O ESPIRITISMO ANTE O MERECIMENTO E AS DESIGUALDADES

Fev 6th, 2016 | By | Category: Artigos

comunaA economia do mundo atual está periclitante e não consegue se recuperar da debacle econômica de 2008, aliás, a maior das últimas 8 décadas. Tudo teve início nas quebras de grandes bancos nos EUA, deixando um rombo estimado em quase US$ 3 trilhões. A crise de então se expandiu pelo planeta, provocando amplos cenários de desemprego e recessão. A rigor, as principais economias do mundo ainda não se recuperaram. Apesar de toda essa tempestade econômica, paradoxalmente o número de bilionários duplicou.

Os fatos demonstram que as crises econômicas têm o poder de concentrar renda e deixar os ricos mais ricos. Como resolver isso? Seguramente não será com as ideologias extremistas do igualitarismo. Quanto maior a desigualdade econômica num país, mais forte tende a ser a divisão ideológica entre os chamados grupos do “igualitarismo” e do “liberalismo”. E a história sugere que a superconcentração de recursos redunda em algum tipo de desordem. Por isso, a desigualdade das riquezas é um dos problemas que preocupa muita gente. Mas, debalde se procurará resolver tal desigualdade levando em conta apenas a unicidade das existências.

Afinal, por que não são igualmente ricos todos os homens? Indagou Kardec aos Benfeitores que responderam: “Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar”. [1] E mais, é fato matematicamente demonstrado que “a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente. Por outra, se efetuada essa partilha, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões. Supondo ainda que seja possível e durável essa divisão, cada um teria somente com o que viver e o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade”. [2]

Ora, “se Deus concentra a riqueza em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades. Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos”. [3] Eis aí uma prova da Sabedoria e da Bondade Divina. Dando o livre-arbítrio ao homem, quer Deus que o mesmo chegue, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e opte pelo bem, de livre vontade e por seus esforços. Obviamente a harmonia da sociedade não virá por decretos, nem de parlamentos que caracterizam sua ação por uma força excessivamente passageira.

Os conceitos do Espiritismo defendem a meritocracia do ideário liberal, a liberdade individual e quem pugna por esses valores não deve ser tido como um reacionário. O princípio da improfícua ideologia igualitária sempre fascinou a mente revoltosa, porque parece ser mais “justa”, e atender melhor à parte mais desprotegida da humanidade. Irrisão! Essa ideologia carrega consigo uma mancha execrável. Não é capaz de respeitar o que é inerente ao ser humano, que é o livre arbítrio individual. Como não conseguirá jamais se estabelecer com a concordância dos cidadãos, precisa se impor à força para que os “mais iguais” (grupos artificiais) minoritários liderem e dirijam a “liberdade” do resto da população reprimida.

Reafirmamos que os adeptos do materialismo sonham com a igualdade irrestrita das criaturas, sem compreender que, recebendo os mesmos direitos de trabalho e de aquisição perante Deus [aceitem ou não!], os homens, por suas próprias ações, são profundamente desiguais entre si, em inteligência, virtude, compreensão e moralidade. E consta nos anais da História que o “trabalho” , o “batente”, o “rala rala”, o “labor diário” para o ganha pão não é a credencial moral dos reivindicadores do princípio igualitário.

Sob o ponto de vista reencarnacionista, o Espiritismo ilustra os contra-sensos das teorias radicais do igualitarismo e coopera na restauração do adequado caminho da evolução social. Emoldurando a ideologia igualitária nos apelos cristãos, não se deslumbra com as reformas exteriores, para rematar que a excepcional renovação considerável é a do homem interior, célula viva do organismo social de todos os tempos, justando pela intensificação dos movimentos educativos da criatura, à luz eterna do Evangelho do Cristo.

De acordo com a História sempre existiram, existem e deploravelmente existirão grupos de materialistas, ateus e rebeldes extremistas em número significativo, que são estrepitosos, violentos e constituem ameaça à liberdade do cidadão. E quem se opõe à sua cartilha agressiva não pode ser considerada uma “maioria” alienada e muito menos cidadãos que se sentem ameaçados nas suas conquistas, construídas com trabalho e dignidade. Ora, qualquer ideologia de princípios igualitários não pode perder de vista a sábia máxima do Cristo “a cada um segundo seus merecimentos”.

Cabe ressaltar ainda que os princípios contidos em o Livro dos Espíritos relativos às leis morais, e mesmo no Evangelho de Jesus, dão sustentação à fraternidade sem quaisquer pechas de ideologias igualitárias. Será perda de tempo valer-se da retórica vazia de que o livro “Nosso Lar” descreve uma comunidade com as falácias socialistas igualitárias, não é verdade! Pois lá se reafirma a lógica da meritocracia em que o indivíduo é abonado pelas virtudes e talentos morais conquistados. Aliás, um exemplo para qualquer sociedade de hoje ou amanhã.

Jorge Hessen

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Referência bibliográfica:

[1]           Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI, RJ: Ed. FEB

[2]           Idem

[3]           Idem

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5 Comments to “O ESPIRITISMO ANTE O MERECIMENTO E AS DESIGUALDADES”

  1. Caro Irmão!
    O seu texto é bastante expressivo com relação a economia atual. Todos nós queiramos ou não, devemos admitir que, essa ideia de igualitarismo não pode e não deve prevalecer para os terráqueos, pois sendo todos nós imperfeitos e vivendo em um Mundo de Expiação e Prova, o aperfeiçoamento moral de muitos ainda deixa muito a desejar e, também existe a livre escolha de agir, segundo a qual, toda consequência de uma escolha, somos nós os responsáveis pelos resultados do venham ocorrer. Assim sendo, toda ação tem uma reação e, precisamos evoluir muito para que, num futuro não tão próximo tenhamos condições de analisarmos o que realmente venha ser igualitarismo. Quanto ao falarmos de igualitarismo até que é fácil, porém estarmos preparados para o igualitarismo, sabemos que isso ainda não é possível.
    Elmira Alves de Almeida

  2. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Parece-nos que a máxima do Cristo é que tem a base razoável: “a cada um segundo seus merecimentos”.
    Não há mesmo como impor uma igualdade entre os homens, pois são naturalmente diferentes os indivíduos, e a inclinação para o bem é que nos torna iguais moralmente, e portanto merecedores do acolhimento, como André Luiz em Nosso Lar. Esse sim o verdadeiro crescimento com igualdade e justiça.
    Geraldo Magela Miranda

  3. PEDRO ILHO diz:

    DEUS É SÁBIO, E POR ISSO SABE O QUE FAZ; SE A RIQUEZA FOSSE DISTRIBUÍDA COM IGUALDADE, SE TODOS TIVESSEM AS MESMAS COISAS, COMO SERIA O PROGRESSO SE NINGUÉM TIVESSE COMO PRODUZIR EMPREGO? SERIA UM POVO SEM EVOLUÇÃO, SEM TER COMO PROGREDIR.

  4. E os homens não devem mesmo serem iguais, pois é necessário uma variedade de características para que a maquina planetária funcione. Agora dignidade e respeito, todos merecem. Quanto a meritocracia, se conhecem o mundo, falem. Como voces mesmo disseram:a cada um segundo suas obras.

  5. Jônatas diz:

    Se o senhor fosse realmente cristão, ficaria horrorizado mesmo com o fato de meia dúzia de especuladores gananciosos terem lançado o mundo em mais uma crise (apenas mais uma), provocando o desemprego de pais de família e outros males diversos. Ficaria espantado com o fato de 1% dos ricos deste país terem em suas mãos 99% das riquezas, sem que isso fosse de fato fruto do trabalho. Acharia uma distorção o fato de a especulação financeira gerar mais riquezas para poucos do que a produção é capaz de gerar para muitos. Não generalizaria cegamente, disseminando o ódio e chamando quem defende uma melhor distribuição da renda de materialista ateu e coisas do gênero. Lamento, mas o senhor se esqueceu da passagem em que Jesus pregou acima de tudo amor ao próximo, daquela outra em que ele aconselha o rico a se despojar do que tem para segui-lo. E também daquela em que ele diz ser mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no paraíso. Desculpe, mas o senhor não sabe o que diz.

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