O ATEÍSMO MUNDIAL EM NÚMEROS INQUIETANTES (Jorge Hessen)

Nov 25th, 2013 | By | Category: Artigos

ATEUA propagação do ateísmo e do materialismo é inquietante. Nos dias atuais tem crescido o número de pessoas que se declaram sem religião. No Brasil, até os anos 70, elas eram menos de 1% da população. Nos anos 90, 5,1%; em 2013 mais de 15 milhões de brasileiros dizem não ter religião conforme o IBGE. Segundo dados da Enciclopédia Britânica, em 1994 cerca de 240 milhões de pessoas declaravam-se ateístas e mais de 900 milhões diziam-se não religiosas. Hoje o grupo dos que se declaram ateus, agnósticos (1) ou sem religião em todo o mundo só fica atrás daqueles que se dizem cristãos (2 bilhões de pessoas) e muçulmanos (1,2 bilhão de pessoas).
Na era do “homo tecnologicus”, os ateus, agnósticos ou não filiados a alguma religião formam 16,3% da população mundial (aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas), percentual superior ao de hindus (15%), budistas (7,1%), seguidores de religiões étnicas ou folclóricas (5,9%) e judeus (0,2%).
Crer ou não crer? – Os números do ateísmo no mundo são os seguintes: Na Suécia, 85% da população não acredita em Deus; na Dinamarca, 80%; na Noruega, 72%; no Japão, 65%. A China ocupa o 36º lugar no ranking de países com mais percentual de ateus (14%). Em números absolutos, porém, é onde vivem mais pessoas sem crença; na Rússia, 69 milhões; no Vietnã, 66 milhões; na Alemanha, 40 milhões, na França, 32 milhões; nos EUA, 26,8 milhões; na Inglaterra, 26,5 milhões. (2)
O teórico ateu Mikhail Bakunin, da Rússia, afirmava que “a ideia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; é a negação mais decisiva da liberdade humana e, necessariamente, termina na escravização do homem. Bakunin inverteu o aforismo voltairiano – “se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo” – afirmando que se “Deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo”. Não é por acaso que significativa parte dos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião estão em países comunistas ou ex-comunistas, onde tradicionalmente a religião foi rejeitada em grande medida.
Não cremos que haja ateus na essência, embora entendamos que existam pessoas que divergem das concepções equivocadas acerca de um deus (minúsculo), criado pela teologia que foi formando na dinâmica dos evos. Porém, ateus convictos, isto é, fundamentados com contextos validos, não acreditamos que existam. A todo pensamento lógico, Deus surge, na verdade jamais como importância negativa, mas como positiva, fundamentante, como o Ser que torna plausível todo o existir.
O complexo ideológico ateísta esbarra no problema do “mal” no contexto das revelações inconsistentes e no argumento da descrença. Outros assuntos do universo ateísta são de cunhos filosóficos, sociais e históricos. Os ateus tendem ao ceticismo em relação a afirmações sobrenaturais, citando a falta de evidências empíricas que provem sua existência (os materialistas têm alergia ao mundo espiritual). A demanda racionalista de Kant e do Iluminismo só acolhe o conhecimento deduzido pelo racionalismo lógico. Esta forma de “ateísmo” afirma que as divindades não são perceptíveis como uma questão de princípio e, portanto, sua existência não pode ser conhecida. O ceticismo, baseado nas ideias de Hume, por exemplo, afirma que a certeza sobre qualquer coisa é impossível, por isso nunca se pode saber da existência de um Deus.
A obra “Essência do Cristianismo” publicada em 1841, por Ludwig Feuerbach, entusiasmou filósofos como Engels, Marx, David Strauss e Nietzsche. Feuerbach considerava que Deus é uma invenção humana e que as atividades religiosas são usadas para a realização de desejos. (3) Karl Marx e Friedrich Engels argumentaram que a crença em Deus e na religião são funções sociais, utilizadas para narcotizar a mente. Marx procurou “alforriar” o homem de Deus, entretanto, algemou-o a um outro deus (terrível, cruel e alienante), ou seja, o “estado totalitário”, cuja individualidade se torna volátil e aprisionada ideologicamente para escorar a grande máquina fabricante de abastanças para pequenos clãs dirigentes.
Nietzsche regurgitava que Deus foi a maior ameaça do homem. O ceticismo nietzschiano do século XIX almejou “matar” Deus a fim de introjetar a ideia de um “Super-Homem”, ou seria o precursor do Clark Kent do planeta diário? Vamos raciocinar um pouco. De que maneira o irrequieto filósofo poderia proclamar a “morte” de um ente que, segundo expunha, inexistia? A “morte” de Deus nos termos em que se exprimem os nietzschianos (se possível distantes das “kryptonitas”), culmina na confissão de sua existência, exceto se pudéssemos “matar” o nada.
É por essas e outras que Louis Pasteur afirmava no século XIX que “um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima”. Esse pensamento induz a ideia de que uma noção científica pouco profunda serve tão somente para distanciar o homem de Deus e, em sentido contrário, leva à conclusão de que todos os profundos conhecedores da Ciência estão adjuntos de Deus.
Por mais que os materialistas procurem justificar seu ateísmo, este só pode subsistir em palavras desocupadas, ocas, desprovidas de qualquer substância moral, filosófica e científica. Os Espíritos asseguram que “nunca houve povos de ateus. Todos seres compreendem que acima de tudo há um Ente Supremo.” (4) Para Allan Kardec, “sempre houve e haverá cada vez mais espiritualistas do que materialistas e mais devotos do que ateus.”. (5) Certa vez, o mestre de Lyon consultou a condição espiritual de um ateu desencarnado. Este revelou o seu estado psicológico no além, nos seguintes termos: “Sofro pelo constrangimento em que estou de crer em tudo quanto negava. Meu Espírito está como num braseiro, horrivelmente atormentado”. (6)
A prova da existência de Deus está no axioma que aplicamos às ciências. Não há efeito sem causa, logo, tudo o que não é obra do homem a razão responderá. Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa. Todos nós trazemos na consciência a certeza da existência de Deus que não poderia ser fruto da educação ou resultado de ideias adquiridas, pois se assim fosse por que existiria nos selvagens esse sentimento inato?
É verdade! “Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.”. (7)

Referências bibliográficas:

(1) Enquanto os ateus negam a existência de Deus, os agnósticos garantem não ser possível provar a existência divina.

(2) Pesquisas de Phil Zuckerman (2007), Richard Lynn (2008) e Elaine Howard Ecklund (2010), ONU, adherents.com, American ReligiousIdentification Survey, The Pew Research Center, Gallup Poll, The New York Times, Good, Nature, Live Science e Discovery Magazine.

(3) Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ate%C3%ADsmo acesso em 24/11/2013

(4) Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, questão 651 , RJ: Ed FEB, 2001

(5) Kardec Allan. A Gênese, Cap. XI item 4 RJ: Ed FEB, 2001.

(6) Kardec Allan. O Céu e o Inferno Segunda Parte, Cap. V , RJ: Ed FEB, 2001

(7) Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, questões 4,5 e 6 , RJ: Ed FEB, 2001

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3 Comments to “O ATEÍSMO MUNDIAL EM NÚMEROS INQUIETANTES (Jorge Hessen)”

  1. É, meu caro Jorge, o bicho-homem é assim, não é? Existem várias vertentes no pensamento humano, e acho que não poderia ser diferente, pois é um ser pensante.
    Sendo assim, vamos encontrar todo tipo de crença nas cabeças humanas, e vamos ouvir todo tipo de maluquice. Alguns só enxergarão a evidência da Criação ao desencarnar, que nem o ateu consultado por Kardec.
    Acho interessantes as tiradas de Einstein. Ele escreveu algumas boas sobre a existência do Criador.
    Abração, meu irmão. Sigamos em frente.
    Geraldo Magela Miranda

  2. Domingos Divino diz:

    Prezado Amigo Jorge Hessen, é impressionante que muitas nações antigas, realmente “envelheceram”,alcançaram um excelente nível financeiro, por que se desenvolveram em muitas áreas, em especial a tecnológica, desfrutam de todo conforto material possível, pois as leis que regem essas nações são respeitadas, tanto pelos seus dirigentes, como também pelo seu povo, mas infelizmente “mataram” o espirito; agora entendo o porque destas pessoas praticar tanto suicídio, eu tenho conhecimento da “cegueira religiosa” destas pessoas, mais eu não sabia que é tanto assim, isso mostra o quanto são ORGULHOSOS.
    Felizes de quem encarna na Terra do Cruzeiro, com as suas injustiças sociais, que matam milhares diariamente; mais em compensação temos grandes oportunidades de crescimento espiritual.

  3. Gostei do texto, mas tenho duas considerações sobre eles:

    1. Uma informação: o “Deus está morto” de Nietzsche não é uma afirmação ontológica. Ele não está dizendo que deus morreu como entidade, porém que morreu de certo modo o deus que existia na cultura. Para descobrir que modo seria esse é preciso ler o que ele escreveu, pois não cabe ficar expondo isso aqui.

    2. Uma crítica: quando se diz que “não há efeito sem causa”, essa afirmação não é um axioma mas uma hipótese, uma vez que é impossível conhecer todos os efeitos para deduzir que todos tenham uma causa. Para ser um axioma ela precisaria fundamentar o pensamento, contudo, como ela carece de comprovação, então é uma afirmação a ser provada.

    Apesar disso, mesmo que assumíssemos essa hipótese de que todo efeito tenha uma causa, isso não nos levaria à existência de deus mas aos paradoxos clássicos: a) se todo efeito tem causa, então há infinitas causas b) ou, se todo efeito tem uma causa, então é preciso existir uma causa inicial que gere todas as outras, mas se todo efeito tem causa, ela também tem que ter. Claro, existem soluções para esses dilemas, tal como críticas a essas soluções, o próprio Kardec usa uma versão simplificada dos argumentos do Tomás, agora não me recordo o livro, mas o caso é que a disputa ateísmo versus teísmo dificilmente será resolvida com base em critérios racionais. É tão fácil erigir um argumento para defender a existência de deus quanto para destruí-lo, não existindo nenhum mérito em se estar de um lado ou de outro da disputa.

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