Mitologia, Kardec e Maria – uma reflexão sobre natureza biológica de Jesus

Jan 7th, 2019 | By | Category: Artigos

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Os evangelhos de Lucas e Mateus descrevem que Maria manteve-se “virgem” e que Jesus hipoteticamente fora concebido pelo “Espírito Santo”, ou seja, a concepção de Maria acontecera de forma “sobrenatural”, sem a participação do esposo, conquanto já fosse recém-casada com José à época.

A crença na virgindade de Maria e a suposta “fecundação divina” nada mais é senão uma “fotocópia” rudimentar, diríamos, uma imitação burlesca, dos mitos pagãos organizados pelas castas sacerdotais ancestrais. A explicação desses pormenores históricos é indispensável ao espírita, para preservar-lhe contra as deturpações místicas impostas por longos anos pela tradicional instituição “unificadora” do Brasil. Até porque pesquisas e estudos sobre a fábula mitológica, bem como da História das Religiões, comprovam de maneira categórica a origem da alegoria do nascimento virginal.

Indubitavelmente o Evangelho sofreu a influência da mitologia grega. Por isso, devemos separar o mito helênico do que é ensinamento moral. A rigor, foi exatamente por isso que Allan Kardec, ao publicar “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, transcreveu tão somente o ensino moral de Jesus.

Historicamente, a “virgindade” de Maria embrenhou-se de tal forma no imaginário coletivo dos cristãos que se incorporou ao seu nome. É verdade! A “virgem Maria” transformou o filho Jesus em vulto mitológico, e nada melhor para exaltar o “homem-deus” do que situá-lo como filho de uma “virgem”. Por falar nisso, Allan Kardec fez oportuno ensaio comparativo a respeito das teorias do pecado original e da virgindade de Maria, situando a mãe de Jesus como virgem, não do ponto de vista biológico, mas sob o enfoque espiritual. [1]

Em conformidade com determinadas narrativas do Evangelho, Maria teria recebido a visita lendária de um “anjo” de nome Gabriel, o qual anunciou à jovem sua “fecundação” através da intervenção do “Espírito Santo”. Ora, a Doutrina Espírita nos convida a desenvolver uma fé raciocinada, analisando sensatamente as narrativas do Evangelho. Ante os dilemas interpretativos dos conceitos literais escritos pelos apóstolos, o Codificador advertiu que a religião deve caminhar em consonância com a ciência, de modo que a primeira não ignore a última, e vice-versa.

Cá para nós, qual seria a desonra de Maria sobre a maternidade segundo as leis biológicas? Teria ela traído José e se “corrompido moralmente” conforme já ouvimos de alguns? O que pensar da oblata suprema de Jesus no Calvário se seu corpo fosse um sortilégio “quintessenciado”? Seria uma representação ridícula! Será que dá para conceber o Cristo (MODELO) imune de dor, em face do seu corpo ser energeticamente “sutilizado”, enquanto os primeiros cristãos mergulhados na carne seriam devorados pelas feras nas arenas romanas?

Não paira nenhuma dúvida de que Maria foi um Espírito muito elevado moralmente, razão pela qual recebeu a missão sublime de gestar o “MODELO e Guia” da humanidade. Porém, Jesus foi ridiculamente transformado numa figura mitológica e, sendo um “ídolo deificado”, não poderia ter nascido do “pecado original” das tradições adâmicas. O fato de Jesus ter sido concebido de forma “milagrosa” contradiz as vias naturais de reprodução humana, e para a Doutrina dos Espíritos esta é uma questão de elevadíssima importância, uma vez que a fecundação biológica é uma decorrência das Leis Naturais.

Em resumo, reafirmamos que a fecundação de Maria se deu por vias decididamente normais, através da respeitosa comunhão sexual com seu esposo, tal como ocorre entre todos os casais equilibrados da Terra. Em face disso, Kardec apresenta Jesus como o MODELO mais perfeito para a evolução humana; logo, o seu corpo deveria ter a mesma constituição biológica daqueles aos quais ele deveria servir de MODELO, e seu testemunho basear-se na subordinação às leis naturais.

Ah!, dizem que a ciência pode gerar um humano através da fertilização in vitro ou outros métodos não uterinos. Ora, ainda que o perispirito de Jesus seja o mais puro da Terra, Ele não derrogaria as leis de reprodução. Portanto, Jesus não poderia aparentar estar biologicamente encarnado, senão o período da manjedoura até a cruz teria sido um simulacro de um ilusionista amador ou uma caricata encenação teatral.

Sob o ponto de vista da lógica kardeciana, a humanização de Jesus torna os cristãos mais esperançosos na autotransformação moral, pois leva seus seguidores a serem mais disciplinados e conscienciosos. Do contrário, a “deificação de Jesus” faz do “MODELO e Guia” uma entidade inalcançável, e assim torna suas lições inexecutáveis, pois são atos próprios à vida de um “extraterrestre” ou do próprio “Deus” (para os místicos).

A concordância com o “Jesus mitológico” abre precedentes para outros entendimentos igualmente lendários a respeito da vida e do legado do Mestre de Nazaré, mas infelizmente, apesar de serem ideias extravagantes, acabam sendo admitidas como verdadeiras a partir da aceitação de premissas ingênuas.

Como analisamos, o Espiritismo alerta para uma visão da natureza biológica de Jesus, desmistifica a virgindade de Maria, mostrando sua grandeza maternal. A legítima literatura espírita juntamente com os ensinamentos recebidos dos espíritos superiores (durante a Codificação) garante que Deus jamais quebraria a harmonia das leis da natureza. Por que haveria Jesus de desrespeitar a lei de reprodução biológica.

 Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Referência bibliográfica:

[1]           KARDEC, Allan. Revista Espírita, janeiro de 1862, Brasília: Ed. Edicel, 2002

 

 

 

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7 Comments to “Mitologia, Kardec e Maria – uma reflexão sobre natureza biológica de Jesus”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Acho muito bem colocada essa última questão, Jorge – por que Jesus desrespeitaria a lei natural biológica? Seria a negação da própria Criação, não?

    Talvez a maioria de nós ainda aceite essa mistificação da concepção de Jesus. Tenho pra mim que as religiões, no afã de explicarem a vida a seus seguidores, servem pra isso: desvirtuar os verdadeiros fundamentos e da razão da nossa existência.
    Por isso é que me embrenhei pelos caminhos da Doutrina Espírita – ela analisa e esclarece de forma racional essas questões tão embaraçosas pra nós, embora a maioria, creio, insista em rastejar, crentes nas pregações de suas religiões.
    Geraldo Magela Miranda

  2. Leymarie e Gerin diz:

    Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente.
    Vc errou porque não conhece o texto ou fez de propósito para convencer os incautos?
    Pergunto pois vc afirma que Maria já estava com José, o que não é verdade pelo registro “histórico”. Abraços
    Laymarie

    • Jorge Hessen diz:

      Caro Leymarie Se quiser escrever o seu artigo (rebatendo meu artigo) sugiro ter como fonte a “bíblia de jerusalém” por ser indiscutivelmente a mais confiável para os biblistas e exímios tradutores .
      Vide aí como se traduz a anunciação — 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 28 Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” 29 Ela ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. 30 O Anjo, porém, acrescentou: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. 31 Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus. 32 Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, etc etc etc……

  3. PEDRO ILHO diz:

    O EMBRIÃO DE JESUS VEIO DE UM MUNDO TÃO DISTANTE, DA TERRA QUE A ESPIRITUALIDADE GASTARAM 14 DIAS PARA CHEGAR À, FOI UMA FALANGE DE ESPÍRITOS DA MAIS ALTA QUALIDADE DE PUREZA QUE POR ONDE PASSAVAM DEIXAVAM RAIOS DE LUZES. E QUANDO CHEGARAM NA HABITAÇÃO ONDE MARIA SE REPOUSAVA EM SEU LEITO SOZINHA PORQUE NAQUELA ÉPOCA, O MARIDO CASADO DE NOVO TINHA Q FICAR UM CERTO TEMPO SEM MANTER RELAÇÕES COM A ESPOSA. E CHEGARAM COM O EMBRIÃO DE JESUS QUANDO ELA DORMIA, COISA Q NO ÍNTIMO DELA ELA JÁ SABIA DE TUDO, E COLOCARAM POR CIMA EM SEU VENTRE O EMBRIÃO DE JESUS, E AÍ COMEÇOU UMA GRAVIDEZ. MAS Q JOSE FICOU ENCIUMADO QD SOUBE DA GRAVIDEZ, É VERDADE, QUERIA ATÉ DEIXAR MARIA, COMO PODERIA MARIA ESTAR GRÁVIDA SE NADA TINHA ACONTECIDO ENTRE ELES? CONTA O AUTOR Q A ESPIRITUALIDADE TEVE MUITO TRABALHO PARA CONVENCÊ-LO DURANTE O SONO, MUITOS PASSES FLUÍDICOS FORAM DADOS, CONTARAM PARA ELE O Q HAVIA OCORRIDO, FOI INDO ATÉ Q ELE ADMITIU E SE ACALMOU, E ENTÃO NASCEU JESUS DESSE JEITO….

  4. Walmor Zimerman diz:

    Realmente o assunto é muita complexidade, visto que julgo que limitado é nossa “saber”. No livro o Consolador, de Emmanuel, pela abençoada mediunidade de Chico Xavier, o autor afirma que Jesus, na condição de um Avatar, auxiliar direto da Divindade, Planejou a criação do nosso sistema solar… Fato que segundo a ciência remonta a 4b.700 m. de anos… Diante disto, a razão nos diz que, Jesus, não teria com “encarnar” num corpo “físico”, mas que pela sua inimaginável evolução poderia plasmar seu próprio “corpo”, pois seu “períspirito” seria tão somente um facho de luz incandescente… Sob este ponto de vista estaria explicado a questão da virgindade de Maria, isto é, Jesus pelo seu nível de evolução, teria “plasmado” a sua indumentária física para se tornar visível para nós…

    • Walmor Zimerman,
      Assisti vários depoimentos de um ex-presidente da FEB, levantando dúvidas sobre a possibilidade de adulteração nas obras de Chico Xavier. Muita tese estranha atribuída a tal ou qual espirito que se comunicou através de Chico Xavier supostamente foi adulterado sob o tacão da ideologia febiana. É preciso ter muito cuidado na leitura que fazemos das obras editadas pela FEB, aliás uma instituição que aceita como definitiva a Gênese 5 edição, uma obra COMPROVADAMENTE adulterada na França nos idos dos anos de 1870. Sejamos menos místicos e mais coerentes com a lógica genuinamente kardeciana..

  5. Francisco Atos Maglia diz:

    Jesus nao tinha irmãos ??

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