ONDE DEFLAGRE A VIOLÊNCIA, O ESPIRITISMO FAZ-SE ESTEIO DA EDUCAÇÃO

Fev 3rd, 2015 | By | Category: Artigos

educação e pazA violência urbana ocorre na maioria das sociedades modernas em face do “consumo” do subproduto da agressão potencializada pela televisão, rádio, jornal, revista, mídias tecnológicas. Há diversos tipos de violências que normalmente sugerem ações organizadas de jovens que agem em grupo contra o patrimônio material e pessoas, comumente unidas às quadrilhas que demarcam territórios. A selvageria do homem civilizado tem as suas raízes profundas e vigorosas na mata espessa da violência. O homo brutalis tem as suas leis: subjugar, humilhar, torturar e matar. 

O utilitarismo das sociedades contemporâneas robotizou o homem, tornando-o um autômato inconsequente. O mesmo “cristão” que se prostra diante das imagens frias dos altares das igrejas ou na idolatria pela Bíblia “decorada” nos templos, volta ao seu posto de mando para ordenar torturas canibalescas. O homem contemporâneo vive atormentado pelo medo, esse inimigo atroz que o assombra. Uma vez submetido às contingências da vida atual, de insegurança e de incertezas, sofre como resultado em transtornos graves da mente, pela angústia dissolvente da própria individualidade.
Diz-se que o Oriente Médio é uma área violenta. Sim, é verdade, porém a América Latina é uma das áreas mais brutais e arriscadas da Terra, conforme demonstra o portal Business Insider. Das 50 cidades mais violentas ao redor do mundo 16 estão no Brasil. A “Pátria do Evangelho” é grande produtora de armas (contrastando com o compromisso espiritual) por isso cremos que proibir sua comercialização no mercado interno é prática recomendável, pois o problema seria atacado diretamente em sua origem. (1) No “Coração do Mundo” o homicídio é o crime mais comum. Além dos assassinatos, o tráfico de drogas, guerras de gangues, instabilidade política, corrupção e a pobreza influenciam na alta violência nas cidades listadas pelo portal Business. (2)
Obviamente esta análise é restritiva, e tende a reforçar as diversas variáveis que pesam nos distintos atores que agem com brutalidade, sendo que as formas de selvageria empregadas e sua intensidade variam muito. Portanto, o aumento da violência que se conhece desde o pós-guerra não é imputável a uma categoria específica de indivíduos, mas a uma generalização dos comportamentos agressivos nas diferentes camadas da população.
Não se pode desconsiderar esses outros tipos de violências (não menos impactantes) como as que ocorrem diariamente no trânsito, as violências sexuais , os maus tratos infantis ou as agressões conjugais . Muitos conflitos que antes se manifestavam em afrontamentos sangrentos atualmente foram transmutados nos diferentes tipos de agressivas competições esportivas.
Todos tememos a violência, obviamente. Muitos erguem altos muros com fios eletrificados ao redor de suas residências, tentando manter a paz doméstica. Contratam seguranças para protegerem suas empresas e seus lares. Instalam equipamentos sofisticados que os alertem da chegada de eventuais usurpadores de seus bens. Contudo, existe outro tipo de violência a que não damos atenção: é a que está fincada dentro de cada um de nós. Violência íntima, que alguns alimentam, diariamente, concedendo que ela se torne animal voraz.
Paradoxalmente, pregamos a paz produzindo ogivas, canhões assassinos; cobiçamos resolver os problemas sociais ativando a edificação dos presídios e bordéis. “Esse progresso é o da razão sem a fé, onde os homens se perdem em luta inglória e sem-fim”. (3) A atual situação de violência, maldade, injustiça, opressão dos poderosos sobre os fracos, tanto em nível de pessoas, como instituições e países, certamente terá que ceder lugar a uma nova era de paz, harmonia, fraternidade e solidariedade.
Uma das soluções para a criminalidade seria desarmar a população brasileira através da proibição do comércio de armas de fogo em todo o País, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal e estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituídas, na forma prevista em Lei. Naturalmente não somos ingênuos de ajuizarmos que a tão somente restrição (proibição) do uso de armas de fogo, por si só, equacione definitiva e imediatamente o problema da violência. Sabemos. É óbvio que a arma de fogo pode ser substituída por outras, talvez não tão “eficientes”. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos marginais e fazendo suas vítimas. Por isso, urge meditar que devemos aprender a nos defender , desarmando, antes de tudo, nossos espíritos e isto só se consegue pela prática do amor e da fraternidade.
É certo que a sociedade de hoje não está reduzida a ruínas irrecuperáveis. “O espírita é chamado à função da viga robusta, suscetível de mostrar que nem tudo se perdeu. Há quem diga que a Humanidade jaz em processo de desagregação. O espírita é convidado a guardar-se por célula sadia, capaz de abrir caminho à recuperação do organismo social. O espírita, onde surja a destruição, converte-se em apelo ao refazimento; onde estoure a indisciplina, faz-se esteio da ordem e, onde lavre o pessimismo, ergue-se, de imediato, por mensagem de esperança.” (4).
Por isso, a solução que a Doutrina Espírita apresenta para a violência é a educação em seu amplo aspecto. O Espiritismo, essencialmente educativo, conclama-nos ao amor e à instrução que poderão formar uma nova mentalidade entre os homens. Até porque a violência é o fruto espúrio da ignorância humana. Remanescente da agressividade animal explode na natureza graças às bases do egoísmo, o câncer moral que carcome o organismo social. O antídoto ao egoísmo é o altruísmo (amor ao próximo, abnegação). Por consequência, a melhor maneira de tornar uma sociedade justa e altruísta é a educação das gerações novas. Sabendo que, através da educação, formaremos caracteres saudáveis, deveremos investir tudo nesta obra libertadora, que é uma das mais elevadas expressões da caridade.

Jorge Hessen

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Notas e referências bibliográficas:
(1) Hoje, no Brasil, existem três empresas fabricantes de armas de fogo de onde grande parte de sua produção é destinada à exportação.
(2) Disponível em http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/as-50-cidades-mais-violentas-do-mundo-brasil-tem-16-na-lista/ar-BBdyjVo?ocid=mailsignout, acessado em 01/02/201
(3) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditada pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB, 2001, perg 199.
(4) Xavier. Francisco Cândido. Livro da esperança, ditado pelo Espírito Emmanuel, Uberaba/MG: Ed CEC, 1964

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5 Comments to “ONDE DEFLAGRE A VIOLÊNCIA, O ESPIRITISMO FAZ-SE ESTEIO DA EDUCAÇÃO”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Para mim, toda essa violência a que assistimos até hoje – sabe-se lá até quando – é fruto do egoísmo humano, ainda selvagem.
    E só educando mentes e corações é que essa canibalização será erradicada; quando todo o conjunto da sociedade perceber que os indivíduos, embora que diferentes e únicos, são complementares, não contrários, e portanto não digladiantes ou beligerantes.
    O fato de o indivíduo pensar como católico não anula o pensamento de um evangélico ou de um muçulmano, embora eu pense que o ideal é que raciocinássemos como espíritas.
    Educação espírita é luz, este sim o caminho que todos precisamos descobrir. Através dela, da verdadeira educação, descobriremos a razão de nossa participação no palco da vida, seja como encarnados seja como espíritos puros. Mas todos filhos e irmãos.
    Geraldo Magela Miranda

  2. JORGE HESSEN diz:

    Prezadíssimo Jorge Hessen,
    Recebo todas as suas postagens, leio a todas elas e admiro muitissimo este trabalho que você faz, divulgando a Doutrina Espírita de que sou um humilde (per) seguidor, pois ainda não tive (e não tenho) a abnegação e o despreendimento necessários para entender e perdoar as vaidades de muitos que atuam nas Casas Espíritas. Assim, tento estudar, aprender e praticar (dentro das minhas forças e convicções) esta Doutrina Abençoada codificada por Kardec.
    Algumas de suas postagens eu compreendo, outras, simplesmente não consigo, mas comumente, as repasso para meus amigos (muitos deles, como eu, (per) seguidores do Espiritismo).
    Esta, especialmente, me chamou a atenção… E eis o que enviei para meus Amigos.
    Um carinhoso, respeitoso e fraterno abraço,
    Nilton

    Às vezes, eu não consigo entender…
    Concordo que a educação (espiritual) é fundamental, mas para educar é necessário um esforço de quem quer educar e uma prédisposição de quem precisa receber essa educação… Aqui está o Paradoxo…
    Neste texto do Hessen, ele fala em ‘desarmamento’… Mas o problema não está só no desarmamento… Para mim, o problema está na ABSOLUTA IMPUNIDADE, desde daquele simples ato de Jogar o Lixo (ou entulho) numa rua deserta ou terreno baldio, até o assassinato, o estupro, passando pela corrupção desenfreada que começa com um ‘cafézinho’ para o ‘guarda no trânsito’ e chega aos 3% em propina do PTroubras…
    Tenham um dia ILUMINADO.
    Um abraço,
    Nilton

  3. Caro Milton,
    Bom irmão.
    Agradeço o retorno tão generoso. Considero seu comemntário muito justo e inteligente por isso publiquei abaixo do artigo no espaço para comentário.
    Preliminarmente não discordo dos seus arrazoados , todavia urge propor mínimas considerações. A educação de uma forma global (não restrito somente ao universo espiritual). Reenfatizo que devemos aprender a nos defender , desarmando, antes de tudo, nossos “espíritos” e isto só se consegue pela prática do amor e da legítima fraternidade.
    Não tenho dúvida que a solução para a cega violência em seus vários matizes é a educação na sua mais ampla proposta (cultural, espiritual, social, consciência para a cidadania, etc). Eis aí o desafio que nos remete ao amor e à instrução “regular” propondo transformações de consciências brutalizadas.
    Entendo que a violência é o espelho da ignorância, portanto, conhecer a “verdade” espírita somado à sensata educação “regular” é caminho seguro para a paz social e uma das subidas expressões da caridade.

  4. Regina Ribeiro diz:

    Querido Jorge…

    Cada vez mais e a cada informação e conhecimento que me chega a respeito de nós mesmos..espíritos infinitos…. sei que o começo e o fim dessa (ou será desta?) violência toda reside em nós mesmos. O trabalho singelo que você apresenta a cada um de nós , Jorge, através dessas palavras claras, só fortalecem a certeza de que devemos nos aprofundar no nosso auto descobrimento , a fim de que possamos, finalmente, enfrentar , confrontar e superar nosso primitivismo, dando um passo de cada vez, na direção do nosso aprimoramento e por consequencia a tão almejada paz mundial.

  5. NOEVAL DE QUADROS diz:

    Caro Jorge. Identifiquei-me com o seu artigo. Preocupa-me o fato de que a Câmara dos Deputados, por uma Comissão Especial, aprovou no final do ano de 2015 – meio sem alarde – o parecer sobre o Projeto de Lei 3722/2012, que revoga o Estatuto do Desarmamento e cria, em seu lugar, a Lei de Controle de Armas. Está pronto para ser votado, agora pelo Plenário. Cada pessoa poderá ter até 6 armas e adquirir 100 munições para cada uma delas, por ano. Para autodefesa? Além disso, reduziu a idade para aquisição de armas para 21 anos e permite que pessoas que respondem a inquérito policial ou ação criminal também adquiram. Demais, várias outras classes profissionais passaram a ter porte de arma. A quem interessam estas mudanças, senão a um nicho de mercado de um país que é um dos maiores fabricantes de armas do mundo? E, curioso, a população aplaude estas medidas, entendendo que terá como se defender melhor dos bandidos. Será? Se quase 1/3 das 50 cidades mais violentas está no Brasil, como mostrou seu artigo, baseado em recentes estudos internacionais, será que estamos caminhando para ensarilhar as armas, ou para agravar nossas responsabilidades espirituais?

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