DILÚVIO DE LIVROS “ESPÍRITAS” DELIRANTES

Mar 4th, 2013 | By | Category: Artigos

entulho espiritaComo (re)agir diante dos livros antidoutrinários, supostamente “mediúnicos”, que invadem as instituições espíritas, colonizando turbas de ingênuos adeptos? Há pseudomédiuns, sem qualquer compromisso com o Espiritismo, que agem quais livres atiradores, e paradoxalmente “suas obras são vendidas nos Centros Espíritas, porque vendem muito, mas o tempo que se consome lendo seus livros é um desvio do tempo de aprendizagem da Doutrina Espírita.” (1)
Possivelmente seja perda de tempo acercar-nos desse cansativo tema. Todavia, acreditamos que sob o pálio do velho adágio “cautela e caldo de legumes não fazem mal a ninguém”, a questão pode ser abordada de forma menos complicada. Antes, porém, reafirmamos tudo o que já registramos muitas vezes na imprensa: os livros insalubres não devem ser comercializados nas livrarias de uma instituição espírita! Nem mesmo em nome da surrada cantilena “liberdade de expressão”. “Não faz nenhum sentido as instituições continuarem comprando essa literatura [infausta]. Deveriam fazer a barreira de obstrução mesmo sem brigar com ninguém, até porque somos espíritas e é urgente saber o que é um livro genuinamente espírita.” (2)
Raul Teixeira explana o seguinte: “quanto mais descomprometido com a Doutrina Espírita é o ‘livrinho’ ou o ‘romancinho’, mais o povo gosta. Somos responsáveis por essa chuva de lodo sobre a nossa literatura espírita que dá lucros exorbitantes. Muitos clubes do livro [com honrosas ressalvas] não respeitam a Doutrina Espírita e normalmente colocam mensalmente um livrinho “baratinho” para cobrar mais caro e terem altos lucros sobre os seus assinantes.” (3)
Atualmente são vendidos a rodo esses destroços literários. “É preciso frear a entrada dessas obras nas instituições. Que os editores vendam onde quiserem, menos no centro espírita. É muito importante os espíritas assumirem posição. Nunca será falta de caridade denunciar o mal. Falta de caridade é nossa omissão ante a disseminação do mal através dos livros. Não podemos entrar na falácia de que o mal é querer o bem.” (4).
Há obstinados gênios das trevas divulgando “pérolas azuis” do tipo “o mundo espiritual é uma cópia do mundo físico e não o contrário”; “a mulher desencarnada sofre fluxos menstruais”; “os Espíritos vão ao banheiro e dão descarga”, “instrutor espiritual conta piadas pornográficas”, “mentor descreve com minúcias as curvas sensuais de jovem desencarnada”, “mentor endossa o aborto de anencéfalos”. É chocante! Nessa invasão “mediúnica” enunciam “que existem relacionamentos sexuais para promoção de ‘reencarnação’ no Além”. Ah!, por falar em reencarnação, tais livros revelam as várias “reencarnações” de Allan Kardec, culminando por encontrar o mestre de Lyon imerso num  corpo (re)nascido em Pedro Leopoldo. Seria patético se não fosse burlesco, ou o avesso?!  Seria cômico se não fosse  trágico.
Garante tal literatura que “as pretas e pretos velhos, caboclos e correlatos, são entronizados como mentores de instituições espíritas.” Óbvio que as tradições das práticas mediúnicas africanas e ameríndias não padecem de discriminação entre os espíritas estudiosos, nem avaliamos os Espíritos de índios e negros, de todo, involuídos, todavia, ignorantes. Sim! Porque se fossem mais conscientes ou se não fossem ignorantes, não algemariam a mente em atavismos exóticos de personagens do pretérito. Estamos diante de delírio e de extrema fascinação no movimento espírita doutrinário.
Os dirigentes não utilizam de forma criteriosa as barreiras para seleção doutrinária dos livros expostos ao público! Afirma Divaldo Franco que “o pudor em torno do Índex Expurgatorius da Igreja Romana tem levado muitos líderes a uma tolerância conivente [contemporização].”(5) As instituições espíritas [inclusive algumas federativas], “por interesse puramente comercial, vendem quaisquer livros “psicografados”, de autoajuda, de esoterismo, de outras doutrinas, quando deveriam preocupar-se em divulgar as obras do Espiritismo, tendo um critério de lógica.”(6)
Temos observado que sob o lábaro da “liberdade cultural” há os que pugnam pelo não expurgo dos livros antidoutrinários nas prateleiras das nossas bibliotecas espíritas, desde que haja na página inicial dessas obras (avaliadas como lesivas ao programa da Codificação), sumários de análise e sugestão para a leitura de obras com contextos adversos. Interessante esse método, sem dúvida, mas cremos que o ingresso dos espíritas (menos precavidos), deve ser irrestrito tão somente nas bibliotecas que se balizem exclusivamente nas obras doutrinariamente irrefutáveis.
Logicamente, sem obrigação de pelejar com os desfavoráveis a restrições, podemos aceitar a catalogação dos atuais “entulhos-literários” e destiná-los a espaços de leitura apenas frequentados por espíritas conscienciosos e pesquisadores honestos, capazes de analisar com lucidez os conteúdos das obras. Somos partidários do ideário de “que as instituições espíritas deveriam ter uma comissão para analisar e avaliar a qualidade do livro e divulgá-los ou não, porquanto as pessoas incautas ou desconhecedoras do Espiritismo fascinam-se com ideias verdadeiramente absurdas. (7) Destarte, é importantíssimo “montar a barreira natural do exame [dos livros] consoante recomenda Kardec, até porque não se trata de reconstrução do arrepiante Índex Librorum Prohibitorum..” (8)
Se a biblioteca for acessível a qualquer pessoa, é urgente toda precaução, pois quanto maior nível de ignorância do ledor, importância máxima dará a “segurança” oferecida pela instituição ao livro a que ele tem livre acesso para leitura. Infelizmente, para os calouros e/ou incautos, o que é oferecido pelo centro espírita é interpretado como válido, fidedigno e doutrinariamente correto. Eis aí o “deus-nos-acuda” instalado! Cremos que “mesmo sem atracar com ninguém é imperioso defender o território [instituição espírita], porque quem compra [ou toma emprestada] uma obra de má qualidade no centro, sai declarando que aquela obra é espírita, pois foi adquirida no centro. Se um centro espírita comercializa uma obra de má qualidade é porque esse centro também é de má qualidade.” (9)
Sobre as bibliotecas espíritas, concordamos que as mesmas devem ser locais “intocáveis”. Porém, não há como comparar a liberalidade de uma biblioteca mundana (descompromissada com a Terceira Revelação) com uma biblioteca espírita. Nada mais desigual! Os desígnios são completamente diferentes. A primeira prima por arquivar, conservar e oferecer informações para desenvolvimento da cultura ordinária. A biblioteca espírita, entretanto, deve ser ambiente intocável, e muito mais do que isso, deve ser um templo abençoado para abrigar as obras ajuizadas e consagradas universalmente pelos Benfeitores Espirituais. A primeira propõe aclarar o intelecto, mas a segunda necessita alumiar a mente e potencializar o coração do homem.
Não podemos permitir que as instituições espíritas sejam transformadas em picadeiros, inobstante seja a “comédia o inverso da tragédia”(10), porém, na retaguarda do malfeitor campeia o bufão (protagonista do circo), e “os falsos devotos têm por acólitos seres ineptos, que só agem por imitação: à maneira dos espelhos, refletem a fisionomia de seus vizinhos. Tomam-se a sério, enganam-se a si próprios; a timidez os faz zombar daquilo em que não acreditam, exaltam o que duvidam, comungam com ostentação e acendem às escondidas pequenas velas, às quais atribuem muito mais virtude do que a transformação moral.”(11)
Os espíritas desleais são os verdadeiros descrentes da equidade, da esperança, da Natureza e de Deus; recusam o bom senso e afiançam o fanatismo. A desencarnação, porém, os arrastará encharcados de águas de cheiro e cobertos de ouropéis, que hoje os disfarçam entre os homens.
Pelo exposto, é inadmissível ficarmos temerosos de sermos classificados de anacrônicos, conservadores ou até mesmo clericais. Depende de todos nós melhorar a qualidade das práticas doutrinárias e cada qual deve fazer a sua parte. É importante sermos inexoráveis para blindar ininterruptamente a Doutrina Espírita contra os títeres das trevas (conhecidos como falsos profetas da atualidade), que tapeiam quais concessionários das Trevas. Contra eles devemos nos insurgir, a fim de expor o Espiritismo como Doutrina ajuizada, sublime e incorruptível.

Jorge Hessen

Referências:
(1)    Divaldo P. Franco, http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/02/opiniao-do-divaldo-franco-sobre.html , acessado em 24/02/2013
(2)    Raul Teixeira  http://tanialeimig-espiritismo.blogspot.com.br/search?updated-min=2013-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2014-01-01T00:00:00-08:00&max-results=4 , acessado em 23/02/2013
(3)    idem
(4)    idem
(5)    Divaldo P. Franco, http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/02/opiniao-do-divaldo-franco-sobre.html , acessado em 24/02/2013
(6)    idem
(7)    idem
(8)    Raul Teixeira  http://tanialeimig-espiritismo.blogspot.com.br/search?updated-min=2013-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2014-01-01T00:00:00-08:00&max-results=4 , acessado em 23/02/2013
(9)    idem
(10)    Kardec, Allan. Revista Espirita/outubro de 1863 , mensagem ditada pelo Espírito Delphine de Girardin, disponível em   http://www.sistemas.febnet.org.br/site/indiceGeralDeRevistas/verArtigo.php?CodArtigo=575&Palavra=B%EDblia , acessado em 25/02/2013
(11)    idem

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29 Comments to “DILÚVIO DE LIVROS “ESPÍRITAS” DELIRANTES”

  1. Muito interessante a matéria. Precisa ser mais divulgada. Parabéns!

  2. Fabio Nogueira diz:

    Boa Noite, Jorge!

    Parabéns pelo texto! Gosto de Ler Livros Espíritas, mas como faço para identificar um bom livro Espírita, que seja comprometido com a verdade quando vou a uma livraria em busca de um livro?

  3. Domingos Divino. diz:

    Prezado Amigo Jorge, ainda Bem que temos você para alertar os que teimam em não sair de vez do seu Pseudo conforto, continuando a acender uma ” vela pra Deus e outra para o diabo”, e o pior é que na verdade isto é publico e notório e tem um monte de “Instituições espiritas” que corroboram com tudo isto, este é um dos principais que atualmente não estou fazendo parte de nenhuma instituição Espirita.

  4. Antonio diz:

    Olá, Jorge. Você tocou em um ponto importante e de difícil solução. Afinal, quem teria o poder de selecionar estas obras? Hoje o apelo comercial em torno desta literatura mediúnica é muito forte. A ponto de alguns médiuns abrirem suas próprias editoras para publicar seus trabalhos e de outros médiuns. E a obrigação de escrever e fazer a máquina girar faz com que mais romances cheguem às prateleiras e com temas cada vez mais estranhos e apelativos. Dragões, obsessão por chip, fabricação de clones espirituais, cordões energéticos são algumas das novidades criadas e que ajudam a vender mais livros e workshops. Fora que de 10 livros, 9 têm que mencionar na história alguma intervenção de Bezerra de Menezes… Por essa desconfiança é que eu fico nas obras mais doutrinárias, como as de Kardec e Léon Denis, e nos clássicos, como os de Chico Xavier e Yvonne Pereira, pois sabemos que esta turma não só psicografava realmente (e não como hoje que se usa e abusa da ‘intuição’) como ainda cediam os direitos autorais. Abraços e continue a manter este importante espaço de reflexão.

  5. Júnior Régis diz:

    ROUSTAING – O JOIO DO TRIGO
    Caros irmãos, nós do MEK- Movimento Estude Kardec, viemos até vocês trazer a verdade sobre Roustaing. Roustang não é Espiritismo. Kardec já nos alertou, está na Revista Espírita do ano de 1866, leiam tudo e não apenas um trecho editado que os defensores de Roustaing mostram a vocês. Se somos Kardecistas temos que seguir os preceitos das Obras Básicas, se o próprio Kardec e os Espíritos Superiores que o auxiliavam desaprovou a obra de Roustaing porquê vamos aceitar sem ao menos questionar e estudar sobre o assunto?
    Carlos A. Bacelli
    Acho que quase todos conhecem Carlos A. Bacelli, médiun respeitado que trabalhou com Chico Xavier por 25 anos, e escreveu vários livros em parceria com o Chico. Leiam seu último livro No Limiar do Abismo, nesse livro os Espíritos Inácio Ferreira e Dr. Odilon Fernandes nos esclarecem sobre Roustaing, é só ler o livro e ver a verdade.
    João Nunez Maia
    Outro médiun conhecido e de grande respeito e credibilidade. Foi atravez de João Nunez Maia que o Espírito Miramez nos trouxe as grandes obras Maria de Nazaré e Francisco de Assis, pois bem, leiam Maria de Nazaré, e vejam como foi a gravidez de Maria, o parto e o nascimento do Menino Jesus, não teve nada de aparição, Jesus não teve um corpo fluídico como afirma os livros de Roustaing. Miramez nos conta com detalhes o nascimento do Mestre, é só ler e ver a verdade. O próprio Kardec já havia nos esclarecido sobre o corpo de Jesus, é só ler a Gênese, cap. O desaparecimento do corpo de Jesus.
    J. Herculano Pires
    Espírita dos mais devotados, lutou até a desencarnação e após a desencarnação também contra as teses roustanguistas, escreveu O Verbo e a Carne, obra que veio confirmar o engano que é Roustaing.
    Caibar Schutel
    Um dos pioneiros do Espiritismo, dispensa apresentação. Também contrário as teses roustanguistas, nunca escondeu isso. Sempre fazia questão de desmascarar Roustaing. Leiam o Livro Espiritismo e Protestantismo de Caibar Schutel e o livro Conscientização Espírita de Gélio Lacerda da Silva.
    Os Erros Metodológicos de Roustaing
    O benfeitor espiritual Erasto afirma em “O Livro dos Médiuns” que “É preferível rejeitar dez verdades a aceitar uma única mentira”. Tal assertiva denota prudência e critério para a avaliação de qualquer conteúdo, mais notadamente os que são de origem mediúnica.
    A partir da leitura do prefácio de “Os Quatro Evangelhos” é possível constatar os seguintes pontos:
    1) Roustaing superestimou a credibilidade dos textos bíblicos.
    À semelhança de católicos e protestantes, Roustaing considerou a Bíblia “a palavra de Deus” e tentou explicar absolutamente tudo, sem se dar conta de que muito do que está escrito pode não ter acontecido exatamente da maneira como está narrado nos textos bíblicos.
    Reparem que, ao contrário da codificação kardequiana que nasce como ciência, a proposta roustainguista já nasce como religião, pois se trata de uma nova interpretação da Bíblia a partir da velha tese da infalibilidade dos seus textos. Tanto isso é verdade que a própria estruturação da obra “Os Quatro Evangelhos” é baseada nessa submissão aos textos bíblicos. Se a obra em questão foi realmente orientada pelos quatro evangelistas, assistidos pelos apóstolos, que foram as principais e mais preparadas testemunhas oculares dos fatos evangélicos, por que os apóstolos não contaram o que de fato aconteceu diretamente, ao invés de se basearem literalmente no que sobreviveu de registro na Bíblia e que, obviamente, sofreu com quase dois milênios de interpolações, adulterações, traduções grosseiras e outros problemas?!
    2) Roustaing “decidiu” que era necessária uma nova revelação.
    A partir da excessiva valorização dos textos evangélicos, Roustaing diz “…senti a impotência da razão humana para penetrar as trevas da letra e, desde então, a necessidade de uma revelação nova, de uma revelação da revelação”. Note que, a partir de uma premissa equivocada, o próprio Roustaing decidiu que era necessária uma nova revelação, porque, segundo ele mesmo explica no prefácio de sua obra, a codificação explicava muito bem os aspectos morais e doutrinários da Bíblia, mas, em sua opinião, não explicava a figura de Jesus. Ora, decidir sobre a necessidade de uma nova revelação não era tarefa para ele, e nem para nenhum de nós, mas sim trabalho da Providência Divina. Roustaing poderia elaborar o seu trabalho mas daí a defini-lo, aprioristicamente, como a “revelação da revelação” foi um exagero.
    Na mensagem “Meu Sucessor”, em “Obras Póstumas” Kardec indaga sobre o continuador da obra, em função de já se apresentar com a saúde comprometida, e os Espíritos respondem que não era o momento de que o sucessor aparecesse, pois era necessário que a Codificação ficasse acentuadamente centralizada nas mãos dele, Kardec, para que a obra básica tivesse alta homogeneidade. Segundo o professor J. Herculano Pires, o sucessor em questão se trata de Léon Denis, que ainda era muito moço nessa época. Portanto, nenhuma menção a Roustaing ou a qualquer outro trabalho concomitante à codificação, o que é bastante sugestivo para uma obra que se intitula a “revelação da revelação”.
    3)
    3) A Igreja Católica nas análises das obras de Roustaing e Kardec.
    No terceiro tomo da obra “Os Quatro Evangelhos” (p.65) os autores ensinam que o futuro espiritual da humanidade estará focalizado na Igreja Católica e no Papa. Eles afirmam o seguinte: “O chefe da Igreja católica, nessa época em que este qualificativo terá a sua verdadeira significação, pois que ela estará em via de tornar-se universal, como sendo a Igreja do Cristo, o chefe da Igreja católica, dizemos, será um dos principais pilares do edifício. Quando o virdes, cheio de humildade, cingido de uma corda e trazendo na mão o cajado do viajante…”. Esse comentário estranhíssimo, para dizer o mínimo, entra claramente em choque com a opinião dos Espíritos que orientavam Allan Kardec.
    Para citar apenas uma única fonte, basta ler as mensagens registradas em “Obras Póstumas” intituladas “Futuro do Espiritismo” e “A Igreja”. Na primeira o autor espiritual assevera “…cabe-nos retificar os erros da história e apurar a religião do Cristo, transformada, nas mãos dos padres, em comércio e em vil tráfico. Instituirá (o Espiritismo) a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai diretamente a Deus, sem dependência das obras da sotaina ou dos degraus do altar”.
    Na segunda mensagem citada é comentado que “Chegou a hora em que a Igreja deve prestar contas do depósito que lhe foi confiado; do modo como praticou os ensinos do Cristo, do uso que fez da sua autoridade, da incredulidade, enfim, a que arrastou os homens”. Como se não bastasse, o autor ainda é mais peremptório asseverando que “a doutrina espírita é chamada a ferir de morte o papado…” e conclui seu artigo com a seguinte frase “A Igreja atira-se, por si mesma, ao precipício”.
    Essa gigantesca incoerência faz-nos questionar o motivo que levaria o mundo espiritual superior a enviar à Crosta uma terceira e uma quarta revelações se o futuro espiritual da Terra seria guiado pela representante do seu passado, que é a Igreja, com a sua trajetória dominadora, ritualística, inquisidora e obscurantista. Para que Espiritismo como terceira revelação se a Doutrina Espírita discrepa profundamente da Igreja Católica em inumeráveis pontos?
    Por outro lado, as perguntas mais simples e objetivas que surgem são as seguintes: Espíritos de mesma intenção e evolução (supostamente evolvidos intelecto e moralmente) poderiam ensinar conceitos tão discordantes um do outro?! E Roustaing não teria avaliado criticamente o conteúdo da mensagem e suspeitado dessa informação?!

    4) Ao contrário de Kardec, Roustaing utiliza uma única médium.
    Roustaing se isolou com a médium Émilie Collignon, evitando o intercâmbio com trabalhadores mais experientes que poderiam elaborar críticas aos textos e indagações mais exigentes e contundentes aos Espíritos orientadores da obra. Roustaing afirma “Mero instrumento, cumpri um dever executando tal ordem, entregando à publicidade esta obra…”. Roustaing se mostra muito submisso e passivo em relação aos Espíritos que orientam a obra, o que pode ser facilmente constatado em várias passagens do prefácio da sua obra.
    5) Roustaing não avaliou a potencialidade mediúnica e o conteúdo moral de Mme. Collignon.
    Roustaing assevera no prefácio de sua obra: “O trabalho ia ser feito por dois entes que, oito dias atrás, não se conheciam”. Está evidente que Roustaing não avaliou o nível moral de Émilie Collignon e nem sua capacidade mediúnica, pois não a conhecia e em um intervalo de 8 dias começou a obra sem um maior planejamento ou avaliação da viabilidade e dos perigos da empreitada. O critério da avaliação moral do médium é fundamental pois pela sintonia o médium convive predominantemente com os Espíritos que correspondem à sua elevação espiritual. Emmanuel, em sua obra “Roteiro”, é categórico, estabelecendo que “não existe bom médium sem homem bom”. Todo dirigente de reuniões mediúnicas conhece minimamente a complexidade do fenômeno mediúnico e os riscos que procedimento semelhante à atitude de Roustaing pode acarretar.
    6) Roustaing evocou somente Apóstolos e o Precursor João Batista.
    A assertiva conhecida no meio espírita de que “o telefone toca de lá para cá” não foi respeitada por Roustaing. Vale consultar a contundente desaprovação do procedimento de evocação nominal direta, enunciada pelo benfeitor Emmanuel na Questão 369 da obra “O Consolador”. Realmente, há riscos óbvios de Espíritos embusteiros usarem nomes de grandes Espíritos para se fazerem mais respeitáveis e aceitos. Por outro lado, quanto mais evoluído é o Espírito, maior número de grandes responsabilidades ele tem no mundo espiritual, que acabam limitando sua capacidade de atender pessoalmente a todas as evocações.

  6. Júnior Régis diz:

    ESCLARECIMENTO
    AOS MÉDIUNS E ESTUDANTES DO CEFAK
    C/ cópias para:
    Nestor João Mazotti – Presidente da Federação Espírita Brasileira – FEB
    Cezar Moutinho – Presidente da FEDF – Federação Espírita do Distrito Federal
    O ESCLARECIMENTO é sobre o Encontro “Pinga Fogo”, de agosto de 2007
    promovido pela Federação Espírita do DF e presidido pelo seu Presidente, o confrade
    Cezar Moutinho, contando com a presença generalizada de representantes das Casas
    Espíritas do DF, dentre os quais vários do CEFAK.
    Dentre outros assuntos, mais uma vez, a técnica da “corrente ou cadeia magnética
    aplicada na desobsessão”, da qual, em nosso entendimento, ninguém está obrigado a
    gostar ou a aceitar, e muito menos entender, estudar ou aprovar. Naquele encontro, de
    modo imperativo, conclusivo e portanto definitivo, foi considerada como prática
    indesejada, elemento espúrio, sendo até, excluída do Espiritismo.
    Enquanto opinião pessoal, respeitabilíssima! Ainda mais partindo do valoroso
    confrade Dr. José Raul Teixeira. E como opinião pessoal, adota-a quem a apreciou. Mas
    como “pressão da Direção Federativa” para se excluir a “cadeia magnética aplicada à
    desobsessão” dos trabalhos das Casas Espíritas, numa reunião de Unificação,
    consideramos um engano que merece reflexão. Não foi explicado, durante o evento, se o
    que acontecia era uma ou outra coisa.
    Talvez esteja faltando, da parte dos que lideram o Movimento Espírita, penetrar no
    único caminho para qualquer UNIÃO, o entendimento fraternal.
    Recordemos um pouco do que temos estudado de Kardec. Kardec não se postou
    como o Papa do Espiritismo. Sua posição foi a de pesquisador, observador de fatos,
    identificador das leis que regem os fenômenos espíritas e suas aplicações.
    Por exemplo: – Kardec classifica de notável, instrutiva e boa, a maneira de proceder
    da Sociedade Espírita de Bordeaux, que incluía, entre outros procedimentos, a descarga
    fluídica sobre um obsedado para romper o laço fluídico que o ligava ao espírito obsessor,
    utilizando-se da “cadeia magnética” constituída de vários “espíritas”. Isto acontecia no dia
    destinado às sessões de desobsessão, tendo o Codificador do Espiritismo afirmado que a
    melhor prova de que essa maneira é boa, é… que dá resultado! Revista Espírita junho
    1867. Era assim que Kardec observava as práticas dentro do que veio a ser
    chamado de Movimento Espírita.
    Essencialmente, cadeia magnética é técnica de Magnetismo. Magnetismo que
    Kardec comenta formar uma única ciência unida ao Espiritismo (Pergunta 555 LE).
    Vejamos agora o lado prático, para nós do CEFAK, da questão suscitada no Pinga
    Fogo promovido pela Federação do DF. Trabalhando há três décadas com resultados, é-
    nos impossível a obediência cega “aos que não aceitam a corrente”. Desconhecem
    alguns que a desobsessão não está toda contida nos trabalhos da Corrente. A cadeia
    magnética não é a Desobsessão em si, mas simplesmente uma técnica dentro das
    complexas atividades da desobsessão, que inclui dentre outras, a evangelização dos
    pacientes e de seus acompanhantes espirituais, o passe, as preces dirigidas, além demuitos outros cuidados personalizados, em repetidas sessões com acompanhamento
    frequencial. Perseveremos, pois, no CEFAK, confiantes na utilização da cadeia magnética
    em nossos trabalhos, apesar das divergências de opiniões que ela suscita dentro do
    Movimento Espírita.
    É por estarmos conscientes de cultivar o ESTUDO, a PRÁTICA e a DIVULGAÇÃO
    dos Princípios e Leis contidos na Doutrina Espírita, que nós desta Casa acreditamos que,
    nesta questão, devam ser observados os princípios do relacionamento entre Sociedades
    e Federações divulgados pelo CEI – Conselho Espírita Internacional – in “Divulgue o
    Espiritismo” em mais de 20 idiomas:
    – LIBERDADE SEM SUBORDINAÇÃO, INDEPENDÊNCIA e AUTONOMIA,
    sem constrangimentos para as entidades que praticam a cadeia magnética.
    Este esclarecimento é dirigido especialmente aos médiuns e estudantes da
    Doutrina Espírita no CEFAK, para que compreendam que, apesar do ocorrido, as relações
    do CEFAK com a FEDF, de nossa parte, essencialmente, serão sempre cordiais.
    ______________________________
    Gilson de Mendonça Henriques Júnior
    Presidente do CEFAK

    • Desobsessão por corrente magnética. É possível

      CAUCI DE SÁ RORIZ
      De Goiás

      Lemos atentamente o livro “Desobsessão por Corrente Magnética”, volume 1, de autoria do Maurício Neiva Crispim, Editora Auta de Souza, sobre o qual tecemos alguns comentários.
      Preliminarmente, para se restabelecer a verdade, torna-se imperiosa uma retificação. Ao contrário do que o livro afirma, Eurípedes Barsanulfo jamais realizou reuniões de corrente magnética. O saudoso Gilson de Mendonça Henriques, implantador do método em Brasília, quando esteve em Sacramento, na década de 80, foi informado disso pelos parentes diretos de Eurípedes Barsanulfo, dentre eles o sobri-nho, Saulo Wilson, ativo trabalhador da Doutrina. Eurípedes, quando muito, ao orar, permitia que os presentes dessem-se as mãos e nessas ocasiões não havia comunicação de Espíritos nem superiores, nem inferiores, nem tratamento, nem nada que sequer lembre a corrente magnética. Apenas uma doce e sin-gela prece ao Senhor!

      1) A proposta da corrente magnética parte de uma base falsa, qual seja, a de que o Espiritismo exista para “atender, na prática desobsessiva, a um grande número de pessoas” (pág. 19), sendo necessário “desenvolver e aplicar métodos voltados para as multidões” (pág. 88).
      Ora, o trabalho mediúnico, conquanto a sua importância, é apenas uma atividade-meio da Doutrina. Privilegiá-lo dessa forma seria desatender a atividade-fim, a essência da Doutrina, que é conscientizar o homem da necessidade de promover a sua renovação íntima, incentivando-o a tomar a condução de seu destino, sabendo-se responsável por seus atos e pensamentos, como espírito imortal. Daí o imenso esfor-ço empreendido pela Federação Espírita Brasileira no sentido de dotar as Casas Espíritas de bons grupos de evangelização da criança e do jovem e de cursos direcionados aos adultos. O estudo que leva ao pro-gresso intelectual, aliado à prática da caridade ou evangelhoterapia, que conduz à evolução moral, é o ponto central da Doutrina. A reunião mediúnica é um mero adjutório desse objetivo maior e não a peça principal.

      2) Na página 53 consta a informação que “corrente magnética desobsessiva nada mais é que a cor-rente magnética dos magnetizadores”. Não é! A corrente magnética dos magnetizadores visava exclusi-vamente a cura de males físicos. Não havia manifestação mediúnica. A corrente magnética apregoada no livro pretende a desobsessão, com a recepção, ainda que rapidamente, da entidade obsessora. A diferen-ça de métodos e objetivos é absoluta.

      3) O livro informa que Allan Kardec abordou a questão da corrente magnética, mas deixa de escla-recer que o significado do termo dado pelo codificador é completamente diverso do sentido dado pelo livro. Kardec, ao falar de corrente magnética, alude tão-somente à ligação fluídica existente entre os componentes, encarnados e desencarnados, de um grupo mediúnico e não a um método para desobsediar multidões.

      4) Afinal de contas, o que é a corrente magnética versada no livro sob análise?
      Sinteticamente, é um método de trabalho no qual um grupo de 2 a 50 médiuns (pág. 146), às vezes de mãos dadas, às vezes não (pág. 148), colocados próximos uns dos outros 30 a 45 cm (pág 154), atra-em mentalmente os Espíritos imperfeitos que passam pelos médiuns em comunicações rápidas ao tempo em que o coordenador dos trabalhos, pausadamente, diz: “passe, passe, passe…” (pág. 169), determinan-do, depois, a retirada das entidades com as expressões “siga, siga, siga…” (pág. 170). Consta ainda a informação que “as expressões Passe e Siga, ditas pelo dirigente, funcionam como verdadeiros interrup-tores do circuito mediúnico” (pág. 175).

      5) O autor informa: “Não queremos tirar a respeitabilidade dos métodos conhecidos. Queremos é avançar” (pág. 67) e que no decurso de mais de 20 anos já foram beneficiadas 500 mil pessoas (pág. 19). 500 mil O número é espantoso, mas não o colocaremos em dúvida. Uma coisa, porém, é certa, até mesmo para os idealizadores desse método, a sua eficácia consistiria apenas no afastamento temporário do obsessor. Idêntica eficácia têm os métodos geralmente utilizados pela umbanda e pela ultrapassada técnica médica do eletrochoque. Vamos adotá-los Na página 201 do livro está transcrita a recomenda-ção de Manoel P. de Miranda: “somente a radical mudança de comportamento do obsidiado resolve, em definitivo, o problema da obsessão”.
      Pergunta-se: Vale a pena envolver tanta gente, tanto esforço e tanto tempo na esperança de se obter apenas um afastamento temporário do obsessor Isso é avançar Não existiria algo mais efetivo e du-radouro que possamos fazer em prol dos irmãos necessitados

      6) Na página 105 informa-se que o método é o único auxiliar na terapia dos ovóides, porque eles não conseguem escutar a doutrinação verbal. Se é assim, então, não é método para desobsediar as multidões, mas apenas para atender especificamente aos ovóides. Ora, se os ovóides não ouvem a doutrinação verbal, para que as misteriosas palavras passe, passe e siga, siga Ou será que a ordem do coordenador encarnado é para os dirigentes espirituais

      7) A partir da página 136 e repetidamente em outras páginas são relacionados os passos a serem se-guidos pelos adeptos dessa corrente magnética, quais sejam:
      1o passo: Expulsão de remanescentes diários; 2o passo: absorção de energias do plano superior; 3o passo: a união dos pensamentos dos médiuns e dos espíritos coordenadores e, 4o passo: os médiuns, em transes rápidos e seqüencialmente, recepcionam os espíritos e os bombardeiam com forças fluídicas e idéias renovadoras (pág. 437), podendo ocorrer vertigens, tremores, resmungos, gemidos etc. (pág. 455).
      Para apresentar exemplos e informações quanto aos três primeiros passos não houve qualquer difi-culdade. Transcreveram os preciosos esclarecimentos contidos nos livros da Codificação e das obras auxiliares referentes às respeitáveis e conhecidíssimas reuniões mediúnicas de doutrinação, nas quais, ressalte-se, um Espírito se comunica por intermédio de apenas um médium, sob intensa vibração de amor de todos os participantes. Não são novidade para ninguém.
      Na página 450 o autor afirma ser o quarto passo “o que predomina nas ações da corrente magnética”. Então, para bem divulgar essa corrente, obrigatoriamente o livro deveria apresentar dados e explicações convincentes e conclusivas sobre essa fase. Nada disso é feito! As quase 600 páginas do livro limitam-se a repetir exaustivamente os três primeiros passos, já sobejamente conhecidos por todos, deixando de detalhar quanto ao quarto passo, que é, afinal, conforme diz o autor, a essência dessa corrente magnética. Não se penetra o âmago da questão.

      8) Todos sabemos que a ligação do Espírito ao médium freqüentemente é realizada com dias de an-tecedência da reunião, objetivando vencer algumas dificuldades fluídicas entre os dois.
      Seria possível a ocorrência de transes mediúnicos rápidos e seqüenciais em intervalo de 10 segundos, ou menos Como fica a lei da Afinidade e da Sintonia A obrigatoriedade de receber o Espírito não forçaria o médium a simular o transe, passando a gemer como os outros A Doutrina Espírita se baseia no ensino universal dos Espíritos. Não há dúvida quanto a isso. Por que o livro não menciona quais obras e quais Espíritos se pronunciaram de maneira clara e inequívoca sobre o quarto passo, ensinando-nos como ele se processa

      Concluindo: Em respeito ao trabalho de Kardec e dos Espíritos da Codificação, seria bom que evi-tássemos trazer para as nossas Casas Espíritas toda e qualquer novidade que surja. É evidente que nin-guém nos tira o direito, e talvez até o dever, de estudá-las em grupos fechados, reduzidos e específicos para esse fim, pesquisando-as em todas as nuances, ainda que leve mais de 20 anos, a fim de bem assen-tar as bases do trabalho. “Melhor é rejeitar dez verdades do que admitir uma única falsidade” (Erasto, em O Livro dos Médiuns, cap. XX, item 230, 6o parágrafo). Há uma montanha de questionamentos não esclarecidos sobre essa corrente. Os Espíritos ainda não enviaram orientação a respeito. Sejamos pru-dentes! Antes de implantarmos as novidades em nossa Casa, primeiro estudemo-las incansavelmente. Restando uma única dúvida é preferível aguardar o tempo. Melhor assim, do que comprometermos a Doutrina e a nós próprios.

      Nota da Redação – O artigo ora transcrito foi publicado inicialmente na revista O ESPÍRITA, de Brasília-DF, e é aqui reproduzido com expressa autorização do seu Editor.

  7. José Passini diz:

    Caro Jorge,

    Mais uma vez, parabéns pelo artigo lúcido e objetivo. Não podemos parar de combater essa enxurrada maléfica que aparece em forma de livros. Não descansemos e deixemos de lado os complacentes, ou melhor, os coniventes.

    • Mestre Passini,
      Você é o nosso inspirador nessa luta ingente.
      Obrigado, pelas instruções que repassa-nos com extrema lucidez.
      Feliz daquele que consegue sair da própria inércia e merecer atenção de um confrade tão lúcido e de tanta grandeza moral.
      Obrigado, mesmo!
      Abração
      Jorge Hessen

  8. José Passini diz:

    “OS QUATRO EVANGELHOS”

    O Espiritismo, na sua condição de Cristianismo redivivo, não poderia deixar de receber os ataques das forças contrárias ao esclarecimento e libertação do espírito humano. Embora pareça um paradoxo, o volume e a intensidade dos ataques constituem um verdadeiro atestado da legitimidade do Consolador.
    A primeira, e talvez a mais forte das investidas, foi a publicação da obra de J. B. Roustaing, conhecida, em língua portuguesa como “Os Quatro Evangelhos”.
    Na obra “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, Roustaing é citado como pertencente à equipe de Kardec. Há aqueles que contestam a autenticidade de tal afirmativa. Entretanto, sabe-se que todo missionário que vem à Terra traz consigo uma equipe, constituída de Espíritos, trabalhadores de boa vontade, mas sujeitos a falhas. Zamenhof veio à Terra com um grupo de Espíritos, para a implantação do Esperanto. Dentro dessa equipe, houve um Espírito que falhou, traindo mesmo o grande Missionário, a ponto de ser chamado Judas por alguns biógrafos exaltados. E Roustaing, embora tenha reencarnado com tarefa definida junto à obra de Kardec, conforme relato de Humberto de Campos na obra “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, desejou produzir obra própria, tornando-se presa fácil de fascinação. Esse não foi o primeiro, nem o último caso na Humanidade da falência de um Espírito pertencente a um grupo de trabalho. Judas, da equipe de Jesus, falhou redondamente.
    Esses quatro volumes constituem obra fantasiosa, repetitiva, que pretendeu dar nova versão à tese da virgindade de Maria, através de uma pseudo-gravidez, que teria culminado no aparecimento de um bebê fluídico, surgido de um parto fictício, de uma lactação aparente, de um desenvolvimento físico falso e de uma desencarnação enganosa.
    Entretanto, não é a tese do corpo fluídico o ponto mais grave da obra. Há afirmativas que contrariam frontalmente as bases doutrinárias do Espiritismo. Vejamos algumas, dentre muitas:

    Evolução do Espírito:

    Com Kardec, aprende-se que o princípio inteligente percorre, durante milênios incontáveis, as trilhas da evolução, antes de atingir o estágio de humanidade. Aprende-se que a consciência moral que caracteriza o ser humano, libertando-o gradualmente do jugo dos instintos, desabrocha lentamente, revelando a perfeição imanente no Ser:
    607 a. Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação, não?
    “Já não dissemos que tudo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue à da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza.”

    Respondendo a Roustaing, os Espíritos falam numa transformação do instinto em inteligência – num determinado momento – levada a efeito por agentes exteriores e não através do próprio processo evolutivo, o que faz pensar numa espécie de “colação de grau” espiritual. Interessante notar, também, que o Espírito, depois de todas as aquisições individuais retorne ao “todo universal”, onde, certamente, perderia a sua individualidade. Além disso, como teria, um Espírito recém-saído da animalidade ter um perispírito tão sutil a ponto de quase ser invisível aos Espíritos Superiores?
    Como é que, chegado ao período de preparação para entrar na humanidade, na espiritualidade consciente, o Espírito passa desse estado misto, que o separa do animal e o prepara para a vida espiritual, ao estado de Espírito formado, isto é, de individualidade inteligente, livre e responsável?
    “É nesse momento que se prepara a transformação do instinto em inteligência consciente.
    Suficientemente desenvolvido no estado animal, o Espírito é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais é conduzido aos mundos ad hoc, às regiões preparativas, pois que lhe cumpre achar o meio onde elaboram os princípios constitutivos do perispírito. (…) Aí perde a consciência do seu ser, porquanto a influência da matéria tem que se anular no período da estagnação, e cai num estado a que chamaremos, para que nos possais compreender, letargia. Durante esse período, o perispírito, destinado a receber o princípio espiritual, se desenvolve, se constitui ao derredor daquela centelha de verdadeira vida. Toma a princípio uma forma indistinta, depois se aperfeiçoa gradualmente como o gérmen no seio materno e passa por todas as fases do desenvolvimento. Quando o invólucro está pronto para contê-lo, o Espírito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admiração. Nesse ponto, o perispírito é completamente fluídico, mesmo para nós. Tão pálida é a chama que ele encerra, a essência espiritual da vida, que os nossos sentidos, embora sutilíssimos, dificilmente a distinguem.” : (1º vol., pág. 308):

    Respondendo a Kardec, os Espíritos ensinam que o Espírito emerge lentamente da animalidade, das necessidades materiais, através de sucessivas encarnações, que se constituem em oportunidades absolutamente necessárias ao progresso do Espírito.

    609. Uma vez no período da humanidade, conserva o Espírito traços do que era precedentemente, quer dizer: do estado em que se achava no período a que se poderia chamar ante-humano?
    “Conforme a distância que medeie entre os dois períodos e o progresso realizado. Durante algumas gerações, pode ele conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na Natureza por brusca transição. Há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeias dos seres e dos acontecimentos. Aqueles vestígios, porém, se apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos só muito lentamente se efetuam, porque não têm a secundá-los a vontade. Vão em progressão mais rápida à medida que o Espírito adquire mais perfeita consciência de si mesmo.”

    Os Espíritos, respondendo a Roustaing, afirmam que o Espírito só volta à vida material por castigo. Se só é humanizado após a primeira falta, depreende-se que a população da Terra é constituída de Espíritos faltosos:

    (…) para o Espírito formado, que já tem inteligência independente, consciência de suas faculdades, consciência e liberdade dos seus atos, livre-arbítrio e que se encontra no estado de inocência e ignorância, a encarnação, primeiro, em terras primitivas, depois, nos mundos inferiores e superiores, até que haja atingido a perfeição, é uma necessidade e não um castigo?
    “Não; a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo, já o dissemos. E o castigo não pode preceder a culpa.
    O Espírito não é humanizado, também já o explicamos, antes que a primeira falta o tenha sujeitado à encarnação humana. Só então ele é preparado, como igualmente já o mostramos, para lhe sofrer as conseqüências.” (1º vol., pág. 317)

    Em Kardec, aprende-se que o progresso do Espírito é irreversível, o que é racional, pois se não houvesse a irreversibilidade do progresso espiritual não haveria segurança nem estabilidade no Universo.

    118. Podem os Espíritos degenerar?
    “Não; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda.”

    Roustaing admite possa um Espírito que já desempenhou funções elevadas no Mundo Espiritual ser tomado pela inveja, pelo orgulho, etc., o que evidencia uma nova versão para a “queda dos anjos”, conforme a teologia Católica Romana e, também, a Protestante.
    “Já tendo grande poder sobre as regiões inferiores, cujo governo aprenderam a exercer, no sentido de que, sempre sob as vistas dos Espíritos prepostos à missão de educá-los e sob a do protetor especial do planeta de que se trate, aprendem a dirigir a revolução das estações, a regular a fertilidade do solo, a guiar os encarnados, influenciando-os ocultamente, muitos acreditam que só ao merecimento próprio devem o que podem e, desprezando todos os conselhos, caem. É a queda pelo orgulho.
    Outros, por nem sempre compreenderam a ação poderosa de Deus, não admitem haja uma hierarquia espiritual e acusam de injustiça aquele que os criou, porquanto é Deus quem cria, não o esqueçais. Esses os que caem por inveja.
    Até o ateísmo – por mais impossível que pareça – até o ateísmo se manifesta naqueles pobres cegos colocados no centro mesmo da luz. (…) Nesse caso, sobretudo nesse caso, mais severo é o castigo. É um dos casos de primitiva encarnação humana. Preciso se torna que os culpados sintam, no seu interesse, o peso da mão cuja existência não quiseram reconhecer.
    Qualquer que seja a causa da queda, orgulho, inveja ou ateísmo, os que caem, tornando-se, por isso, Espíritos de trevas, são precipitados nos tenebrosos lugares de encarnação humana, conforme o grau de culpabilidade, nas condições impostas pela necessidade de expiar e progredir.” (1º vol., pág. 311)

    Kardec obtém dos Espíritos Superiores resposta que deixa muito claro que o Espírito que atingiu a humanização não retorna jamais às formas animais, o que contraria frontalmente a teoria da Metempsicose:

    612. Poderia encarnar num animal o Espírito que animou o corpo de um homem?
    “Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.”

    Em Roustaing, vê-se que, além de admitir a Metempsicose, afirmam seus interlocutores possa um Espírito voltar à Terra, ou a outros mundos, animando corpos primitivíssimos, como larvas!

    Haveis dito que os Espíritos destinados a ser humanizados, por terem errado muito gravemente, são lançados em terras primitivas, virgens ainda do aparecimento do homem, do reino humano, mas preparadas e prontas para essas encarnações e que aí encarnam em substâncias humanas, às quais não se pode dar propriamente o nome de corpos, nas condições de macho e fêmea, aptos para a procriação e para a reprodução. Quais as condições dessas substâncias humanas?
    “São corpos ainda rudimentares. O homem aporta a essas terras no estado de esboço, como tudo que se forma nas terras primitivas. O macho e a fêmea não são nem desenvolvidos, nem fortes, nem inteligentes.
    Mal se arrastando nos seus grosseiros invólucros, vivem, como os animais, do que encontram no solo e lhes convenha.
    As árvores e o terreno produzem abundantemente para a nutrição de cada espécie. Os animais carnívoros não os caçam. A providência do Senhor vela pela conservação de todos. Seus únicos instintos são os da alimentação e os da reprodução.
    Não poderíamos compará-los melhor do que a criptógamos carnudos. Poderíeis formar idéia da criação humana, estudando essas larvas informes que vegetam em certas plantas, particularmente nos lírios.” (págs. 312 / 313)

    Autenticidade da Encarnação de Jesus:

    Kardec mostra Jesus como o modelo mais perfeito para a evolução humana, logo, o seu corpo deveria ter a mesma constituição do corpo daqueles aos quais ele deveria servir de modelo, e seu testemunho basear-se na verdade.

    625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?
    “Jesus.”

    624. Qual o caráter do verdadeiro profeta?
    “O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Impossível é que Deus se sirva da boca do mentiroso para a ensinar a verdade.”

    Roustaing mostra um Jesus que estaria fingindo estar encarnado, desde o seu nascimento até a sua morte, que teria sido também um simulacro, uma verdadeira encenação teatral. Além do mais, ainda o chama de um Deus milagrosamente encarnado! (1º vol., págs. 242 / 243)
    “(…) um homem tal como vós quanto ao invólucro corporal e, ao mesmo tempo, quanto ao Espírito, um Deus: portanto, um homem-Deus. (pág. 242)

    Kardec afirma categoricamente que Jesus teve um corpo carnal e um corpo fluídico, como todos encarnados temos: (A Gênese, cap. XV, itens 65 e 66)
    “A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro, desde a sua concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias de sua vida, revela caracteres inequívocos de corporeidade. (…) também forçoso é se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente.”
    “Aos fatos materiais juntam-se fortíssimas considerações morais.
    Se as condições de Jesus, durante sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido, é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação. (…) e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um homem simplesmente honesto, indigna, portanto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra, ele teria abusado da boa fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Tais as conseqüências lógicas desse sistema, conseqüências inadmissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem.
    Jesus teve, pois, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência.”

    625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?
    “Jesus.”

    Roustaing mostra um Jesus que estaria fingindo estar encarnado, que fingia alimentar-se, desde o seu nascimento. (1º vol, págs. 243, 362 e 363)
    “Quando Maria, sendo Jesus, na aparência, pequenino, lhe dava o seio – o leite era desviado pelos Espíritos superiores que o cercavam, de um modo bem simples: em vez de ser sorvido pelo menino, que dele não precisava, era restituído à massa do sangue por uma ação fluídica, que se exercia sobre Maria, inconsciente dela.” (pág. 243)
    “Os Espíritos superiores que o cercavam em número, para vós, incalculável, todos submissos à sua vontade, seus dedicados auxiliares, faziam desaparecer os alimentos que lhe eram apresentados e que não tinha para ele utilidade. Aqueles Espíritos os subtraiam da vista dos homens, de modo a lhes causar completa ilusão, à medida que pareciam ser ingeridos por Jesus, cobrindo-os, para esse fim, de fluidos que os tornavam invisíveis.”

    Aparição de Moisés e Elias:
    Inegavelmente, as afirmações mais claras a respeito da reencarnação, contidas no Novo Testamento, encontram-se nos Evangelhos de Mateus (17: 10-13) e de Marcos (9: 11), onde se lê que Jesus dialogou com Moisés e Elias no Tabor, diante dos discípulos Pedro, Tiago e João. Questionado quanto à identidade de Elias, o Mestre afirma categoricamente que João Batista foi a reencarnação do Profeta Elias.
    Em Roustaing, de maneira fantasiosa e completamente inverossímil, numa tentativa de desacreditar a reencarnação, misturando fatos e fantasias, é declarado que Moisés, Elias e, consequentemente, João Batista são o mesmo Espírito, e que ali, no Monte Tabor, um outro Espírito tomou a aparência de Moisés e conversou com Jesus:
    “O que, porém, Jesus naquela ocasião não podia nem devia dizer e que agora tem que ser dito é o seguinte: Moisés – Elias – João Batista – são uma mesma e única entidade. Estamos incumbidos de vos revelar isso, porque chegou o tempo em que se tem de “realizar” a “nova aliança”, em que todos os homens (Judeus e Gentios) se têm que abrigar debaixo de uma só crença, da crença – em um Deus, uno, único, indivisível, Criador incriado, eterno, único eterno: o Pai; em Jesus-Cristo, vosso protetor, vosso governador, vosso mestre: o Filho; nos Espíritos do Senhor, Espíritos puros, Espíritos superiores, bons Espíritos que, sob a direção do Cristo, trabalham pelo progresso do vosso planeta e da sua humanidade: o Espírito Santo. (2º vol., págs 497 / 498)
    A obra é volumosa, pesada, extremamente repetitiva, escrita em tom catedrático, pretensioso, que nos remete diretamente a “O Livro dos Espíritos”, item 104, no magistral estudo que o Codificador faz a respeito da “Escala Espírita”, quando se refere aos Espíritos pseudo-sábios. São Espíritos pertencentes a comunidades espirituais que teimam em manter erros doutrinários relativamente à interpretação da Mensagem Cristã, para as quais o Espiritismo representa grande perigo por esclarecer a Humanidade.
    A respeito desses Espíritos, Emmanuel faz séria advertência, que serve também como alertamento, diante dessa verdadeira “onda editorial” que está alimentando a vaidade de médiuns invigilantes e enriquecendo editoras: “As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.” (“A Caminho da Luz,” cap. 12),
    Felizmente, a onda de roustainguismo está passando. Mas como existem ainda muitos volumes dessa obra em bibliotecas e livrarias, animamo-nos a fazer estas anotações.

    José Passini
    Juiz de Fora – MG
    passinijose@yahoo.com.br

  9. Meu caro irmão Jorge Hessen, parabéns pela a matéria sobre os Livros não espiritas; compartilho com tigo em nº, gênero, e grau, outra coisa que eu gostaria de saber sua opinião, é sobre o movimento que está surgindo sobre músicas espiritas que hoje esta sendo aderido por algumas casas espiritas
    Inclusive já fiz um contato com tigo tempos atras sobre este assunto.
    fico perplexo em ver atualmente tantos penduricalhos sendo sugeridos por alguns que se dizem espiritas á aderi-los a pureza desta doutrina

    • Caro Miguelzinho,
      Muito agradecido pelo comentário.
      Sobre as novidades musicais, acredito que a arte deve ser uma manifestação de ideais sublimes, por isso, a música, o teatro, a dança etc sempre será bem vinda nos recintos espíritas desde que não seja instrumento exclusivo de endeusamentos pessoais e mercantilização doutrinária.
      Toda cautela é necessária, pois.
      Forte abraço
      Jorge Hessen

  10. Carmen diz:

    Prezado sr Jorge Hessen,
    faço parte de um grupo de estudos das obras de Andre Luiz que já se reúne há 12 anos. Estamos , atualmente, estudando Missionários da Luz, Paralelamente ao estudo das obras do referido autor espiritual, desenvolvemos outras atividades tais como seminários, pesquisas, etc. Atualmente estamos com uma atividade destinada a analisar livros que fazem parte deste dilúvio, que o sr bem mencionou. Lendo seu texto, chamou a atenção o exemplo dado de uma obra que traz informação de que mulheres desencarnadas, menstruam. Não dá nem p/ discutir, não é mesmo? rsrsrs Qual o nome da obra, e autor? Seria interessante levá-la para esta atividade, de análise , da qual falei.
    Agredeço a tenção.
    Abçs
    Carmen

  11. Senhor Jorge!

    Gostei muito do seu post. Posso divulgá-lo em meu Blog( http://www.tanialeimig-espiritismo.com.br)?
    Citarei a fonte. Obrigada.

  12. Ronaldo Sena diz:

    Allan Kardec, Leon Denis, Cammile Flammarion, Gabriel Delane entre outros, são a fonte para o entendimento correto da Doutrina Espírita. Recomendo-os..

    Abraço

  13. Mensagem de Raquel – acamariaa@hotmail.com

    Ola, queria deixar um desabafo sobre o meu contato com a doutrina espirita e fazer um relato do que aconteceu comigo e deve acontecer com os muitos novatos como eu do espiritismo
    No acervo da biblioteca municipal de minha cidade tem uma parte destinada aos livros espiritas
    Ao passar por ela inumeras vezes, senti uma vontade tamanha em entender o que poderia haver escritos nestes inumeros livros
    Por sorte ou por intuição do bem, meu primeiro contato foi com os livros de André Luiz, a sensação que tive ao ler Nosso Lar foi de uma cortina negra sendo afastada dos meus olhos, e um mundo novo sendo mostrado em minha vida, minha emoção foi tamanha, minha alegria foi tanta que eu acho que em 2 meses li a obra inteira de André Luiz.
    E a cada livro um conhecimento a mais
    Ao termino de todos os livros de Andre, novamente por sorte ou intuição comecei a ler os livros de Emmanuel, depois Joanna de Angelis e depois fazendo o caminho inverso de todos os espritas é que li os livros de Kardec
    O que quero dizer com isso, sou uma leitora que sem instrução sobre o espiritismo foi atraves de seus livros de luz que comecei a entender e com enorme alegria um mundo novo se formou para mim
    O meu desabafo é que depois de feita estas leituras eu comecei a pegar livros de outros autores, e o meu choque ao ler foi imenso e de uma decepção tão grande peguei livros intitulados espiritas com palavras baixas, com piadas, gozações de outras religiões, livros sobre aborto de anencefalos, livros com entendimento sensual,minha decepção esta sendo tao grande com estes novos livros que preciso desabafar
    Não existe um filtro de livros espiritas? sera que eles serao assim comercializados sem nenhuma orientação que o conteudo não é de espiritos de luz?
    Eu como iniciante consegui achar o que é a literatura boa da ruim pq tive a sorte de me iniciar com os espiritos de Scol, e se eu tivesse iniciado a leitura com estes autores? que visão teria da doutrina?
    Pessoas de bem, pessoas que estão ligados a FEB por favor vcs precisam fazer alguma coisa, não se pode deixar livros assim serem comercializados sobre o titulo do espiritismo, vcs precisam ajudar pessoas como nós a serrem bem orientados
    Sei que é dificil, nao é tão simples assim, mas eu gostaria de ir na biblioteca e ter em mãos uma lista de livros de luz
    É um pedido que eu faço, mas garanto que muitos de nós leitores iniciantes estamos passando
    Meu Deus e este Carlos A. Baccelli ? que livros são estes? como pode? alguem precisa fazer alguma coisa, deve ter escrito em algum lugar seja na internet, seja nas portas de livrarias de que Carlos A. Baccelli não representa o espiritismo
    É um desabafo me perdoe, mas estou triste com as coisas que ando lendo, e por nao ter em maos um filtro de livros que seguem a luz da doutrina, obrigada

  14. Carlos L. Stumpo diz:

    “Seu” Jorge,

    “Mata a cobra e mostra o pau”, diz o ditado popular. Academicamente solicito: seja pontual!
    Concordo com a sua tese de que os livros espiritas precisam ser cuidadosamente selecionados para evitar a fraude, mas o que é autentico e o que é falso? Quem terá estrutura para definir e apontar? nós não estaríamos, na realidade, tratando aqui de uma “disputa de poder” ?
    Tudo o que Kardec deixou para nós foi sendo comprovado no decorrer do tempo, mas, mais de cem anos se passaram e, como a inevitável evolução acontece aqui embaixo, os nossos conceitos e diretrizes do Espiritismo também precisam evoluiram, mas estão soltos.
    Grato Kardec pela luz, era o que precisávamos, foi o início, mas agora é preciso atualizar e constatar todo o detalhamento sobre as suas obras, portanto, temos o dever de receber, analisar, avaliar e formar o conceito que, espero, seja um só para todos, portanto, negada a tese tradicionalista e conservacionista. Seja pontual irmão.

    • Em verdade o tema está posto com fundamentos nas fontes consagradas citadas no texto. Os que tiverem olhos de olhar certamente verão, os que tiverem ouvidos para ouvir por certo ouvirão, portanto , a cada um segundo seus merecimentos. As boas obras chegarão sempre nas boas mãos que a mereçam….obviamente a má literatura da mesma forma chegará nas mãos dos que não0 mereçam coisas melhores. É da Lei.

  15. Leni diz:

    Jorje e Passini, seria bom que se voce tivessem tempo de fazer uma análise de cada livro, eu por ex. acredito que há muitas discrepancias nos livros da Zíbia, do Luiz Sergio e muitos outros.

    Tem um livro do Luiz Sergio que acontece um parto no plano espiritual.

    Os da Zibia parece mais um romance ou novela que ela mistura espiritismo com outras coisas e no final todossão felizes para sempre. Obviamente a vida não é esse mar de rosas que ela encerra seu livros.

  16. Sergio diz:

    Os Miosotis voltam a florir de Luz Sérgio, o médium passista sai passando mal após o passe. A substância tóxica intoxica o médium

  17. Marcy diz:

    Gostaria de perguntar se os livros de Miramez são considerados pela Federação Espírita Brasileira. Sendo nao a resposta por que?

    • Os livros de Miramez não são publicados pela editora FEB. Tais obras são passíveis de análise mais profunda, pois eu particularmente não sou leitor de Miramez. Suas obras não me servem de fonte (questão de foro íntimo) são discutíveis doutrinariamente. Há obras mais interessantes e com melhor conteúdo. Mas o Espiritismo e nem a FEB proíbem nada. Cada um lê o que quiser e constrói o edifício cultural pelas obras elencadas para leitura. Se pedir-me sugestão sugiro As obras de André Luiz e Emmanuel (Chico Xavier) as obras de Ivone Pereira e outras não muitas…..

  18. Concordo em quase tudo que aqui se coloca quanto à necessidade de estudos para reconhecer as verdadeiras obras espíritas, abrindo espaço para crítica de obras mistificadoras, ou equivocadas que sejam pseudamente ditas espíritas. Quando se trata especificamente das livrarias espíritas tambem concordo que não devemos divulgar obras que não trazem sinais claros de honestidade e fidelidade mediunica à Doutrina Espírita. No caso das bibliotecas da casa espírita, por outro lado, acredito que não é devemos criar a figura do censor, do revisor da “pureza doutrinária”. Acho que não devemos apenas abrigar obras que insinuam a prática de crimes, intolerancias, fanatismos radicais, extremismos, além da apologia do uso de drogas, perversões sexuais e outros assuntos que degradam a condição moral e, portanto, não promovem a alma humana no seu evoluir para a luz, para o bem, para o amor. Quanto às obras ditas espíritas acho que precisamos de alguns cuidados para não repetirmos, de forma preconceituosa, os tempos infelizes das censuras e proibições. Ainda na questão da biblioteca, o ideal seria ter um grupo administrador que, a partir de sólidos conhecimentos espíritas, pudesse colocar identificações na catalogação das obras do acervo. Seria mais ou menos assim: OBRAS ESPÍRITAS CLÁSSICAS (as que possuem o consenso de serem espíritas de verdade); OBRAS SIMPÁTICAS AO ESPIRITISMO (aquelas abordam temas do espiritismo, mas que ainda sofrem algum restrição quanto à consonância doutrinária com os postulados espíritas); OBRAS ESPIRITUALISTAS (aquelas que podem até serem contrárias ao espiritismo, mas possuem valor para os estudiosos e pesquisadores). Poderíamos até ampliar essas classificações, mas, à princípio, já poderiam auxiliar aos que frequentam a biblioteca saber que determinado livro é reconhecidamente espírita ou não. Esse era o pensamento de Allan Kardec quando criou a biblioteca da SPPE. Lá havia tanto obras espíritas, como espiritualistas e até obras CONTRÁRIAS ao espiritismo.

  19. Se fossemos levar aos extremos a censura e impedimento de evitar livros com erros doutrinários nas bibliotecas espíritas, muitos livros de editoras tradicionais e até de médiuns famosos do movimento espírita, muita coisa deveria ser interditada. O que devemos fazer (e os espíritas numa atitude hipócrita não o fazem) seria, além de abordar os possíveis erros desssas obras em palestras públicas nas casas espíritas, termos publicações em revistas, blogs e sites, etc, onde fossem analisadas, literária e doutrinariamente, as obras que circulam no movimento e, a partir, de conhecimentos abalizados, denunciar os possíveis erros, as mistificações.

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