GUERRAS E RUMORES DE GUERRAS

Mar 3rd, 2012 | By | Category: Artigos
 No dia 25 de maio de 1982, o Skyhawk, um caça-bombardeiro da Força Aérea Argentina, pilotado por Mariano Velasco, investiu contra uma embarcação militar inglesa deixando um saldo de 19 mortos. Dois dias após, o também Skyhawk pilotado por Velasco foi abatido no Estreito de São Carlos, arquipélago no Atlântico Sul, por Neil Wilkinson, artilheiro antiaéreo no navio de combate HMS Intrepid da Inglaterra. O argentino sobreviveu ao saltar de pára-quedas poucos minutos após ser atingido.
Quase três décadas após o fim do confronto entre Argentina e Grã-Bretanha pelas ilhas Malvinas(1), os dois ex-inimigos de guerra viveram um encontro emocionante. “Meglio tardi che mai.” Como diz o provérbio italiano (“Antes tarde do que nunca”), Mariano Velasco recebeu em sua casa na província de Córdoba, para um magnificente banquete, o veterano artilheiro inglês Neil Wilkinson. Atualmente, são amigos e se correspondem com certa frequência por e-mail, Facebook ou Skype.
O episódio inevitavelmente nos remete para reflexões sobre a guerra. Qual a base lógica que justifica uma guerra? Os Benfeitores do Além admoestam que a guerra é a “predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões”.(2) No transcurso da guerra, predominou entre Velasco e Wilkinson a índole selvagem sobre a espiritual. Hoje, 30 anos depois, a situação é inversa entre os dois ex-combatentes inimigos do front de batalha. Infelizmente, o “caso Velasco / Wilkinson” é uma raríssima exceção, pois nem sempre esse é o desfecho entre ex-inimigos de guerra.
Combates militares existem há mais de 5 mil anos, desde os primitivos embates entre os Mesopotâmios, entre gregos e persas, entre Atenas e Esparta, entre Roma e Cartago. Mais recente ocorreram a Primeira e Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia, do Vietnã, do Golfo, e entre Israelitas e Palestinos. Os recentes conflitos armados entre a Coreia do Sul e a do Norte e os ataques ao Afeganistão, após os atentados terroristas suicidas a Washington e Nova York, em 11 de setembro de 2001.
Desde eras remotas o império dos maus de ordinário reprime a força dos bons, porque os bons se fazem fracos. “Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, haverão de preponderar”.(3) “Épocas de lutas amargas, desde os primeiros anos do século XX, a guerra se aninhou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. A Liga das Nações, o Tratado de Versalhes, bem como todos os pactos de segurança da paz, não têm sido senão fenômenos da própria guerra, que somente terminarão com o apogeu dessas lutas fratricidas, no processo de seleção final das expressões espirituais da vida terrestre.”.(4)
O Século XX, recentemente findo, foi o século mais sangrento de todos os anteriores. Após a Segunda Guerra Mundial, já ocorreram 160 conflitos bélicos, resultando em 40 milhões de mortos. Se contabilizarmos os resultados dessas paixões primitivas desde 1914, estes números sobem para 401 guerras e 187 milhões de mortos, numa projeção bem superficial.
Os Estados Unidos da América detêm o maior poder bélico do planeta. Seus orçamentos em armamentos ultrapassam os US $ 320 bilhões. Rússia e China gastam US $ 48 bilhões cada; França consome US $ 38 bilhões; Reino Unido desgasta US $ 35 bilhões; Coreia do Norte gasta US $ 4,7 bilhões; Índia consome US $ 13 bilhões; Paquistão gasta US $ 2,5 bilhões; Coreia do Sul gasta US $ 12 bilhões e, por fim, Israel detona US $ 9,4 bilhões. Juntas, essas nações gastam mais de meio trilhão de dólares com artefatos para exterminar a vida.
O que poderíamos alcançar de valor para a melhoria de vida na Terra com esse montante de dinheiro? A lista é ampla… Entretanto, os líderes dos países acima, assim como os seus partidários, não ambicionam o engrandecimento do orbe e de seus habitantes.
Há milênios entronizamos o debate sobre a razão humana, e permanecemos na guerra da destruição quais irracionais; exaltamos as mais elevadas demonstrações de inteligência, porém engendramos todo o conhecimento para o massacres humanos impiedosos; exaltamos a paz, fabricando os canhões homicidas e as ogivas de destruição em massa; sugerimos soluções para os problemas sociais, intensificando a construção das cadeias e dos prostíbulos. “Esse progresso é o da razão sem a fé, em que os homens se perdem na luta inglória e sem-fim.”(5)
Por felicidade, “à medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque lhe evita as causas e, quando é necessária, sabe aliá-la à humanidade.”.(6) Cremos que a guerra desaparecerá um dia da face da Terra, “quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então todos os povos serão irmãos.”(7)
Jesus nos deixou, há dois milênios, a grande lição do amor, a fim de que chegássemos ao estágio de perfeita harmonia entre os homens. O Príncipe da Paz ensinou: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei”.(8) Deste modo, não ouviremos mais falar de guerras e nem rumores de guerra.
Jorge Hessen
http://jorge hessen
Referências bibliográficas:
(1)    Falklands (para os britânicos)
(2)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000 Perg. 742
(3)    idem Perg. 932
(4)    Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB 1987
(5)    Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB , 1999, Perg 199
(6)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000 Perg. 742
(7)    idem Perg. 743
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