentemente, interferindo em todo o mecanismo imunológico da pessoa.

A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas asseveram que ninguém tem o direito de abreviar, voluntariamente, a vida. Entretanto, por que não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de por termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta somente por constituir infração de uma lei moral – consideração esta de pouco peso para certos indivíduos –, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica. Antes, o contrário, é o que se dá com eles na existência espiritual após esse ato tão insano.

A rigor, não existe pessoa “fraca”, a ponto de não suportar um problema, por julgá-lo superior às suas forças. O que de fato ocorre é que essa criatura não sabe como mobilizar a sua vontade própria e enfrentar os desafios. Na Terra, é preciso ter tranquilidade para viver, até porque não há tormentos e problemas que durem uma eternidade. Recordemos que Jesus nos assegurou que “O Pai não dá fardos mais pesados que nossos ombros” e “aquele que perseverar até o fim, será salvo”. [1]

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Referência bibliográfica:

[1] Mt. 24,13

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4 Comments to ““Bruna Andressa”- um suicídio “ao vivo”, seus pais e muitas agonias”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Uuma tragédia. Que coisa terrível.

    A vigilância se faz necessária por parte dos tutores, e a proximidade uma coisa vital para remediar esses desvios, o que não é tarefa fácil.

    Acho que a reversão de um quadro depressivo capaz de levar ao suicídio é bastante complicada, sejam lá quais forem as causas, que muitas vezes podem estar ocultas aos nossos olhos.
    Geraldo Magela Miranda

  2. Ainda existe muita falta de vigilancia para o cometimento desses atos, principalmente em se tratando de jovens!

  3. PEDRO ILHO diz:

    Quanta tragédia; em solidariedade à filha os pais também praticam o suicídio. Sem a intenção de crítica, muito pelo contrário, é um motivo a mais de nos preocuparmos com as sugestões que às vezes nos surgem à mente, porque o inimigo está sempre às espreitas só esperando uma oportunidade para agir, e um suicídio nunca é tirado de uma mente sã, sempre tem alguma sugestão alheia, à nossa vontade. E essa vontade é que tem que passar pelo o crivo severo de nossa consciência, parar para pensar: estou agindo certo? E´ lógico que se não tivermos alguma afinidade com Deus, com Jesus e com os bons Espíritos, nossos Anjos de Guarda, fica mais difícil nos livrarmos desses obsessores, mas nunca devemos dar tréguas aos pensamentos malévolos. Chico Xavier, nos diz que a maior decepção do suicida, é na hora em que ele descobre que não conseguiu se matar.

  4. Irmãos W diz:

    Olá
    Caros amigos…

    A finalidade do Espiritismo… Conforme no dizer de Allan Kardec… Veio matar o materialismo…
    Sendo assim amigos… Todo o ser humano tem uma finalidade na vida que e crescer e evoluir… Nas diversas reencarnações… Rumo a perfeição… Conforme Cristo… Nos falou no Sermão da Montanha…
    O Espiritismo como 3 revelação… Veio nos aclarar… Sobre os seus ensinamento… Nos mostrando a condição dos espíritos no mundo espiritual…
    Na questão em pauta… Sobre o suicídio… E fugir de um problema… Para cair em uma situação… Que somente seculos vão curar o nosso espírito imortal… De nossa fuga da vida…
    Qualquer problemas que tivermos… Temos que confiar em Deus… Pois ele e nosso pai…

    Pedimos ao nossos amigos… Que possam ver uma obra em áudio

    Yvonne do Amaral Pereira – Memórias de um Suicida
    https://www.youtube.com/watch?v=e3U4mopzm48&index=1&list=PLbBAXq8ij9Ex2fK-uwNsfK8WTE7KuRpaO

    Fiquem com Deus

    Wanderlei

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