Perante os filhinhos que retornam para o além

Nov 29th, 2018 | By | Category: Artigos

 

0000000000000006Efetivamente, ninguém está preparado para receber a notícia de que o filho tem câncer, ainda mais quando se trata de uma criança. E nada é capaz de preparar um pai e uma mãe para ver essa criança perder a batalha. Em Lancashire, na Inglaterra, o menino Charles Proctor, de 5 anos, pediu “desculpas” à mãe antes de falecer em seus braços. Ele tinha um tipo raro de câncer e desencarnou no colo de sua mãe, Amber Schofield.

No mês de novembro de 2018, Schofield, 24 anos, segurava o pequeno Charles no colo, quando ele deu seu último suspiro. Em um post emocionado na página que criou no Facebook para contar a história do garoto e pedir ajuda financeira para que ele pudesse realizar um transplante nos Estados Unidos, ela relatou que, algumas horas antes de desencarnar, o menino disse a ela: “Mamãe, me desculpe por isso”. [1]

É dificílimo imaginar o tamanho da angústia pela qual passou Amber Schofield. Só quem viveu situações semelhantes pode descrever. Imaginemos a aflição da mãe ao ouvir o pedido de “desculpas” do filho, por uma situação da qual ele não tinha controle algum, apenas por vê-la sofrer. Todavia, a dignidade que Schofield experimentou, sem revolta e com humildade, demonstrou o quanto ela estava preparada para a situação.

Foi-se o corpo de Charles, não sua essência, o espírito imortal, que o corpo habitava. Há muitas pessoas que passam por experiência análoga, porém revoltam-se e blasfemam.

No século XIX, Allan Kardec inquiriu aos espíritos: “qual a utilidade das mortes prematuras?”. E os Benfeitores responderam: que “a maioria das vezes servem como provação para os pais.” [2] Todavia, alguns insistem em dizer que é uma terrível tragédia ver uma vida, tão cheia de esperanças, ser ceifada prematuramente.

Pacifiquemos a consciência em vez de nos infelicitarmos quando for dos desígnios de Deus retirar um de nossos filhos deste planeta de provas e expiações. Concebemos que muitas situações chamadas de infelicidade, segundo apressadas interpretações, cessam com a vida física e encontram a sua compensação na vida além-túmulo.

Há casos de desencarnações precoces que não estão inseridos no processo de consequências naturais das escolhas do passado delinquente e configuram sim, ações meritórias de Espíritos missionários que renascem para viverem poucos anos em contato com a carne em função de tarefas espirituais relevantes. Sobre isso, o Espirito André Luiz escreveu o seguinte: “Conhecemos grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo, simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais, recobrando, logo após o serviço levado a efeito, a respectiva apresentação que lhes era costumeira.” [3]

Emmanuel, com a nobre sensibilidade que lhe assinala o modo de ser, considera que “nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.” E acentua, convincente: “Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia. [4]

Porém, ante aqueles que demandam a Vida na Espiritualidade, o comportamento do espírita é algo diferente, ou pelo menos deve ser diferente, variando contudo de pessoa a pessoa, com prevalência, evidentemente, de fatores ligados à fé e à emotividade. Chora, discreto, mas se fortalece na oração. Na certeza da Imortalidade Gloriosa, reprime o pranto que desliza na fisionomia sofrida, porém busca na Esperança uma das virtudes evangélicas, o bálsamo para a saudade justa.

O Espírita sincero jamais se confia ao desespero. “Não cede aos apelos da revolta, porque revolta é insubordinação ante a Vontade do Pai, que o espírita aprende a aceitar, paradoxal e estranhamente jubiloso, por dentro, vergado embora ao peso das mais agudas aflições.” [5]

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

 

Referências bibliográficas:

[1]       Disponível em https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/2018/11/13/garoto-de-5-anos-pede-desculpas-a-mae-ao-morrer-de-cancer-em-seus-bracos.htm?cmpid=copiaecola      acesso em 25/11/2018

[2]     KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001 questão n° 346 a 347

[3]     XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB 1988 Xavier

[4]       PARALVA, J. Martins. O PENSAMENTO DE EMMANUEL, RJ: Ed FEB, 1990

[5]       Idem

 

 

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2 Comments to “Perante os filhinhos que retornam para o além”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    É, Jorge, mas isso não é fácil pra ninguém, ou para muito poucos.
    Creio que num momento grave como esse, fica difícil para o encarnado, sobretudo pai e mãe, ponderar sobre esses fundamentos espirituais.
    Como seres humanos, tendemos ao apego pelo ser amado, gerado a partir de nós, e portanto parte da gente. Nesse momento, compreender os desígnios da “ordem espiritual” representa tarefa difícil, justamente pelo vínculo estreitíssimo que mantemos com esse nos deixa de modo tão precoce.
    Haja compreensão e lucidez espiritual para manter o coração sem tamanho abalo e sofrimento.
    Geraldo Magela Miranda

  2. PEDRO ILHO diz:

    Em primeiro lugar, a perda de um ente querido de 5 anos, ou seja lá qual idade for, é uma provação para os pais e sofrimento para toda a família de um modo geral. É quando o espírito completa a existência última que teve, mas para o pai e a mãe o que importa isso, ele quer é o seu filho em condições saudáveis, coisas que muitas vezes tem que se cumprir a Lei de Deus.

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