“Sim” ou “não”, eis a questão:

Ago 7th, 2017 | By | Category: Artigos

jorge hessen123Na Tailândia não se costuma dizer “não”. Isso é evidente até mesmo nas palavras mais simples: “sim” é chai e o mais próximo a “não” que existe em tailandês é mai chai – que pode ser traduzido como “não-sim“. Com uma cultura voltada para o coletivo, os tailandeses são ensinados a se preocupar mais com o grupo do que consigo mesmos. É uma sociedade altamente conservadora e tradicional, com uma tradição de que demonstrar prazer e emoção é controlada por normas sociais restritas. “Um tailandês sempre vai dizer ‘sim’ porque a etiqueta social determina que ele o faça.” [1]

Do mesmo modo, aqui no ocidente alimentamos o falso conceito que quem é bom nunca diz “não”. Contudo, a negativa salutar jamais perturba. O que despedaça é o tom contundente no qual é vazado o “não”! Proferir o “sim” ou dizer o “não” exige análise reflexiva e não deve nascer de um impulso ou estado de ânimo alterado ou inerte. É evidente que “tanto quanto o ‘sim’ deve ser pronunciado sem incenso bajulatório, o ‘não’ deve ser dito sem aspereza”.[2]

Há dois mil anos Jesus nos ensinou: “seja o vosso falar: sim, sim; não, não. [3] Tal princípio está contido em O Sermão do Monte, que constitui a base do código de ética do Evangelho. Sobre isso, adverte-nos Emmanuel: “o sim’ pode ser aprazível em muitas circunstâncias, entretanto o ‘não’, em alguns setores da luta humana, é mais construtivo”. [4]

Consentir que os outros decidam por nós é atitude de subserviência; não é humildade e muito menos tolerância e nem brandura. Notemos que a nossa vontade é tão importante quanto a vontade do nosso semelhante. Ora, os nossos anseios, sonhos e emoções têm o mesmo valor dos das outras pessoas. Não admitamos que determinem nossas aspirações, nossas ideias, nossas convicções religiosas, nossas rotinas, nossos modos de ser. Se não agirmos com coragem seremos domados na vontade, e o que é pior, seremos reprimidos nos próprios pensamentos.

Sem ferirmos o próximo, e isso é mais do que óbvio, é imprescindível dizer o “não”. Precisamos ter o traquejo para dizer o “não” sempre que a situação nos convide a fazê-lo. Até porque, é impossível agradarmos as pessoas a todo instante. Cedermos aos desejos e vontades dos outros pode ser a forma mais fácil de relaxarmos o empenho de busca das nossas intransferíveis necessidades de crescimento espiritual. Em certas ocasiões quando dizemos “sim” para os outros, pagamos um preço elevado por isso.

Nem sempre precisamos infligir nossa vontade, contudo não podemos deixar que os outros se imponham sobre nós. Não é ajuizado dizer “sim” quando devemos dizer “não”. Porém, por que às vezes quando temos que impor o “não”, cedemos ao “sim”? Cada vez que contemporizamos com o “sim” quando a situação exige o “não”, estamos nos definhando na autoridade moral, nos desmerecendo; estamos enfim dando mais importância aos outros do que a nós mesmos.

Na presunção de não magoarmos os outros, muitas vezes nos justificamos em demasia, como se estivéssemos rogando perdão por não podermos acorrer. Não carecemos de fazer isso! Não temos nenhuma necessidade de nos explicar em demasia e muito menos pedir desculpas pela nossa opção de negativa.

Ora, se não estamos fazendo nada de censurável ao priorizarmos outros compromissos, não precisamos ficar explicando ou detalhando quais são essas prioridades. Em determinadas circunstâncias, as nossas opções por fazer ou deixar de fazer algo é uma questão de autoconsciência, portando não é da jurisdição de mais ninguém.

Aprendamos a dizer “não”, ou seja, se não desejamos tal ou qual coisa, digamos “não”; se não concordamos com tal ou qual situação, pronunciemos “não’; se não almejamos compartilhar, falar ou adquirir algo, tão-somente digamos “não”.

O bom senso nos sussurra que ao dizer “não” estamos apenas dando uma resposta negativa, e isso não é insulto. Cabe aqui uma dica cristã: que os nossos “nãos” sejam proferidos sem rompantes e nem severidades e ponto final.

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

 

Referencias bibliográficas:

[1]        Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-39450642 acessado em 01/08/2017

[2]        XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. “O ‘não’ e a luta”, RJ: Ed FEB, 1977

[3]        Mateus 5, 37

[4]        XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. “O ‘não’ e a luta”, RJ: Ed FEB, 1977

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2 Comments to ““Sim” ou “não”, eis a questão:”

  1. ANTONIO CARLOS diz:

    O sim quase sempre traz consequências que teremos que conviver por algum tempo. Já o não nos livra de muitos problemas, como diz antigo jargão: “é melhor ficar com a cara vermelha, de vergonha, por alguns segundos por dizer não do que ficar com a cara vermelha, de raiva e arrependimento, por muito tempo por dizer sim”
    Antonio Carlos

  2. Wanderlei diz:

    Olá

    Caros amigos,,,

    Como bem sabemos… Somos um ser eterno… Rumo a perfeição… Sendo que possuímos dentro de nós… Luz e Trevas…

    Cristo e a base de tudo… Nos seus ensinamentos… Imortais…

    Se Possuímos o ensinamento de Cristo no coração…. Seremos defrontados por pessoas… Que nos querem induzir ao erro…. Seremos bombardeados pelo plano espiritual inferior… Por ondas de pensamentos negativos… Mais saberemos diferenciar… O que vem dos homens ou dos ensinamentos de Cristo…

    Tudo o que for contrário ao bem maior… DEVEREMOS REPELIR… NUM GRANDE NÃO…

    Tudo que vier do plano do bem maior… DEVEREMOS DIZER UM GRANDE SIM….

    Sendo que devemos construir a nossa casa na rocha como dizia Cristo… Pois quando vier a tempestade das provações…. ESTAMOS FORTES…

    Fiquem com Deus
    Wanderlei

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