KARDEC E OS “PRESENTES DE GREGOS” AMEAÇADORES

Set 20th, 2016 | By | Category: Artigos

nao-vejo-nao-escuto-nao-faloHá muitas admissões inaceitáveis no Movimento Espírita Brasileiro em torno de questões como roustanguismo (este o mais ameaçador), ubaldismos, ramatisismos, “datas limites”e tantos outros assuntos, infiltrados em nossos meios  como verdadeiros   presentes de grego ou “Cavalos de Troia”, visando despedaçar Kardec no Brasil.

Promovem-se, nas tribunas, certos shows personalíssimos protagonizados por “ilustres” oradores, alguns “doutores” que sequer abrem mão da arrogante distinção do “Dr”. antes dos próprios nomes. Outros se arremessam nos trabalhos assistencialistas, visando galgarem espaços no teatro da política partidária.

Os Bons Espíritos nos recomendam resguardar os ensinamentos de Allan Kardec, seja pelo exemplo diário da fraternidade, seja pelo bom ânimo do debate superior. É imprescindível que preservemos os princípios doutrinários com simplicidade (sem falsas modéstias) e dedicação (sem afetação), sem inflexibilidade, sem radicalismos, mas também sem consentimentos contraditórios.

Muitos leitores têm escrito para mim, insistindo na pergunta se apometria é Espiritismo. Informo-lhes, frequentemente, que a teoria e a prática da técnica apométrica (e suas regras) estão em pleno desacordo com os princípios doutrinários codificados por Allan Kardec. Desta forma, não basta se afirmar “espírita”, nem, tampouco, se dizer “médium de qualidade”, se essa prática não for exercida conforme preceitua a Codificação Espírita.

Por subidas razões, devemos estar atentos às impertinências desses ideólogos, dos propagadores das terapias inócuas, que pensam revolucionar o mundo da “cura espiritual”. Até porque, a cura das obsessões não se consegue por um simples toque de mágica, de uma hora para outra, mas é, quase sempre, a longo prazo, não tão rápida como se imagina, dependendo de vários fatores, principalmente, da renovação íntima do obsedado.

Como se não bastasse, ainda, me indagam sempre sobre uma tal “desobsessão por corrente magnética”. Isso mesmo! Desobsessão!!! Explico que a teoria e a prática de tal técnica (e suas normas) estão em total discrepância com os princípios Espíritas.  O uso de energia para afastar obsessores, sem a necessária transformação moral (reforma íntima), indispensável à libertação real dos envolvidos nos dramas obsessivos, contradiz os princípios básicos do Espiritismo, pois, o simples “afastamento” dos obsessores não resolve a obsessão.

Historicamente o Cristianismo, com a pureza do Evangelho e a simplicidade da organização funcional dos primeiros núcleos cristãos, foi conquistando lenta e seguramente a sociedade de sua época. Porém, com o decorrer do tempo, sofreu uma expressiva deterioração ideológica. Corrompeu-se, por força das práticas indesejáveis ao plano de Jesus.

Atualmente, apesar das advertências dos Benfeitores e do próprio Kardec, quanto aos períodos históricos e tendências do movimento, os espíritas (titubeantes) insistem em cometer os mesmos erros do passado. Confrades nossos, não conseguindo se adaptar ao Espiritismo, e, conseqüentemente, não compreendendo e não vivenciando suas verdades, vão, aos poucos, adaptando o Espiritismo às suas alucinações, aos seus desvios morais, adulterando os textos das Obras Básicas, trazendo, para os centros espíritas, práticas inúteis consoante suas prioridades místicas.

Falta-lhes, no mínimo, o estudo sério da Codificação Rivailina. Tudo isso é reflexo natural da  invigilância febiana que colocou Roustaing em primeiro plano e  Kardec como coadjuvante e sempre preterido na  pelas ilusões do roustanguismo.

Sobre esse fato, recomendo leitura do surpreendente livro “Consciência Espírita” de autoria de Gélio Lacerda da Silva, ex-presidente da Federação Espírita do Estado do Espírito Santo, conforme pode ser conferido  através do link http://leitoresdojorgehessen.blogspot.com.br/2016/09/conscientizacao-espirita-feb.html .

Mas como consertar  esse processo? Como (re)agir, ante os espíritas  mal orientados, com dirigentes e federativas irresolutas, com fanatismos roustanguistas,  médiuns obsidiados? Enfim, como atuar, diante dos espíritas indecisos e sediciosos? Seria interessante a prática do “lavo as mãos” ou a retórica do “laissez faire”, “laissez aller”, “laissez passer”? Devemos deixar que os próprios grupos espíritas usem e abusem do livre arbítrio para, por fim, aprenderem a fazer escolhas corretas e adequadas às suas necessidades?

Não nos esqueçamos de que os inimigos, em potencial, do Espiritismo estão disfarçados entre os próprios espíritas. Identificamos como o mais perigoso “Cavalo de Troia” no M.E.B.  os Quatro Evangelhos de  J.B. Roustaing. O Espiritismo deve ser divulgado conforme foi apresentado por Allan Kardec, sem adaptações nem acomodações de conveniência em vãs tentativas de conseguir-se adeptos.

É a Doutrina que se fundamenta na razão, e, por isso mesmo, não se compadece com as extravagâncias daqueles que, por meio sub-reptício, em tentando fazer impor seus misticismos acabam por macular a pureza originária da nossa Doutrina Espírita.

Criar desvios doutrinários, atraindo incautos e ignorantes, causa, sem dúvida, perturbações que poderiam, indubitavelmente, ser evitadas, se houvesse, por parte dos dirigentes, maior rigor na direção dos estudos das obras codificadas por Allan Kardec , mormente os trabalhos das federativas se movimentassem nesse sentido. Qualquer enxerto, por mais delicado se apresente para ser aceito, fere-lhe a integridade porque ele [o Espiritismo] é um bloco monolítico, que não dispõe de espaço para adaptações, nem acréscimos que difiram da sua estrutura básica.

Jorge Hessen

Brasília-DF

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6 Comments to “KARDEC E OS “PRESENTES DE GREGOS” AMEAÇADORES”

  1. Luiz Eduardo Martins Ferreira diz:

    Caro Jorge, realmente a Doutrina Espírita está sendo desvirtuada, não só pelos aspectos levantados em seu artigo, que acabo de ler, mas, também, a meu ver, por ter deixado de ser ciência e filosofia para se tornar apenas mais uma religião igual a tantas outras, com os mesmos defeitos inerentes a essas, transformando-se em um instrumento de poder. As outras religiões estudam a Doutrina Espírita – as vezes mais que muitos de nós – para nos atacar e nós não as estudamos sequer para nos defender. Se assim continuarmos, em um futuro não muito distante, Kardec será totalmente esquecido, porque parcialmente esquecido já está. Forte abraço do Luiz Eduardo

  2. Sabrina Aparecida Rabeba Rolim diz:

    Prezado Jorge, é gratificante saber que temos trabalhadores espíritas,como tu, dentro do movimento espírita. Muito obrigada por manteres esta página, nos esclarece e conforta em muito. Vida longa á tua jornada!

  3. Anita diz:

    Boa noite, Jorge. Gostaria de saber sua opinião sobre o espírito de Ramatis, pois vc o mencionou inicialmente e não dissertou sobre o que considera desvirtuamento da doutrina espírita sobre o mesmo. Não sou conhecedora profunda da obra, mas admiro muito os ensinamentos e o considero, um espírito evoluido intelectual e espiritualmente.Muto obrigada pela atenção.
    Cordialmente,

    Anita

    • Estimada Anita, a produção mediúnica do médium Hercílio Maes nunca atendeu aos meus anseios por melhor aprendizagem na base da racionalidade kardeciana. Essa a minha característica, de fincar-me quase que de forma ortodoxa (bom bom sentido) aos conteúdos divulgados pelo mestre lionês, por isso mesmo, jamais utilizei como fonte de referencia nos meus 23 livros e e books publicados o Ramatis. Não descarto a possibilidade que tal “espírito” traga-nos minúsculas filigranas de ensinamentos mas repito não se enquadrou nas minhas exigências
      Conheço muitos confrades que gostam muito do Ramatis, portanto, essa opinião é bem particular, talvez questão de gosto literário….considero o Ramatis com conteúdo muito aquém do que sempre procurei enquadrar meus conhecimentos. Se confiável ou não ficaria a critério de quem ler e aceitar ou não…Sou historiador e professor de história e nesta condição eu não aprovo e nem recomendo para alunos a fonte Ramatis, mas ajo assim na condição de historiador…. porém, como espirita (dentro do principio de tolerância e fraterna discussão) diria : “tudo é válido , mas nem tudo me convém” – como dizia o grande Paulo.

  4. JOSE FRANCISCO DE ALMEIDA diz:

    Em suma, podemos entender que no espiritismo tudo é interpretação.
    O mundo espiritual de acordo com a interpretação dos espíritos.
    Nosso entendimento de Espírito e espírito, do mundo espiritual, de acordo com a interpretação daqueles que os interpretaram.
    Filosofia pura.

  5. Irmãos W diz:

    Olá
    Caros amigos…
    A base do Espiritismo é Cristo… E a renovação espiritual… E a compreensão da questão das múltiplas existências… Da imortalidade da alma…Esta e a verdade finalidade da vida e do Espiritismo…
    Como podemos conhecer erro??? Se não conhecemos a verdade…
    A Verdade e Cristo/Kardec!!!… Embasados nas obras da Codificação Espírita deixada por Allan Kardec… Sem isto… Não vamos chegar a lugar nenhum!!!

    Fiquem com Deus

    Wanderlei

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