Sessões para os “curandeirismos” ilusórios

Dez 14th, 2018 | By | Category: Artigos

ARIGO

Kardec não priorizou o estudo específico da mediunidade de “cura” nas obras da  Codificação, a rigor, jamais  tocou no assunto sobre “cirurgiões do além”. Em face disso, é inteiramente contraditório e lamentável a forma de como alguns centros espíritas propõem sessões de “cura especial” através da incorporação de “espíritos cirurgiões” por meio de alguns médiuns “especiais”.

Não ignoramos os efeitos relativamente atraentes contraídos por alguns incomuns médiuns de “cura”, contudo não entendemos como imprescindível e nem valorizamos esse tipo de mediunidade. As práticas mediúnicas fora das orientações de Kardec, são sempre espetacularizadas e não devem colonizar as instituições espíritas.

Em que pese terem despertados curiosidades de cientistas e estudiosos no Brasil e no exterior em face do uso de apetrechos cirúrgicos estranhos , alguns até mesmo enferrujados, doutrinariamente jamais identificamos nas mediunidades de José Arigó, Rubens Faria, Edson Queiroz, João de Deus e semelhados como “médiuns” imprescindíveis para propagação dos princípios espíritas, não obstante seja o Espiritismo capaz de explicar as intervenções de “médicos do além” nos fenômenos de “cirurgias espirituais”.Obviamente quando os médicos encarnados compreenderem o valor da mediunidade (em suas várias tipificações) e sobretudo da obrigatoriedade de mudança de comportamento moral do homem, a medicina terrena ampliará o seu poder terapêutico.

Não somos dos que aceitam ou deixem de aceitar um centro espírita sem “espíritos”, mas cremos que a legítima mediunidade transformadora, a da cura legítima e concreta, é a mediunidade da mudança de conduta, mediunidade do amor ao próximo, mediunidade da caridade, mediunidade da paciência, mediunidade da tolerância, mediunidade da benevolência, mediunidade da indulgência e mediunidade do perdão. Ou seja, uma instituição espírita também pode funcionar impecavelmente sem absoluta necessidade da mediunidade com “desencarnados”.

Um Centro espírita  bem  orientado  não privilegia ou destaca  os fenômenos mediúnicos ditos “ostensivos”, especialmente aqueles agrupamentos espíritas imprudentes que apenas oferecem tratamentos de “cura” espiritual ou físico . A legítima instituição espírita deve priorizar (acima de tudo e de todos) as reflexões pelos os estudos, especialmente do Evangelho e ponto!

Ah! Vociferam alguns, há muitos sofredores no mundo. Sim e daí? É óbvio que ninguém sofre os ressaibos das dores por prazer, mas a dor não provém de Deus, pois é apenas reflexo de quem erra e ponto! E quem não erra? Portanto, todos nós sofremos algum tipo de dor. Por isso, ofereçamos nas casas espíritas o Evangelho, eis aí o remédio para todas as dores.

Fazer uso da mediunidade sem o adequado entendimento dos seus perigos pode levar a distúrbios mentais. Não estamos recriminando a mediunidade, todavia refletindo-a melhor, propondo enxergar maiores finalidades através do intercâmbio com o além tumulo.

Ora, se a mediunidade está presente no cotidiano de cada um e se manifesta por diversas fontes e foi herdada nessa longa trajetória evolutiva que percorremos, ela deve ser aproveitada como potencial de transformação pessoal sem qualquer necessidade de apelos invocatórios e  sistemáticos aos irmãos do além. Sim!! Nossa reforma íntima é o salvo-conduto para a espiritualidade e não a mediunidade ostensiva.

Recordemos que os Espíritos não estão à nossa disposição para promover curas de patologias que quase sempre são providências corretivas para nosso crescimento espiritual no buril expiatório.

Em resumo, os dirigentes de Centros espíritas deveriam promover as bases de estudos e reflexões sobre as propostas do Evangelho, em vez de prestigiarem sessões inócuas para os “curandeirismos” ilusórios.

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

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4 Comments to “Sessões para os “curandeirismos” ilusórios”

  1. Oswaldo diz:

    Sr. Jorge, Excelente posição, e mais do que isso há de ressaltar que a verdadeira e primordial vocação de uma Casa Espírita, é dar licitamente o conhecimento da Doutrina legada por Kardec, e sempre a Luz do Evangelho. Essa espetaculização de fenômenos já começa no absurdo objetivo de muitas Casas em formar trabalhadores “médiuns” a qualquer custo e sem a plena vocação de taletos. Formam, planejam e se esmeram em forjar a imagem de que todo espírita há de ser médium de forma ostensiva…; enquanto o verdadeiro Espiritismo prega a reforma intima como base a TODAS questões e daí que surgirão efetivos trabalhadores que de fato atuarão como medianeiros ao plano espiritual. Essas Casas parecem formar médiuns ou seres com algumas poucas qualificações de baciada ou por atacado; onde a qualidade pouco importa

  2. PEDRO ILHO diz:

    ESPIRITISMO É Q KARDEC CODIFICOU, E ELE NÃO MENCIONOU OPERAÇÕES ESPIRITUAIS MESMO PORQUE NEM SEMPRE OS MALES PODERÃO OU DEIXARÃO DE SEREM CURADOS, PORQUE AÍ EXISTE UM CÓDIGO CHAMADO DE PROVAÇÕES E MERECIMENTOS, NEM TODOS ESTÃO ENQUADRADOS NESTE ARTIGO. TANTO É Q TODOS ESSES “SUPOSTOS” MÉDIUNS NÃO COMENTAM O ESPIRITISMO E NEM OS BONS ESPIRITOS QUE TRABALHARAM COM CHICO XAVIER. PRESTEM ATENÇÃO Q SEMPRE ELES TÊEM NOMES DIFERENTES QUE NINGUÉM VIU FALAR, ENTÃO POR AI FIQUEM ATENTOS COM ESSES SUPOSTOS MÉDIUNS CURADORES. FUGIU DE CHICO, DIVALDO E OUTROS FIQUEM ALERTA…

  3. WANDERLEI diz:

    Olá
    Amigos…
    Esta forma citada…Mediunidade de Cura.. Na realidade era uma forma de chamar a atenção do publico no passado… Como Zé Arigó… Assim como as sessões de materializações físicas…
    Na realidade… Se tivermos méritos… Poderemos receber… Curas independente de existir médiuns… Ocorrem uma interferência direta… Do plano espiritual….
    Wanderlei

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