Como enfrentar as “culpas” e desculpas? 

Jun 18th, 2018 | By | Category: Artigos

0000000000000002xA percepção da “culpa” tem sido objeto de investigações e influências no amplo debate temático da Doutrina dos Espíritos e das ciências psíquicas. Sabe-se que são intermináveis e graves as consequências da conservação da “culpa” em nossa vida, podendo alcançar indescritíveis destroços emocionais, psicológicos, comportamentais e morais.

A famosa “culpa” se consubstancia numa sensação de angústia adquirida após reavaliação de um ato tido como reprovável por nós mesmos, ou seja, quando transgredimos as normas da nossa consciência moral.

Sob o ponto de vista religioso, a “culpa” advém na transgressão de algo “proibido” ou de uma norma de fé. A sanção religiosa tange para a reprimenda e condenações punitivas. A sinistra “culpa” religiosa significa um estado psicológico, existencial e subjetivo, que indica a busca de expiação de faltas ante o “sagrado” como parte da própria autoiluminação como experiência sectária. Frequentemente a religião trata a “culpa” como um sentimento imprescindível à contrição e a melhoria pessoal do infrator, pois o mesmo alcança a mudança apenas se reconhecer como “pecaminoso”o ato cometido.

Essa interpretação religiosa não se compatibiliza com as propostas espíritas, até porque a “culpa” é uma das percepções psíquicas que não se deve nutrir, por ser uma espécie de mal-estar estéril, uma inútil insatisfação íntima. Em verdade, quando nos culpamos tolhemos todo o potencial de nos manifestar com segurança perante a vida.

A “culpa” tem perigosas matrizes nas exigências de auto-perfeição que nos constrange a curvar-nos diante de alguns atos equivocados. Tal estado psicoemocional provoca em nossa consciência alguns sentimentos prejudiciais tais como o autojulgamento, a autocondenação e a autopunição. Importa libertar-nos das lamentações, dos processos psicológicos de transferência da “culpa”, da autocomiseração, das condutas autopunitivas e assumirmos com calma a responsabilidade pelos nossos próprios atos.

É verdade! O comportamento autopunitivo causa gravíssimas doenças emocionais, notadamente a depressão. Atualmente a depressão é um colossal drama humano. “Eu não mereço ser feliz”, “eu não nasci para ser amado”, “ninguém gosta de mim” etc. Aqui se manifesta um comportamento autopunitivo de complicado tratamento psicológico e espiritual. Neste caso a “culpa” está punindo e aprisionando. O culpado está acomodado na queixa e na lamentação (pela “culpa”). Mais amadurecido psicologicamente poderia avançar pelo caminho do auto perdão e capacitaria abrir mais o coração para a vida.

Nas patologias depressivas, muitas vezes há muito ódio guardado no coração. Muitas vezes oscilamos entre atos que geram a artimanha do “desculpismo” e ações que determinam a “culpa”. Dependendo de como lidamos com tais desafios, a “culpa” permanece mais forte, produzindo situações que embaraçam o estado psíquico e emocional, razão pela qual não nos podemos exigir perfeição, inobstante, devemos fazer esforços contínuos de auto-aperfeiçoamento, afastando do “desculpismo” que nada mais é do que uma porta de escape para a fuga das próprias obrigações.

Sim! É preciso que nos perdoemos. O auto perdão ilumina a consciência, predispondo-nos à reparação necessária a fim de realizarmos o bem àqueles a quem fizemos o mal; praticarmos a bondade em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-nos humildes se temos sido orgulhosos, amáveis se temos sido austeros, caridosos se temos sido egoístas, benignos se se temos sido perversos, laboriosos se temos sido ociosos, úteis se temos sido inúteis.

Pensemos o seguinte: nós erramos porque somos humanos ou somos humanos porque erramos? Na verdade, todos acertamos e erramos, não há pessoas perfeitas na Terra. Se fizermos as coisas certas nos regozijemos por isso, porém se erramos sigamos em frente e aprendamos com o erro, pois quando aprendemos com os erros eles se tornam o grande caminho da lição e do crescimento interior. Desta forma fica ilustrado que, se errar é humano, diluir os erros e ter resignação são as alavancas para impulsionar a vida, para prosseguir a marcha nas trilhas do bem, trabalhando e servindo, para reparar os fracassos da caminhada.

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

 

 

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3 Comments to “Como enfrentar as “culpas” e desculpas? ”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Olá, Jorge.
    Creio que o erro é fruto da nossa imperfeição, e claro está que não vamos acertar sempre. Nem por isso teremos necessariamente que sofrer castigo, seja lá de que forma que alguém ou nós mesmos nos punamos.
    Necessário sim é fazer um exame de consciência nessas ocasiões, pois o erro é fonte de aprendizado também. E aí está uma coisa que nos faz muito bem: a humildade de assumir o equívoco e aproveitar a lição para crescer, não é mesmo?
    Grande abraço.
    Geraldo Magela Miranda

  2. PEDRO ILHO diz:

    Eu penso que, quando estamos conseguindo perceber que erramos, e pedimos desculpas já estamos a caminho, não da perfeição, mas da melhora; porque com certeza que fomos muito piores, quando ofendíamos e nem percebíamos dos nossos maus atos. Hoje pelo menos, não temos em mente a intenção de ofender ninguém por maldade própria. Me lembro uma frase da MADRE DE CALCUTÁ, onde ela diz: “não deixe que ninguém saia de sua presença magoado ou triste com você”. E eu digo; magoado triste, e as vezes acontece porque não somos perfeito, se isso acontecer, já podemos considerar um dia perdido!!!

  3. Wanderlei diz:

    Olá
    Caros amigos…

    Saudações Kardequianas…

    Muito interessante a questão da culpa….

    Se cometemos erros… Devemos assumir o que erramos… E buscar nos corrigir….

    A culpa e uma faca de 2 gumes…. Que nos podem ajudar ou destruir!!!

    Se cometemos delitos… E se centralizamos na culpa… Acabamos dar espaço… A quem ferimos… Isto nesta vida ou em outra reencarnação…

    Então qual e A formula??? Vamos ver o que ensina JESUS….

    8 Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados. 9 Sendo hospitaleiros uns para com os outros

    Ou seja amigos… Se aceitarmos os nossos erros… E buscamos… Seguir o que orientou JESUS… VAMOS AUMENTAR A O TÔNUS DE NOSSA SINTONIA MENTAL COM O BEM MAIOR… E AVANÇARMOS!!! POIS SOMOS IMORTAIS…

    Deus… Não quer culpados… Mais sim… Almas regeneradas!!! Rumo a perfeição!!!

    A luta segue

    Wanderlei

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