“Mediúnica” aberta ou fechada?

Mai 2nd, 2017 | By | Category: Artigos

images medinuiasUm leitor levanta um tema conveniente para elucidarmos. Descreve que frequenta várias casas com reuniões mediúnicas “abertas” (públicas). Acredita ser o modo correto. Embora com o passar dos anos tenha conhecido outras casas com as reuniões mediúnicas “fechadas” (privativas).

Em face dele ler muito e observar, analisar, colher opiniões, sobretudo as que escrevemos para o Movimento Espírita Brasileiro, resolveu fazer a seguinte afirmativa: a quantidade de pessoas que passam a frequentar as casas espíritas após assistirem a comunicações do além “abertas” ao público é mais expressiva.

Obviamente, sob o imperium da racionalidade espírita, não podemos concordar com a afirmativa desse nosso leitor, embora reconheçamos que ocorrem montões de convites às pessoas recém-chegadas ao centro para assistir e/ou frequentar as reuniões mediúnicas, o que representa uma extraordinária leviandade. Aliás, isso seria transformar o grupo mediúnico numa estranha sala de espetáculos de picadeiro espiritual.

As sessões mediúnicas devem merecer dos dirigentes espíritas uma maior atenção. Não se compreende, pois, que uma sessão mediúnica, seja ela aberta a pessoas com pouca formação teórica do Espiritismo ou a curiosos e/ou a neófitos, contrariando as orientações dos Benfeitores. Allan Kardec abordou o tema quando respondeu aos leitores que lhe propunham abrisse ao público as sessões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, medida com a qual não concordava em absoluto. [1]

Kardec sugere além disso grupos pequenos, em face das potências mentais heterogêneas que há nos “grupões”. Uma reunião mediúnica “aberta ao público” é uma imponderação dispensável, porque tem acesso pessoas carregadas de anseios diversificados, que irão embaraçar, invariavelmente, o exercício espontâneo da mediunidade.

Os Instrutores do além afiançam que uma reunião mediúnica é um grave trabalho, que se desenvolve na estrutura perispirítica, e se a equipe é inábil, é compreensível que muitos embaraços psíquicos sucedam por negligência da mesma. Em face disso, o intercâmbio com o além não deve ser aberto ao público porque, conforme proferimos acima, transformaria-se numa arena circense com feição especulativa, exibicionista, destituída de intuito elevado, costumes tais que ferem mortalmente os postulados reveladores da Doutrina Espírita.

Mesmo nas reuniões mediúnicas privativas deve-se manter um número ideal de membros, não excedente a 20 pessoas, para que se evitem essas perturbações naturais nos grupamentos massivos. É óbvio que quaisquer argumentos utilizados para defender as reuniões mediúnicas “fechadas ao público” não isentam os grupos “fechados” das influências, pensamentos, desequilíbrios e desarmonias. Contudo, isso é dificuldade moral do grupo e não da especificidade privativa da mesma.

Não podemos e nem devemos esquecer que o Espírito de Verdade nos recomenda: “Espiritas, amai-vos uns aos outros, eis o primeiro ensinamento, instrui-vos eis o segundo”. [2] Este alerta nos conscientiza do tamanho da responsabilidade que nos pesa sobre os ombros. Grupos mediúnicos sérios fazem reuniões periódicas de avaliação das atividades e assim todos os integrantes da equipe possam se afinizar e conversar, eliminando algum conflito doutrinário que possa haver entre si.

Ademais, para que não se abra espaço para a teatralização de “psicofonias” (quase sempre anímicas – “tipo Bezerra/Divaldo”) e “psicografias” em público, lembremos que não há médiuns especiais e ninguém é melhor que ninguém, devendo todos estarem abertos ao aprendizado permanente e seu devido aperfeiçoamento. Dizem que Divaldo recebe Bezerra em público e Chico psicografava em público. Sim, é verdade, mas será que temos novos Chicos e Divaldos? Exceto os imitadores!

Ah!, para concluir nossos esclarecimentos, recomendamos que se algum confrade quiser frequentar uma reunião mediúnica para ouvir e instruir-se (ao vivo) as supostas “mensagens do além”, que trate de estudar as Obras codificadas por Allan Kardec.

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Referências bibliográficas:

[1]       KARDEC. Allan. Revista Espírita,  maio 1861, pág. 140, Brasília: Ed Edicel, 2002.

[2]       KARDEC. Allan O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5, RJ: Ed. FEB, 2002

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5 Comments to ““Mediúnica” aberta ou fechada?”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    De acordo, Jorge.

    Creio que o espiritismo verdadeiro não admite espetacularização, mas a elevação pura e simples através do aprendizado daquilo que é essencial para a vida.
    Geraldo Magela Miranda

  2. Elmira Alves de Almeida diz:

    Sou de opinião que, as reuniões mediúnicas permaneçam fechada é o que nos recomenda a Espiritualidade Superior. Embora alguns irmãos nossos achem que, não há problema algum de manifestasse publicamente atraindo assim, a atenção daqueles que estão presentes no momento, com isso muitos frequentadores só pretendem ir ao Centro Espíritas, nos dias que aquele irmão que se manifesta publicamente.

  3. Mílton Anacleto de Campos diz:

    Parabéns, Jorge, prezado irmão de Ideal Espírita, pela sua colocação coerente e elucidativa!
    É óbvio que temos que concordar, em gênero, grau e número, com o que você afirmou.
    Luz e Paz!
    Abraços fraternos,
    Mílton Campos
    (Sociedade Espírita Amigos Fraternos – SEAF | Contagem-MG – RMBH).

  4. PEDRO ILHO diz:

    Jorge, cê tá certo, quando diz que não pode concordar com a opinião do cidadão acima. Sem querer julgar ninguém, mas pelo pouquinho que sei, sessão mediúnica tem que ser uma coisa super reservada, e o que se ouve e acontece lá dentro tem que ficar lá dentro, não pode sair da porta para fora. O cidadão em apreço, diz que lê muito, mais não aprendeu nada. Gosta de ver espírito falar mesmo sem saber que o que está ouvindo é verdade!!!

  5. Irmãos W diz:

    Olá

    Caros amigos….

    E um tema muito relevante…

    As grandes sessões mediúnicas… Ocorridas na França… Pelo Codificador da Doutrina Espírita… Allan Kardec… Trouxeram ao mundo a 3 revelação…

    Kardec o grande estrategista… O 1 centro espírita… Possuía critérios… Para analise de todos os trabalhos que se realizavam…

    Agora nos tempos atuais… Será que todas as casa espíritas tem o conhecimento e o critério de Kardec???!!!….

    Para mim… Temos que fazer o Espiritismo para os vivos… Muito evangelho… E o estudo de Kardec…

    E as casas que realizam as sessões mediúnicas… Tem que ser fechados ao publico…Pois envolvem trabalhos… De grande vulto… E não devem ser compartilhados por curiosos!!!

    Fiquem com Deus

    Wanderlei

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