Intersexualidade, o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea”

Jul 17th, 2017 | By | Category: Artigos

000000intersexualEm 2012, Zainab, uma parteira queniana, fez o parto de uma criança intersexual (que possui órgãos genitais masculinos e femininos). Quando a mãe viu que o sexo do bebê não estava definido, ficou surpresa. O marido pediu para que Zanaide matasse o bebê, mas Zanaide pegou a criança para si e cuidou dela, embora sob riscos, pois na comunidade em que reside, assim como em outras no Quênia, um bebê intersexual é visto como mau presságio, que traz maldição para a família e até para os vizinhos. [1]

A Intersexualidade em seres humanos é alguma alteração de caracteres sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como inteiramente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual, como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo. [2]

Georgina Adhiambo, diretora-executiva da ONG Voices of Women, que trabalha para reduzir o estigma contra pessoas intersexuais no Quênia, disse que o assunto ainda é um tabu. Atualmente as opções de tratamento dos intersexuais variam muito. Alguns pacientes não precisam de cuidados, enquanto outros podem precisar de remédios ou terapia hormonal. Há ainda aqueles que precisam de cirurgia – opção que costuma ser protelada até a puberdade, para que a própria criança possa escolher seu sexo.

A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas à questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgêneros. Porém, tanto a intersexualidade quanto a transexualidade são temas polêmicos, e menos discutidos do que deveriam. Talvez por isso não se compreenda exatamente do que se trata, e essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito.

Ademais, sobre o tema, uma pessoa pode ser cisgênero ou transgênero. O cisgênero se identifica com o gênero correspondente ao sexo biológico, ou seja, se possui órgão sexual feminino é uma menina, se possui órgão sexual masculino é um menino. É o que todo mundo considera regra. Já o transgênero é a pessoa que contesta essa regra, que não tem seu gênero definido pelo sexo biológico. Muitas vezes o transexual se identifica com o gênero oposto ao sexo com que nasceu. Podemos dizer que o transexual é transgênero, mas nem todo transgênero é transexual.

Um estudo realizado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicado pela revista Psychological Science, concluiu que as crianças transgênero começam a reivindicar um gênero diferente, ao mesmo tempo que as crianças cisgênero se identificam com o gênero correspondente ao sexo biológico, por volta dos 2 anos. É como se a criança olhasse no espelho e não se reconhecesse. É uma expectativa constante de que ela vá acordar no corpo certo.

Independentemente das demarcações e definições controversas, a sociedade dará sinais de avanço quando compreender a neutralidade de gênero, e que o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea”.

Ainda sobre a “transexualidade”, por exemplo, Emmanuel adverte que “encontramo-nos diante de um fenômeno perfeitamente compreensível à luz da reencarnação. Inobstante as características morfológicas, o Espírito reencarnado, em trânsito no corpo físico, é essencialmente superior ao simples gênero masculino ou feminino.” [3]

O mentor de Chico Xavier ainda acrescenta que “aprenderemos, gradualmente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade em si exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.” [4]

Além disso, aprendemos com o autor de “Há dois mil anos”, “que é urgente amparo educativo adequado [aos sexuais e morfologicamente diferentes], tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual”. [5] E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna “os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.” [6]

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Referências bibliográficas:

[1]Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39852313 , acessado em 14/07/2017

[2]Money, John; Ehrhardt, Anke A. (1972). Man & Woman Boy & Girl. Differentiation and dimorphism of gender identity from conception to maturity. USA: The Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-1405-7.

[3]XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, RJ: Ed. FEB, 1977

[4]idem

[5]idem

[6]idem

Tags: ,

4 Comments to “Intersexualidade, o ser humano não se reduz à morfologia de “macho” ou “fêmea””

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    A impressão que eu tenho é de que aqui no orbe permanecemos numa esfera de ignorância que tende a interpretar como anormais essas diferenças que vemos, caracterizando-as como desvios e disfunções.

    Na espiritualidade a coisa tem uma outra conotação e parece não existir o conceito de aberração visto pela ótica do encarnado.
    Geraldo Magela Miranda

  2. Irmãos W diz:

    Olá

    Caros amigos…

    Um tema de vasta abrangência… Sobre esta questão…

    Aprendemos dentro da Doutrina Espírita… Através do Espírito da Verdade… Que foi codificada por Allan Kardec… Que somos espíritos imortais… Rumo a perfeição… E que na sexualidade… Temos diversas reencarnações num corpo de mulher… E teremos diversas reencarnações em corpo do homem… Para que podemos acrisolar… As diversas experiências… Pois o espírito não tem sexo…

    Marcos 10:6 Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.

    A luta segue

    Wanderlei

  3. PEDRO MARCHETTI diz:

    As perfeições ou imperfeições do corpo físico dependem, segundo entendo, do grau de aperfeiçoa- mento do espírito reencarnante: mais aperfeiçoado é o espírito, DE MAIORES RECURSOS DISPÕE SEU PERISPÍRITO NA MODELAGEM DO NOVO CORPO. Acredito que também o psiquismo do reencarnante deva exercer acentuada influência na formação do feto, ao qual se liga – já na concepção. Deduzo, portanto, que a ocorrência da INTERSEXUALIDADE tem suas origens no perispírito, sobretudo. Será esse espírito, por exemplo, a reencarnação de um pervertido sexual,ou de um pedófilo, como esses da atualidade, que se utilizam até mesmo de bebês em suas “fantasias sexuais”?

    Com base na relação perispírito/corpo, acima mencionada, tomo a liberdade de solicitar aos nobres confrades, algum esclarecimento a respeito de um fato que muito me intriga:
    Por que pessoas que apresentam feições suaves, bonitas, angelicais até, como é o caso de certas mulheres, revelam muitas vezes mau caráter e mesmo instintos inferiores acentuados?Ora, não há nisso uma contradição, uma vez que a “beleza da forma depende do grau de perfeição do espírito”?

    Antecipadamente grato, apresento-lhes meus protestos de alta estima e consideração.

    Pedro

  4. PEDRO ILHO diz:

    Pelo o pouco que sei sobre o assunto, penso que isso seja uma provação para o espirito reencarnante e também para seus familiares, principalmente seus pais. Muitas vezes por conivência com os erros praticados juntamente num passado remoto, ou mesmo recente. Uma coisa é certa: quando não sabemos usar corretamente um órgão do nosso corpo, é sabido que temos uma consequência pela irresponsabilidade do mal uso desse órgão, e assim temos que arcar com a responsabilidade para a correção daquela falta cometida. Agora; não podemos chegar ao ponto de sacrificar a criatura pelo defeito físico, como já dissemos: não é de graça que estamos todos juntos, e se não estamos de graça, é porque temos parte naquele defeito físico do nosso ente querido, e temos o dever de ajudá-lo a corrigir o erro.

Deixe um comentário