OS DONS DA “BRUXARIA” (MEDIUNIDADE!)

Abr 8th, 2016 | By | Category: Artigos

bruxaUma menina de seis anos, que sofria de albinismo, foi encontrada morta e com seus membros cortados no Burundi , na África. Eis aí um caso de assassinato, segundo autoridade policial local, motivado por rituais de feitiçaria. Acredita-se que os órgãos das pessoas com essa desordem genética são usados para fazer poções mágicas, a fim de garantir a juventude, a riqueza e o poder às pessoas que nela creem. Estamos diante da condição, extremamente, primitiva do ser humano que cultua tais crenças.

Anja Ringgren Lovén, ativista dinamarquesa, foi a responsável por salvar Hope, um garotinho africano da Nigéria de dois anos que foi abandonado pela família sob o estigma de ser a encarnação de um “bruxo” (médium!). Depois de passar oito meses morando na rua, Hope foi resgatado por Ringgren e, aos poucos, recuperou-se de um avançado estado de desnutrição. A dinamarquesa fez um magnífico serviço de socorro, sem dúvida, mas analisemos a questão pelo ponto de vista do sortilégio tão temido por diversas família africanas.

Na Idade Média, eram santos e santas, quando se afinavam à cartilha religiosa da época, ou então, feiticeiros e bruxas, recomendados à fogueira ou à forca, quando  não se ajustavam aos preconceitos do tempo em que nasceram. O Papa João XXII, em 1326, autorizou a perseguição às bruxas sob o disfarce de heresia. O Concílio de Basileia (1431-1449) apelava à supressão de todos os males que pareciam arruinar a Igreja. Em 1484 o Papa Inocêncio VIII promulgou a bula Summis desiderantes affectibus, confirmando a existência da bruxaria. No mesmo ano foi lançado o livro Malleus Maleficarum, pelos inquisidores Heinrich Kraemer e James Sprenger. Com 28 edições, esse volumoso manual se tornou uma espécie de bíblia da caça às bruxas. Contudo, Benedict Capzov, um fanático luterano, foi responsável pela morte de aproximadamente 20.000 “bruxas”, apoiando-se na “lei” do Êxodo (22,18); “Não deixarás viver a feiticeira”.

No Brasil, no mês de outubro de 1890, foi promulgado o Código Penal da República, que, maliciosamente, associa a prática do Espiritismo aos rituais de magia e adivinhações. O texto dizia o seguinte, no Artigo 157: “É crime praticar o Espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismãs e cartomancia (…), inculcar curas de moléstias (…) e subjugar a credulidade pública. Pena: prisão celular de 1 a 6 meses e multa de 100 a 500 $;. Os espíritas reclamaram com Campos Sales, Ministro da Justiça da época, mas nada adiantou. O relator do Código, João Batista Pinheiro, limitou-se a dizer que o texto se referia à prática do “baixo” Espiritismo, como se existissem dois Espiritismos.

Na verdade, os republicanos utilizaram os espíritas como bodes expiatórios para diminuir a oposição católica ao novo regime, causada pelo desatrelamento entre a Igreja e o Estado. Como consequência do Código, vários companheiros foram presos em 1891, no Rio de Janeiro. Preocupado com possíveis focos de resistência ao regime, o Governo autorizou a polícia a invadir reuniões e residências à procura de opositores. Para evitar confusões, muitos centros decidiram fechar, temporariamente.

Paulo de Tarso escreveu aos coríntios, “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo. 

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, a fé; e a outro, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os Espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.” [1]

Atualmente há médiuns tidos como (“bruxos”!) de todos os matizes, em largas expressões, a saber: psicógrafos, clarividentes, clariaudientes, curadores, poliglotas, psicofônicos, materializadores, intuitivos etc. Paulo de Tarso foi admirável médium de clarividência e clariaudiência, às portas de Damasco, ao ensejo de seu encontro pessoal com Jesus. Todavia, não podemos esquecer que os subjugados – os doentes mentais e os obsedados de todos os graus – que enxameavam a estrada dos tempos apostólicos, eram também médiuns (“bruxos”!).

Jorge Hessen

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Referência:

[1]           I Cor., 12:1 a 11

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2 Comments to “OS DONS DA “BRUXARIA” (MEDIUNIDADE!)”

  1. Irmãos W diz:

    Olá

    Caros amigos!!!

    Se notarmos na história…

    A Igreja Cristã primitiva dos 3 primeiros séculos…

    Era muito parecida com O Espiritismo….Não existia padres que direncionavam…

    A Igreja Cristã…Queria ser a monopolizadora da verdade….na Idade Média…

    E matou e queimou quem desafiasse as bulas papais…Através da Santa Inquisição…

    E chegou até criar um manual para a caça as bruxas…

    Malleus Maleficarum Maleficat (O Martelo das Bruxas)

    Atualmente com a evolução da humanidade não se comporta mais estes pensamentos…

    O Espiritismo veio alargar o entendimento da vida…

    Nos mostrar que os bruxos de antigamente era médiuns somente…

    Que foram estudados e catalogados por Allan Kardec através da Codificação Espírita…

    Sendo assim…

    Vamos estudar…

    Irmãos W

  2. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Bem, meu caro Jorge, a ignorância existe em todos os tempos, não?
    Curioso que ainda vejamos tanta barbárie em pleno século XXI, e que se confunda espiritismo com bruxaria.
    Geraldo Magela Miranda

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