REFLEXÕES ESPÍRITAS SOBRE A EXISTÊNCIA DE VIDAS FORA DA TERRA

Jul 22nd, 2010 | By | Category: Artigos

O astrofísico Carl
Sagan(1) encarou o assunto da pluralidade dos planetas habitados sem
estardalhaço e com  muita seriedade. Ouçamos seu testemunho: “descoberta
da inexistência de micróbios em Marte era questão extremamente importante.
Estamos sozinhos no universo ou há outros seres? Existem micróbios em outros
mundos? E vida inteligente? Não há respostas fáceis, não basta pousar uma vez
em Marte para saber se existem por lá uns seres esverdeados ou não. Como
poderíamos, hoje, concluir que não há vida no resto do universo se existem 400
bilhões de sóis apenas na Via Láctea, a galáxia em que está a Terra, e se há
pelo menos mais 100 bilhões de galáxias além da nossa? A química que produz a
vida é reproduzida facilmente por todo o cosmo. Por que seríamos tão
privilegiados? O universo é três vezes mais velho que a Terra; devem existir,
portanto, lugares em que houve mais tempo para a evolução biológica que em
nosso planeta. Parece improvável que sejamos os únicos seres inteligentes.  É
possível, mas é improvável.”(2)
Nos EUA a NASA tem
informado que há uma calota rica em gelo polar com  aproximadamente 1.000 km no planeta Marte. 
Nessa linha de descobertas, recentes análises identificaram que o oceano da lua
“Europa”, na órbita de Júpiter, descoberta em 1610 por Galileu
Galilei, deve ter mais oxigênio do que os oceanos da Terra, segundo “Richard
Greenberg, cientista da Universidade do Arizona.”(3) Essa descoberta é
uma pista de que o satélite jupteriano tem o poder de abrigar vida, como na
Terra, mesmo que seja apenas microbiana. A lua Europa, que tem aproximadamente
o mesmo tamanho da Lua da Terra, tem um oceano com cerca de 160 km de profundidade. Pelo
que sabemos a partir da Terra, onde há água existe chance de ter vida.
 No livro
“Cartas de Uma Morta”, o Espírito Maria João de Deus, mãe de Chico
Xavier, descreve aspectos interessantes e surpreendentes sobre a vida noutros
orbes.  Em “Novas Mensagens”, livro ditado pelo Espírito Humberto
de Campos, nos traz informações interessantes sobre a vida marciana. Sabemos
que até hoje as mais variadas incursões científicas (através de sondas
espaciais) não foram capazes de comprovar vida por lá. Diversas imagens nos
foram transmitidas, entretanto, em momento algum foram encontrados quaisquer
indícios de vida orgânica, como a temos na Terra. Destarte, a que dimensão de
vida, se referiram os Espíritos Humberto de Campos e Maria João de Deus em suas
narrativas?
Muitas revelações
demonstram contradições “aparentes” sobre vida em outros mundos,
por isso, Kardec, cautelosamente, ao tratar da vida humana
“material” fora da terra, procurou não adentrar em minúcias,
seguindo pela análise do viés moral dos habitantes de outros orbes. O mestre de
Lyon indagou aos Benfeitores: “Os seres que habitam os diferentes mundos
têm corpos semelhantes aos nossos?” Os Mentores explicaram: “Sem
dúvida possuem corpo, porque é preciso que o Espírito esteja revestido de
matéria para agir sobre a matéria. Porém, esse corpo é mais ou menos material,
de acordo com o grau de pureza a que chegaram os Espíritos. E é isso que
diferencia os mundos que devem percorrer; porque há muitas moradas na casa de
nosso Pai e, portanto, muitos graus.” (4) O Codificador insiste na
indagação: “Há mundos em que o Espírito, deixando de habitar um corpo
material, tem apenas como envoltório o perispírito?” Os de
“lá” explicaram: “Sim, há. Nesses mundos até mesmo esse
envoltório, o perispírito, torna-se tão etéreo que para vós é como se não
existisse.”(5)
Em verdade a
Doutrina Espírita, em seus princípios, preconiza a pluralidade dos mundos
habitados. Em “O Livro dos Espíritos” no cap. III (Da Criação,
questões 55 a
58), deixa claro essa possibilidade, mostrando a importância do assunto, bem
como em outras obras da Codificação.  “Deus povoou de seres vivos os
mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência.
Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de
Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de Ele ter dado
uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há,
nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa
induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão
de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes”.(6) Aprendemos com
os Espíritos que “há mundos cujas condições morais dos seus habitantes
são inferiores às da Terra; em outros, são da mesma categoria; há mundos mais
ou menos superiores e, finalmente, há aqueles nos quais a vida é, por assim
dizer, toda espiritual.”(7) Aliás, até mesmo o Sol, embora não tenha
habitantes; “contudo, é local de reunião de espíritos
superiores.”(8)
Desde as mais
remotas eras, o Universo tem nos mostrado sobre a possibilidade de existência
de vida fora da Terra. O bom senso nos impõe a certeza de que Deus não ergueria
bilhões de corpos celestes apenas para nosso deleite visual noturno.   Emmanuel,
no livro “A Caminho da Luz”, narra sobre um sistema planetário
distante da Terra (cerca de 42 anos-luz), localizada na Constelação de Cocheiro
que, entre nós, foi batizado pelo nome de Cabra ou Capela. Segundo o Benfeitor,
“há muitos milênios, um dos orbes de Capela, que guarda muitas afinidades
com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários
ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho
da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles
povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os
alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a
edificação dos seus elevados trabalhos. As grandes comunidades espirituais,
diretoras do Cosmos, deliberam, então, localizar aquelas entidades, que se
tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a
realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas
do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos
inferiores.”(9)
Ressalte-se, porém,
que, muito embora decaídos moralmente, aquela falange de exilados manteve em
seu inconsciente todos os progressos intelectuais e formaram desse modo o grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de
Israel e as castas da Índia. Cremos que seres de outros sistemas
planetários, ainda hoje, têm reencarnado na Terra.  Na questão 172, de O Livro
dos Espíritos, Kardec perguntou: “As nossas diversas existências
corporais se verificam todas na Terra?” os Espíritos responderam:
“Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as
primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais distantes
da perfeição.” (10) De acordo com o ensinamento dos Espíritos, de todos
os globos que compõem o nosso sistema planetário, “a Terra é onde os
habitantes são menos avançados, tanto física como moralmente.”(11)
A Astrofísica
demonstra que a matéria do nosso planeta tem os mesmos elementos químicos dos
astros distantes. As leis físicas daqui são exatamente as mesmas que vigoram
lá. Não há mais razão para negar ou afirmar que a Terra é o único planeta
habitado do Universo. Até porque desde toda a eternidade Deus criou mundos
materiais e seres espirituais, pois se assim não fora tais mundos careceriam de
finalidade.”(12)
Jorge Hessen
Fontes:
(1) Ex-diretor
do Laboratório de estudos Planetários e professor de Astronomia da Universidade
de Cornell de Ithaca. Autor de obras de divulgação científica de grande
sucesso. Foi conselheiro científico da NASA e colaborou nos programas das
sondas planetárias Viking e Voyager
(3) Disponível
em http://Space.com
(4) Na
questão 181
(5) Kardec,
Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questão 186
(6) Idem
questão 55
      (7) Kardec, Allan; O
Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2001, 3º Cap. itens 3
e 4
(8) Kardec,
Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questões 172 a 188
      (9) Xavier, Francisco
Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro, 1999
(10) Kardec,
Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questão 172
(11) idem 
188
(12) Kardec,
Allan.  A Gênese, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2003, Cap. XI, n°s 7 a 9

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4 Comments to “REFLEXÕES ESPÍRITAS SOBRE A EXISTÊNCIA DE VIDAS FORA DA TERRA”

  1. Edu diz:

    Os Espíritos Benfeitores contradizem a NASA. O Espiritismo contradiz a NASA, sim. Não se conhece, até hoje, nenhuma psicografia — nem de um mistificador — onde o Espírito tenha afirmado que a vida em Marte é invisível. A ideia de que a vida, em Marte, pertence a uma outra dimensão é feita, pensada e divulgada por dirigentes e escritores de artigos espíritas, não pelos Espíritos. É necessário que a FEB nos traga uma mensagem atual dos Guias Espirituais para a seguinte questão: A vida física, em Marte, é como a conhecemos ou não?

  2. Pacheco diz:

    Amigo espírita,
    Tenho um trabalho, realizado depois de muitos anos de estudo e pesquisa. Criei um Blog chamado http://espiritismotransplanetaria.blogspot.com.br/
    e estou aceitando críticas e sugestões. Nele, provo que a vida em Marte não pode ser invisível nem somente espiritual, segundo o ensinamento dos Espíritos.
    Muito obrigado.
    Saudações fraternas.

  3. Renato diz:

    Aos amigos espíritas ou não espíritas,
    Venho demonstrar minha opinião sobre o assunto sobre vida em outros planetas, que coloca espiritismo e ciência em contradição. Mas , eis que em 1986 foi descoberta na Romênia uma caverna com uma atmosfera totalmente diferente do resto do planeta; lacrada; sem luz, mas que vivem ali dezenas de espécies de animais.
    http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/05/cientistas-exibem-insetos-que-vivem-em-caverna-ha-55-milhoes-de-anos.html.
    Leiam e reflitam sobre vida fora da Terra.
    Obrigado.

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