O QUE PENSAR DOS DIZEM QUE "JESUS É SOMENTE O EMERGIR DE UM ARQUÉTIPO PLASMADO NO INCONSCIENTE COLETIVO" ?

Nov 29th, 2011 | By | Category: Artigos

Stephen Sawyer,  desenhista que vive em Kentucky, EUA,  autor das imagens do Cristo com peitoral tatuado, braços musculosos , recentemente publicadas na capa do jornal The New York Times,  inventou o projeto Art4God para tentar aproximar os jovens do “cristianismo”. Sawyer acredita-se um legítimo pregador (!?…) do Messias de Nazaré. Através de livros, revistas e blogs, Stephen tem viajado os Estados Unidos divulgando a sua bizarra ideologia, retratando a figura máscula de Jesus igualando-O a um super-herói.
Embora os desenhos sejam absolutamente grotescos e chocantes, é muito difícil em uma sociedade aberta, democrática e plural como a nossa, evitar expressões como essas, ou opiniões e teses, tenham elas ou não caráter histórico, científico, religioso ou moral, público ou privado. Todavia, o Espiritismo preconiza e defende a liberdade de expressão responsável, ou seja, quando exercida de forma justa e respeitosa, de modo que não venha a agredir ou desmerecer o direito de crença do seu semelhante.
A partir do momento que Deus dotou de razão o homem e lhe conferiu o livre-arbítrio, permitiu dessa forma que o mesmo abrace o caminho que espera ser o mais acertado para ele, tornando-o responsável pelas suas preferências. Quem somos nós para impor a quem quer que seja a nossa vontade, ou aquilo que acreditamos ser o melhor? Todavia , quando lemos a matéria relativa à veiculação da imagem de Jesus, igualando-O aos chamados homens “sarados”, ficamos extremamente indignados, pois guardamos a certeza de que a memória e imagem do Mestre devem ser respeitadas e veneradas no alcance máximo da liberdade  humana.
É bem verdade que os espíritas não idolatram  nenhum mensageiro em pinturas, fotos, esculturas, etc., Mas, esse comportamento de Sawyer  cremos ser uma violentação gratuita e inteiramente desnecessária como tantos outros desrespeitos já praticados sob a “proteção” da vilipendiada liberdade de expressão, que culmina atingindo o sentimento de todos aqueles que têm Jesus como exemplo de moral, caráter, bondade, amor, humildade.
No que tange à aparência de Jesus, sabe-se que atualmente não existe uma unanimidade de como ele era realmente. Mas, Públio Lentulos dizia que “Ele era belo de figura e atraia os olhares. Seu rosto inspirava amor e temor ao mesmo tempo. Seus cabelos eram compridos e louros, lisos até as orelhas, e das orelhas para baixo cresciam crespos anelados. Dividia-os ao meio uma risca e chegavam-lhes aos ombros segundo o costume da gente de Nazareth. As faces cobriam de leve rubor. O nariz era bem contornado, e a barba crescia, um pouco mais escura do que os cabelos, dividida em duas pontas. Seu olhar revelava sabedoria e candura. Tinha olhos azuis com reflexos de várias cores. Este homem amável ao conversar, tornava-se terrível ao fazer qualquer repreensão. Mas mesmo assim sentia-se Nele um sentimento de segurança e serenidade. Ninguém nunca o via rir.” (1)
“Muitos, no entanto, O tinham visto chorar. Era de estatura normal, corpo ereto, mãos e braços tão belos que era um prazer contemplá-los. Sua Voz era grave. Falava pouco. Era modesto. Era belo quanto um homem podia ser belo.” (2) Como se observa há dois mil anos havia  um Homem incomum, entre os milhões de habitantes terrestres… E Esse Homem singular veio tornar-se o centro da história da humanidade. Muito mais do que isso: Ele se tornou um marco para a história da humanidade, de tal modo que até o tempo histórico é contado tendo-O como referência.
Como se não bastasse, em meio à crescente proliferação de idéias esdrúxulas sobre o Cristo,  há infelizmente  no seio do movimento espírita os que desejam ver Jesus banido das hostes doutrinárias.  São arautos caolhos que têm deturpado  a legítima concepção  espírita sobre  o Meigo Rabi da Galiléia. São bonifrates das trevas que espalham as extravagantes idéias do tipo: “Jesus é somente o emergir de um arquétipo plasmado no inconsciente coletivo”.
Nos seus devaneios, tais títeres atestam que, de “tudo quanto a civilização cristã reteve de Jesus, nesses dois milênios, muito mais há de mito.” Enxovalham nossas mentes com afirmativa: -“Nosso Jesus não é o mítico Governador do Planeta, aquele que vive, entre Anjos e Tronos, na bela ficção literária de Humberto de Campos” e, ainda, regurgitam outras pérolas frasais como: -“Nosso Jesus, inteiramente homem, não evoluiu em linha reta” e, mais ainda, vociferam: -“Jesus não criou nenhuma nova moral. Apenas interpretou, adequadamente, aquela que sempre esteve no coração do homem por todos os tempos e lugares.”! Que talento! Tratam, o mais supremo dos seres da criação como um “João ninguém”.
Na Terra, onde se multiplicam as conquistas da inteligência (algumas resvalam e se enterram nas valas profundas das retóricas vazias) e fazem-se mais complexos os quadros do sentimento amarfanhado no materialismo, saibamos que Ele (Jesus) no campo da Humanidade [foi o único] orientador completo, irrepreensível e inquestionável, que renunciou à companhia dos anjos para viver e conviver com os homens.
Nos tempos áureos do Evangelho o apóstolo Pedro, mediunizado, definiu a transcendência de Jesus, revelando que Ele era “o Cristo, o Filho de Deus vivo” (3) . No século XIX o Espírito de Verdade atesta ser Ele “o Condutor e Modelo do Homem” (4). Para o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi “Espírito superior da ordem mais elevada, Messias, Espírito Puro, Enviado de Deus e, finalmente, Médium de Deus.”(5) Não há dúvidas que Jesus foi o Doutrinador Divino (6) e por excelência o “Médico Divino”,  segundo André Luiz. (7) Por sua vez, Emmanuel o denomina de “Diretor angélico do orbe e Síntese do amor divino”. (8)
Para a maioria dos teólogos, Jesus  é objeto de estudo, nas letras do Velho e do Novo Testamento, imprimindo novo rumo às interpretações de fé. Para os filósofos, Ele é o centro de polêmicas e cogitações infindáveis. Para nós espíritas, Jesus foi, é e será sempre a síntese da Ciência, da Filosofia e da Religião. “Tudo tem passado nestes dois mil anos, na Terra- mas a [Sua] Palavra brilha como um Sol sem ocaso, guiando as ovelhas tresmalhadas, os cordeiros perdidos do Rebanho de Israel à porta do aprisco, para restituí-los ao Bom Pastor”. (9)
O Espiritismo vem colocar a Mensagem do Cristo na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas, mas, vejamos bem, sem abandonar, sem deixar de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus, ou seja o sentimento sublimado, demonstrando assim que o sentimento e a razão podem e devem caminhar pela mesma via, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do ser humano.
Inobstante não ser a experiência humana uma estação de prazer, por isso, continuemos trabalhando no ministério do Cristo, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem violências e presunções, Ele foi tido por imprudente e rebelde, transgressor da lei e inimigo da população, sendo escolhido por essa mesma multidão para receber com a cruz a gloriosa coroa de espinhos, mas sob o influxo do bom ânimo Ele venceu o mundo!
O Cristo é o modelo de virtudes para todos os homens . E mais ainda. Jesus Cristo é incomparável em face da dedicação e a santidade que Ele dispensa à Humanidade. Nós, que ainda estamos mergulhados nos pântanos das questiúnculas teológicas , não temos parâmetros para avaliar a Sua magna importância para o Espiritismo, isto porque a Sua excelsitude se perde na escura bruma indevassável dos milênios. Dizemos mais: O Espiritismo sem Jesus pode alcançar as brilhantes expressões acadêmicas, mas não passará de atividade fadada a modificar-se ou desintegrar-se, como todas as conquistas superficiais da Terra. E o espírita cristão, que não cogitou da sua iluminação com o Evangelho do Mestre, pode ser virtuose da inteligência, Phd de qualquer coisa e filósofo, com as mais subidas aquisições científicas, mas estará sem bússola e sem norte no momento do “furacão” inevitável da dor moral.
Temos dito!
Jorge Hessen
Jorgehessen.net

Referências bibliográficas:

(1)    Descrição tradicional feita pelo pró-consul Públios Lentulos
(2)    idem
(3)    Mt 13, 16-17.
(4)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, pergunta 625
(5)    Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 1998, XV, item 2
(6)    Xavier, Francisco Cândido. Os Mensageiros, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, cap. 27)
(7)    Xavier, Francisco Cândido. Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB 2003, cap. 18
(8)    Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB 2001, 283 e 327.
(9)    SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e ensinos de Jesus, SP: ed. O Clarim- Matão, 1993, p. s/n

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