DINHEIRO E (IN) FELICIDADE, NUMA BREVE PONDERAÇÃO ESPÍRITA

Ago 7th, 2013 | By | Category: Artigos

dinheiroSigmund Freud defendia a tese de que todo homem é instigado pela busca da felicidade, contudo essa procura soa como ilusória no mundo real, porquanto a pessoa tem experiências de fracassos e desencantos e o máximo que pode alcançar é uma “felicidade” ilusória. Contrastando porém com a tese freudiana, um grupo de consultores da Spectrem Group entrevistou 1.200 pessoas, interrogando-as sobre o nível de felicidade em relação a trabalho, casamento, hobbies, dinheiro entre outros temas. Constatou-se que quanto mais dinheiro possua uma pessoa maiores são os seus níveis de felicidade. (1) Todavia, será que o dinheiro compra a felicidade?

Na antiguidade examinava-se a felicidade sob o ponto de vista filosófico. Aristóteles afirmava que a felicidade está relacionada ao equilíbrio e harmonia advindos da prática do altruísmo. Por outro lado, Epicuro afiançava que felicidade seria reflexo da satisfação dos desejos carnais. O sábio Lao Tsé dizia que a felicidade poderia ser alcançada tendo como fonte a natureza. Porém, Confúcio acreditava na felicidade como resultado da harmonia entre as pessoas. Para Sócrates era impraticável alguém ser feliz se agisse contra suas próprias convicções.

“Conhece-te a ti mesmo”, pronunciava Sócrates, certificando que quem controla os instintos e extingue as coisas supérfluas, basta a si mesmo, dependendo exclusivamente de sua razão para que alcance a felicidade. Dessa percepção de consciência íntima, o mestre de Platão e Xenofonte aprofundava a sua concepção de felicidade, que não poderia vir de bens exteriores (dinheiro, por exemplo) e do corpo carnal, mas somente da alma, porque esta é a essência do homem.

É absolutamente lógico que necessitamos do dinheiro para viver. A nossa vida material está sujeita ao dinheiro, portanto necessitamos de recursos financeiros para dignificar nossa vida. Em verdade, o dinheiro é neutro – nem é bom, nem é mau em si. Utilizado para caridade, dinheiro é instrumento sublime. Porém, cobiçado, ou se dele fizermos mau uso, é instrumento de INFELICIDADE. Sem o altruísmo do desprendimento, “a fé se resume à adoração sem proveito; a esperança não passa de flor incapaz de frutescência, e a própria caridade se circunscreve a um jogo de palavras brilhantes, em torno do qual os nus e os famintos, os necessitados e os enfermos costumam parecer, pronunciando maldições.” (2)

Na parábola dos talentos, Jesus expõe que lucro, longe de ser mau, é o alvo de trabalho e investimentos. Ao mesmo tempo, nos ensina que o que se ganha deve ser usado para os propósitos do bem. Na metáfora, a condenação cai sobre o homem que não aproveita sua oportunidade – dinheiro é para usar, não para esconder ou guardar. É como o sangue que precisa circular no organismo social. Se ficar estagnado, provoca a “trombose” na sociedade.

O Espírito Emmanuel explica que o dinheiro “se faz dínamo do trabalho e da beneficência. Na base do dinheiro é que se fazem os aviões e os arranha-céus; no entanto, é igualmente com ele que se consegue o lençol para o doente desamparado ou a xícara de leite para a criança desvalida.” (3) Ora, trocando o dinheiro pelo alimento destinado a acudir as vítimas da escassez ou “permutando-o pelo frasco de remédio para aliviar o doente estendido nos catres de ninguém, reconheceremos que o dinheiro também é de Deus.” (4)

Embora não seja fundamentalmente a matriz da alegria ou da felicidade, reconhecemos que o dinheiro pode ser o medicamento ao enfermo, a comida aos desamparados, o teto aos desabrigados relegados ao frio da noite, o socorro silencioso ao peregrino sem lar. “Não nos esqueçamos de que Jesus abençoou o vintém da viúva, no tesouro público do Templo e, empregando o dinheiro para o bem, convertamo-lo em colaborador do Céu em todas as situações e dificuldades da Terra.” (5)

Jamais pronunciemos que o dinheiro é instrumento do mal; muito pelo contrário, pois o dinheiro é suor convertido em cifrão. É urgente que lhe apliquemos empregos nobres, lembrando que a moeda no bem faz prodígios de amor. Porém, vale refletir o preceito de Paulo: “tendo sustento e com o que nos cobrirmos, estejamos, com isso, contentes”. (6) Essa lição deve ser sempre ponderada quando nos faltam recursos financeiros. A circulação do dinheiro é uma condição importante para que a prosperidade apareça. Porém, raros são os indivíduos que mantêm uma relação equilibrada com o dinheiro, sem traumas, sem culpas, sem excessos de qualquer natureza.

Dinheiro e avareza não se deveriam misturar, pois os avarentos não gostam de “meter a mão no bolso” e, quase sempre, deixam de colaborar, financeiramente, com as obras sociais. Há muitos confrades espíritas, ativos participantes nos trabalhos das inúmeras Instituições doutrinárias espalhadas pelo Brasil que mudam de assunto tão logo o apelo que lhes são dirigidos implique na emissão de um cheque ou na entrega de algumas cédulas para socorrer os mais necessitados.

Tais confrades escravizam-se na vocação da sovinice impenitente, recolhem o ouro do mundo para erigir com ele o túmulo suntuoso em que se lhes sepultam a esperança e recebem a benção do amor para transformá-la na algema que os encarceram, por vezes, no purgatório do sofrimento.

O dinheiro “nas garras da mesquinhez é metal enferrujado, suscitando a penúria, mas um vintém no serviço de Jesus pode converter-se em promissora sementeira de paz e felicidade.” (7) Entretanto, infelizmente há cristãos apresentando claros sinais de uma vida confortável, portando-se como se não tivessem a mínima condição de ajudar o próximo através da doação do supérfluo de moedas que abarrotam suas contas bancárias. Nesse caso, o dinheiro estabelece vínculos profundos com a própria INFELICIDADE.

Jorge Hessen

http://aluznamente.com.br

Referências bibliográficas:

(1) http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201302281308_TRR_82043663

(2) Xavier, Francisco Cândido. Dinheiro, ditado pelo Espírito Emanuel, SP: IDE, 1990

(3) Idem

(4) Idem

(5) Idem

(6) ITimóteo 6:8

(7) Xavier, Francisco Cândido. Dinheiro, ditado pelo Espírito Emanuel, SP: IDE, 1990

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5 Comments to “DINHEIRO E (IN) FELICIDADE, NUMA BREVE PONDERAÇÃO ESPÍRITA”

  1. A relação com o dinheiro é mesmo curiosa. Acho que denuncia muito o nosso egoísmo.
    E interessante é a reação daquele cristão, ainda mais o espírita, que muda de assunto quando se trata de tirar do próprio bolso para dar uma ajuda a alguém mais necessitado. Nesse caso, é curiosa a conduta do discurso em prol da fraternidade, mas que sucumbe no momento da prática.
    Falar nisso, ontem recebi um e-Mail de uma colega do Rio, cuja prima está rifando uma motocicleta para levantar dinheiro para tratar o seu câncer. E, lógico, tratei de comprar não um, mas três cotas. E disse pra ela: não que eu queira exatamente ganhar uma moto, mas espero estar ajudando no propósito de uma irmão que precisa se tratar de uma doença. Na verdade, Jorge, eu queria poder fazer algo bem maior que isso. Já me ocorreu até (várias vezes) ganhar na Mega Sena uma boa bolada e construir um espaço e um programa para educar e ensinar uma profissão a meninos de rua – os mais desvalidos. Afinal, dinheiro serve pra isso, não é? – “Caixão não tem gaveta” – daqui não se leva nada disso. Acho que felicidade é um estado da alma que se sente satisfeita com o que considera satisfatório para viver em paz. Nesse caso, o dinheiro deve ter serventia para o que de fato precisamos; o problema é querer ir além, nos supérfluos que não nos acrescentam dignidade – TER em detrimento de SER – eis um caminho para a infelicidade.
    Geraldo Magela Miranda

    Abração pra você, irmão.

  2. Pedro Ilho diz:

    O dinheiro é uma faca de dois gumes, ele tanto pode salvar vidas como também nas mãos de pessoas inescrupulosas, ambiciosas, egoístas, pode acabar com vidas; tudo é questão de saber lidar com o dinheiro. O dinheiro compra bens materiais mas não compra a felicidade, compra a cama mas não compra o sono, o bem estar. O dinheiro compra até remédios, mas não compra a saúde. Ocorre um fato interessante com o dinheiro, o mesmo dinheiro que foi motivo de escândalos, e até de mortes; mais adiante esse mesmo dinheiro serve para comprar comida e matar a fome de alguém, é o caso do produto do latrocínio. Então é preciso sermos desgarrados das coisas materiais deste mundo, usarmos somente o estritamente necessário para viver, mas para isso precisamos ser mais evoluídos assim como o Chico Xavier foi. Um dia chegamos lá. Abraços a todos.

  3. Hélio Carneiro diz:

    Execelente artigo sobre o dinheiro. Lendo o evangelho de Jesus, ele já diz tudo “é mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha do que um rico se salvar”. Se fizermos reflexões sobre esta frase, podemos tirar as nossas próprias conclusões sobre o uso do dinheiro – que realmente pode salvar como matar vidas – fazer caridade e deixar de fazer caridade.
    Muita paz e muita luz para todos
    Hélio Carneiro

  4. Regina Ribeiro diz:

    Como tudo na vida , o dinheiro é mais um instrumento de aprendizado. Mais ou menos dificil conforme o grau de evolução do aluno. No mais, acredito que esperar esta ou aquela quantia, como esta ou aquele estágio da vida ( como aposentadoria) , ou saúde , ou idade para iniciarmos e nos mantermos na nossa tarefa diária de agir no Bem sem olhar a quem,é um tanto temerário, porque não sabemos o dia em que retornaremos ao Mundo Espiritual e com isso, teremos a sensação amarga de tempo e recursos perdidos…. meus votos de muita Luz e Amor a todos….

  5. Celso Silva diz:

    Olha, desde 15 anos sonho em ter dinheiro atraves de sorte em loterias. Joguei e ainda jogo mas parece que essa sorte nao me contempla. Mas tambem nao estudei o bastante para tal e hoje me vejo casado e pai de um filho cadeirante que padece pela falta dele. Agora, ja caminhando para terceira idade, vejo que nao ha criterio para sofrimento pela falta do dinheiro pois se ele “salva”, esse salvamento parece ter cartas marcadas. Depois da saude, NAO HA nada melhor que o dinheiro. Nada!

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