SUELY CALDAS SCHUBERT – JORGE HESSEN E “APOMETRIA”

Jul 23rd, 2013 | By | Category: Artigos
Suely Caldas SchubertSuely Caldas Schubert  escreveu-nos:

Desejo falar sobre a apometria, esclarecendo que estamos no campo das idéias e jamais diminuindo aqueles que a estão adotando. Cada um é livre para fazer suas opções.
A apometria é mais uma prática surgida em nosso meio espírita que veio confundir e desviar os iniciantes, os que buscam novidades e, diria até, os invigilantes que se deixam envolver por tais idéias, que nada têm em comum com o Espiritismo..
Recomendo o artigo do nosso companheiro Jorge Hessen àqueles que desejem conhecer algumas das práticas antidoutrinárias adotadas pela apometria.
É oportuno recordarmos a importante advertência de Allan Kardec, conforme O Evangelho segundo o Espiritismo, na Introdução II , que a segurança do Espiritismo, com vistas ao futuro, deveria estar fundamentada no critério do controle universal do ensino dos Espíritos e a concordância que deve existir entre eles.
Também adverte que qualquer idéia nova que surja deve ser submetida ao crivo da razão, acrescentando, que se houver dúvida que se busque a opinião da maioria.
As práticas da apometria não têm base doutrinária em O Livro dos Médiuns, e nem nas obras consideradas fiéis à Codificação pelo critério da maioria absoluta dos espíritas, quais sejam as de André Luiz, Manoel Philomeno de Miranda, Eammanuel, Joanna de Ângelis, Camilo, e toda a obra mediúnica de Yvonne A. Pereira, isto só para falar nos autores espirituais.
A apometria, portanto, não é Espiritismo.

Suely Caldas Schubert

Acesse os links abaixo e leia  artigos sobre o tema:

http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2009/06/apometria-e-as-praticas-espiritas.html

http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2009/07/fidelidade-espirita-uma-questao-de.html

http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2009/06/resguardemos-kardec-das-enxertias.html

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13 Comments to “SUELY CALDAS SCHUBERT – JORGE HESSEN E “APOMETRIA””

  1. Sergio Eglin diz:

    O trabalho de Jorge Hessen é sério e provém de um espírita estudioso, parabéns pelas referências. Saúde e Paz

  2. Pedro Ilho diz:

    “NADA É MAIS MODERNO E ATUAL QUE ALLAN KARDEC. ESTUDEMOS AS OBRAS BÁSICAS DA CODIFICAÇÃO, EVITANDO ASSIM, INTERPRETAÇÕES EQUIVOCADAS E IRREAIS SOBRE O ESPIRITISMO.(Trecho extraído do Periódico do mês de julho de 2013, Nº 33, gentileza do Centro Espírita Humberto de Campos – Votuporanga/SP)

    Assim como fora da caridade não há salvação, Fora de Allan Kardec, não há Espiritismo.

  3. Arnaldo A. Rocha diz:

    Bom dia meu caríssimo amigo e irmão Jorge Hessen,

    O seu excelente trabalho como articulista sério e comprometido com a verdade tem dado muitos frutos, a exemplo da parábola do semeador de Jesus: (…) “Outras, enfim, caíram em terra boa que davam fruto muito bem, rendendo trinta por um; outras, sessenta; outras cem… Que ouça aquele que tem ouvidos prontos para ouvir”.
    Parabéns! O seu labor espiritista é referência no meio espírita e isso ocorre por você ser alguém que não deixou que lhe implantassem nenhum “CHIP” na cabeça, mas somente os seus cabelos brancos, advindos da experiência das provações vivenciadas com fé em Deus e em si mesmo, rs!

    Forte abraço!

    Arnaldo de A. Rocha

  4. Luiz Pesoa Guimaraes diz:

    Jorge o nosso grande problema quanto às nossas Reuniões Mediúnicas é a falta de estudo. Allan Kardec abordou muita coisa e explanou em suas obras e eu tive a felicidade de catalogar como “Reuniões” e posteriormente reunir os textos de sua autoria que apresentei pela primeira vez em 2008 num Simpósio da USE. http://vademecumespirita.com.br/goto/store/categoria/apresentacoes
    Quanto a Apometria se alguém leu “Da Alma Humana” de Antônio J.Freire. Sabe que a Apometria não trouxe nada de novo e útil a Doutrina que este médico não houvesse abordado naquela época.

    Um grande abraço!

    Luiz Pessoa Guimarães
    Vade Mecum Espírita – Autor
    http://www.vademecumespirita.com.br
    Programa Visão Espírita – Comentarista
    http://www.visaoespirita.com.br – AM690
    Domingos – 9:30 às 11:00 Hs
    http://twitter.com/vmespirita
    http://www.facebook.com/VadeMecumEspirita

    • Ione diz:

      Que bom te encontrar aqui também querido Luiz. Esse site do Jorge Hessen, assim como o seu, contribui muitíssimo para meu entendimento da doutrina Espírita que se baseia na Codificação e nas obras dos autores clássicos e dos citados pela Suely Caldas Schubert. Forte abraço

  5. […] práticas da apometria não têm base doutrinária em O Livro dos Médiuns, e nhttp://aluznamente.com.br/suely-caldas-schubert-jorge-hessen-e-apometria/#!prettyPhotoem nas obras consideradas fiéis à Codificação pelo critério da maioria absoluta dos espíritas, […]

  6. Marcos Fonseca diz:

    Os Centros Espíritas devem promover com mais intensidade o estudo dos livros da Codificação, dando mais ênfase ao Livro dos Espíritos, principalmente com os iniciantes.
    Marcos Fonseca

  7. Ione diz:

    Obrigada Jorge

    Obrigada Jorge Hessen por esses artigos e por tudo que eu já li e ouvi no seu site, Seu conhecimento e determinação não o deixam arredar do que você acredita e da conduta literária que tem por norte informar sem passar a mão na cabeça de ninguém, defendendo o que é verdadeiro diante da proposta que é difundir a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec. Como disse a Suely Caldas Schubert, se não tem base doutrinária não é espiritismo

  8. Jorge Hessen diz:

    Apometria: Ingênua técnica de desdobramento, com desdobramentos perigosos
    Iso Jorge Teixeira

    A cigana adormecida, 1897.
    HENRY ROUSSEAU
    Museu de Arte Moderna de Nova York.

    _____________

    Nesta tela, exemplo de rigor estilístico conquistado pelo pintor, o caráter de suspensão espacial é favorecido pela exótica e sugestiva fantasia.

    (GÊNIOS DA PINTURA.. Henry Rousseau. Abril Cultural e Ind., São Paulo, 1973, p. 827).

    O Editor do site A Jornada encaminhou-nos indagação da Sra. L. do dia 30/03/02, diz ela: “Gostaria que a minha dúvida fosse encaminhada a algum dos médicos que tem Coluna neste site para esclarecimentos sobre:

    – HIV sob a vista espiritual; tratamento de pessoas portadoras numa Casa Espírita Apométrica; procedimentos, etc.

    – QUIMIOTERAPIA – como age nos corpos sutis, até que ponto usá-la ?

    Obrigada e meu fraternal abraço a todos

    L. ” .

    Em princípio, as perguntas da Sra. L. estão prejudicadas por distorções terminológicas; assim, ela fala em “Casa Espírita Apométrica” e “corpos sutis”. As Casas Espíritas não usam ou não deveriam usar a apometria; não há nenhuma relação entre Apometria e Espiritismo. Parece que a Sra. L. é ramatisista e ramatisismo não é Espiritismo e quem diz isso não somos nós somente: J. HERCULANO PIRES era dessa essa opinião e CARLOS B. IMBASSAHY também é; aí estão nomes de peso do Espiritismo brasileiro. Quanto aos “corpos sutis”, não são admitidos pelo Espiritismo, este só admite um “corpo” sutil, o perispírito…

    HIV sob a vista espiritual. O HIV (Human Immuno-deficiency Virus) é um retro-vírus produtor de uma síndrome extremamente grave – a AIDS (Acquired Immuno-deficiency Syndrome) -, em que o indivíduo fica exposto a uma série de infecções oportunistas em função de uma deficiência das suas defesas orgânicas portanto, é uma doença orgânica, não há dúvida nenhuma.

    Do ponto de vista espiritual, acreditamos que a SIDA (ou AIDS) é resultante do mau uso do livre-arbítrio durante a encarnação ou em encarnação pretérita. É o que costumam denominar lei de causa-e-efeito, que preferimos chamar lei de reajuste em ação. Esta lei atua, automaticamente, em conseqüência de atos de encarnação atual em que se prioriza a sensualidade em detrimento das virtudes espirituais, como por exemplo: na homossexualidade, heterossexualidade promíscua, uso e abuso de drogas ilícitas injetáveis, enfim, atos irresponsáveis; mas também em conseqüência de atos reprováveis em encarnações pretéritas – nestes casos, a contaminação dar-se-á através de transfusões sangüíneas, principalmente. A propósito destes casos, muitas vezes argumenta-se que uma pessoa de boa índole, com doença sangüínea que necessita de constantes transfusões, deveria ser poupada de tão grave enfermidade e exclamam: por que DEUS permite que ela seja contaminada pelo vírus HIV?! Este questionamento é daquele que só admite a encarnação única e assim, seria até injustiça de DEUS! Mas se considerarmos as encarnações pretéritas e futuras, então, veremos a Justiça e Providência de DEUS atuando em toda a sua pL.tude.

    Enfim, a SIDA é o “remédio” amargo atuando, não como castigo, mas como reajuste para o reequilíbrio espiritual da pessoa, ou seja, a cada um segundo as suas obras, cumprindo-se assim a finalidade da encarnação (cf. resp. à questão 167 de O Livro dos Espíritos).

    Apometria. Como já dissemos, a Apometria não faz parte da Doutrina Espírita. O termo apometria é derivado do grego Apó- preposição significando além de e fora de e Metron- relativo à medida. Segundo aqueles que a aplicam, representaria o clássico desdobramento entre o corpo físico e os “corpos” espirituais do ser humano. Não seria propriamente uma técnica mediúnica e sim uma “técnica de separação desses componentes”.

    Diz-se que “um médico da turma de 50”, “espírita”, JOSÉ LACERDA DE AZEVEDO teria iniciado o método no Brasil; no entanto, não sabemos em que Faculdade teria se formado o tal “médico da turma de 50”. Posteriormente, em 1965, o porto-riquenho LUIS RODRIGUES teria aplicado a técnica com outro nome. JOSÉ LACERDA teria tentado a metodologia em sua esposa, Dona Yolanda, que seria médium.

    Diz-se, também, que teria sido identificado um tal “grande complexo hospitalar na dimensão espiritual denominado Hospital Amor e Caridade”. Bem, o internauta que leu nosso artigo neste site sobre a erraticidade já conhece a nossa opinião sobre os chamados “hospitais” da erraticidade, isto é, são fantasias espirituais sem a menor base científica nem doutrinária para validá-los como verdadeiros.

    Ora, a apometria é então uma técnica totalmente estranha à Doutrina Espírita, pois segundo esta não existem “corpos espirituais”, a Doutrina faz referência apenas ao perispírito. Logo se observa, ao estudarmos o assunto, que se trata de uma técnica que absorve conceitos da Teosofia e do hinduísmo e não é por acaso que a Sra. L. é uma entusiasta desse método, pois adota os princípios do ramatisismo. Apesar de respeitar o seu ponto de vista, repudiamos com veemência a catalogação dessa técnica de desdobramento como espírita, até porque em Espiritismo não há técnicas.

    Dizem aqueles que praticam a Apometria que ela “apresenta resultado eficaz em todos (o grifo é nosso) os pacientes, mesmo nos oligofrênicos” (cf. página da Internet intitulada ‘Algumas notas sobre Apometria’). Assim, essa técnica seria aplicável para tratamento, inclusive, de deficientes mentais. Ora, em Medicina não existe nenhum tratamento em que se obtém eficácia em todos os casos e até hoje não há cura para os deficientes mentais; logo, a afirmação de cura desses pacientes é, no mínimo, leviana.

    O método, em resumo, consistiria em se aplicar “pulsos magnéticos concentrados e progressivos” no “corpo astral” do paciente e, “por sugestão” comandar-se-ia seu afastamento. Desdobrar-se-iam o médium e o doente para contato com “entidades médicas do astral” !!! Está visto que não há a menor cientificidade no método: é um amontoado de termos, sem a menor possibilidade de controle científico e com o falso pressuposto de que os Espíritos estariam à disposição dos médiuns em dias e horas marcados. Enfim, parece-nos um verdadeiro Ôba, Ôba espiritual…

    Só para se ter uma idéia: na propaganda de um livro que trata especificamente do assunto, diz o autor que tratou de 16.000 casos nos últimos 10 anos, ou seja, uma média de 1.600 casos por ano… Como conseguir-se o desdobramento de um paciente, do médium e doutrinar os Espíritos num hospital espiritual em tão pouco tempo de trabalho?! Num “estalar de dedos” ?…

    Desculpe-me, a Sra. L., mas não recomendamos esse método para ninguém; além disso, ele pouco difere da Projeciologia, tão divulgada pelo Dr. WALDO VIEIRA, que abandonou o Espiritismo para dedicar-se a ministrar Cursos sobre isso…

    Finalizando este tópico, diremos que o conhecimento da técnica da Apometria demonstra que a imaginação humana não tem limites, principalmente quando se quer auferir dividendos com a credulidade das pessoas, pois dentro deste barco encontram-se alguns médicos, psicólogos, etc., inescrupulosos; a julgar-se pela propaganda já referida. Não citamos nomes das pessoas porque não queremos personalizar e, embora não conheçamos a Sra. L. – que parece ser de boa-índole – dar-lhe-emos este conselho: saia dessa canoa, ela não está furada não, ela nunca teve fundo!…

    Enfim, há um adágio atribuído a ALBERT EINSTEIN que, infelizmente, temos repetido em nossos artigos: “HÁ DUAS COISA INFINITAS: O UNIVERSO E A TOLICE DOS HOMENS”.

    Quimioterapia . A Sra. L. pergunta como age a quimioterapia nos corpos sutis e até que ponto usá-la? Aqui, novamente a pergunta está prejudicadapela expressão “corpos sutis”. Como vimos, a Doutrina só admite um “corpo” sutil – o perispírito; que aliás, é pouco conhecido na sua estrutura íntima. Logo, falar-se em “corpos” sutis é usar uma linguagem, de antemão, obscura, do Ocultismo.

    A Sra. L. confere uma tal importância aos “corpos sutis” que chega a duvidar da ação benéfica da quimioterapia ao questionar: “até que ponto usá-la?”. Ora, a quimioterapia é extremamente importante para as pessoas que apresentam vários tipos de lesões malignas (câncer), apesar dos seus inúmerosefeitos colaterais, sérios, ela tem prolongado a vida de muitas pessoas, que passam a viver com razoável qualidade de vida (há inúmeros exemplos disso no meio artístico, como é público e notório).

    Quanto à ação dos quimioterápicos sobre os “corpos sutis”, ou melhor, sobre o perispírito, qualquer coisa que se afirmar será uma temeridade, posto que até hoje não se conhece completamente o mecanismo de ação de muitos quimioterápicos sobre o corpo físico, imagine-se, então, sobre o perispírito!!

    Se os ramatisistas, vegetarianos roxos, vêem com horror a alimentação carnívora, principalmente a questão do sangue derramado dos animais, além das supostas “substâncias tóxicas” para os “corpos sutis” – confundindo-se digestão com putrefação – o que diriam da ação dos quimioterápicos sobre os corpos sutis?? Verdadeiros horrores! Digam o que disserem, pois todos têm o direito de dizer o que pensam, mas nada provaram…

    Contudo, não acreditamos que uma substância grosseira como um quimioterápico possa ter ação sobre os “corpos sutis”, mesmo dinamizado em fórmulas homeopáticas. A propósito, disse KARDEC:

    SAMBA (1927) – E. Di Cavalcanti
    (Di Cavalcanti pintou a gente simples e
    crédula dos morros do Rio de Janeiro).

    “Os medicamentos homeopáticos, por sua natureza etérea, têm uma ação de certa forma molecular; sem contradita podem, mais que outros, agir sobre certas partes elementares e fluídicas dos órgãos e lhes modificar a constituição íntima.” (ALLAN KARDEC. Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos. 1867, EDICEL, SP, p. 71). Enfim, ele mostra que os medicamentos homeopáticos poderiam inibir ou excitar a expressão de um sentimento, mas o sentimento não deixaria de subsistir; então, seria um mero paliativo. A seguir, diz KARDEC:

    “Não se pode agir sobre o ser espiritual senão por meio espiritual!”
    (op. cit., p. 71).

    Será que teria passado pelo pensamento de alguém, recomendar aos doentes em tratamento quimioterápico, que o suspendam pelos efeitos colaterais e os submetam a um “tratamento” apométrico?!… Acreditamos que não, pois isto seria uma conduta de aprendiz de feiticeiro, mesmo com todo o aparato do suposto Hospital Espiritual “Amor e Caridade”; aliás, Amor e Caridade têm sido palavras fáceis de pronunciar e difíceis de se encontrar, como diria o sambista; e o “samba” da apometria é o “samba do crioulo doido” como diria STANISLAU PONTE PRETA.

    Enfim, procuramos analisar uma técnica, muito ingênua, exótica, com inúmeras fantasias e ações pseudocientíficas, incomprováveis, cujas conseqüências são imprevisíveis; pois além de iludir a boa-fé de pessoas simples, abre campo para a atuação dos inescrupulosos, encarnados e desencarnados.

    Iso Jorge Teixeira
    CREMERJ:52-14472-7
    Psiquiatra. Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de
    Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

  9. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Apometria não é Espiritismo. Sugiro-lhe ter paciencia e ler os tres artigos abaixo Apometria não convém às Casas Espíritas – Parte 1, 2 e 3. Depopis acesso os links ao final dos artigos e saiba o que pensamos sobre essa estranha prática nas hostes espíritas.
    Att
    Jorge Hessen

    Apometria não convém às Casas Espíritas – Parte 1
    Gebaldo José de Sousa e Jeziel Silva Ramos *

    “- Que pensa Emmanuel do espírita diante do sincretismo religioso?
    – Nosso amigo espiritual nos aconselha a respeitar crenças, preconceitos, pontos de vista e normas de quaisquer criaturas que não pensem como nós, mas adverte-nos que temos deveres intransferíveis para com a Doutrina Espírita e que precisamos guardar-lhe a limpidez e a simplicidade com dedicação sem intransigência e zelo sem fanatismo (…)
    – Cabe-nos, assim, defender a obra de Allan Kardec, em qualquer tempo?
    – Sim. Os Espíritos Amigos nos dizem que nos compete a obrigação de defender os ensinamentos de Allan Kardec, sobretudo, na vivência dessas benditas lições, através de nossas próprias vidas. Compreendendo assim, reconheceremos que é necessário sermos fiéis a Kardec em todas as nossas atividades (…)” (1)

    Há três anos a Casa de Eurípedes – Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, Goiânia (GO) – promoveu a realização de Seminário sobre apometria.
    E permitiu que um grupo estudasse e aplicasse a técnica, em caráter experimental. Sendo a Casa de Eurípedes instituição técnico-científico, como deve ser qualquer hospital psiquiátrico moderno, com filosofia e práticas espíritas, existe espaço para a discussão e experimentação de novas técnicas, sem preconceito e espírito de segregação, mas sempre com supervisão e acompanhamento técnico.

    Como veremos, essa postura não se aplica a experimentações de natureza mediúnica.

    Nesse sentido, a técnica apométrica foi aplicada, principalmente em pacientes internos, associando de alguma forma o Departamento Doutrinário e Mediúnico dessa Instituição à apometria. Decorridos três anos e não tendo sido, ainda, realizada qualquer avaliação mais ampla sobre esse trabalho, o assunto foi levantado, buscando respostas para as questões:

    a) “A teoria e a prática da técnica conhecida como apometria (e suas leis) estão em pleno acordo com os princípios doutrinários codificados por Allan Kardec, nas obras básicas do Espiritismo, ou seja, a apometria pode ser considerada uma técnica espírita?”

    b) “Caso a apometria não seja uma técnica espírita (como várias técnicas terapêuticas anímicas e/ou mediúnicas não o são), é aconselhável incluí-la dentro do corpo do Departamento Doutrinário e Mediúnico da Casa?”

    c) “Sendo ou não uma técnica espírita, a aplicação da técnica tem resultado em benefícios terapêuticos reais para os pacientes em tratamento nesta instituição hospitalar?”

    Neste artigo, resumimos parecer da Comissão formada com o objetivo de oferecer respostas às questões acima, levando-se em conta que a Instituição tem se prezado pela fidelidade aos fundamentos da Doutrina Espírita.

    Não se trata de julgar a técnica dita apométrica, de saber se ela funciona ou não. Nem de julgar pessoas ou grupos que a praticam.

    EXAME DO ASSUNTO, À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA:

    1.1) Por que Allan Kardec atribuiu a ela o nome de Doutrina Espírita?
    A Doutrina é dos Espíritos. E isso porque foi revelada por eles, a muitos médiuns, em inúmeros lugares, simultaneamente:
    “(…) a Doutrina dos Espíritos não é de concepção humana. Foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam, quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia. (…) Perguntamos ainda mais: por que estranha coincidência milhares de médiuns espalhados por todos os pontos do globo terráqueo, e que jamais se viram, acordaram em dizer a mesma coisa?” (2)
    Allan Kardec não aceitava tudo que vinha dos Espíritos – nem recomenda que o façamos -, submetendo seus ensinos ao crivo da razão, aplicando o preceito de Jesus:
    “Meus bem-amados, não creiais em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (3) (I Jo, 4:1)
    Kardec utilizou na Codificação do Espiritismo o “Controle universal do ensino dos Espíritos”, conforme se lê em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” item “II – AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA”.
    Afirmou ser progressiva a Terceira Revelação, mas publicou – “Revista Espírita”, agosto/1861, mensagem “Da Influência Moral dos Médiuns nas Comunicações”, Espírito Erasto:
    “Mais vale repelir dez verdades que admitir uma só mentira, uma só teoria falsa.” (4)
    Máxima repetida em “O Livro dos Médiuns”, Ed. FEB, cap. XX, item 230, p. 292.
    Em muitas partes de sua obra, o Codificador recomenda-nos submeter a exame severo as comunicações dos Espíritos, como, por exemplo, nos itens 266 e 267, de “O Livro dos Médiuns”.
    Desaconselhável, pois, a crença cega no que dizem os mentores. O ideal é estudar mais e buscar respostas nas obras confiáveis, já existentes, transmitidas por médiuns de reconhecida idoneidade.
    A Doutrina Espírita não está engessada em verdades acabadas, absolutas. Não é nem se diz dona da Verdade, em parte alguma.

    1.2) Por que os Espíritos não revelaram aos homens a técnica dita apométrica, quando tiveram à mão excelentes médiuns, ao longo do século XX? Se é, como afirmam os apômetras, mais eficiente que a reunião de desobsessão, por que o silêncio dos Espíritos Superiores?
    Seu divulgador no Brasil, Dr. José Lacerda de Azevedo adotou-a, após demonstração, em Porto Alegre – RS, pelo porto-riquenho Luiz Rodrigues, na década de sessenta do século passado.
    A essa época ainda se encontrava entre nós, vigoroso, nosso irmão Francisco Cândido Xavier. Seria uma falha dos Espíritos Superiores, embora interessados na regeneração da humanidade? Hipótese esta absolutamente inadmissível!

    1.3) Quanto à desobsessão, utilizada na prática Espírita, o Espírito André Luiz transmitiu, ao médium Francisco C. Xavier, instruções de como realizá-la, em 1964 – coincidentemente na mesma década da divulgação da apometria entre nós -, na grande obra intitulada “Desobsessão”, editada pela Federação Espírita Brasileira.

    1.4) No que se refere à apometria, o silêncio dos Espíritos Superiores é sintomático. Que saibamos, não houve manifestações sobre o tema em várias partes do mundo, através de médiuns conceituados. Devemos considerar, portanto, que não houve o controle universal dos ensinos da técnica, como preconizava Kardec. Também não se confirmou o que preceitua o seguinte pensamento:
    “Estai certos, igualmente, de que quando uma verdade tem de ser revelada aos homens, é, por assim dizer, comunicada instantaneamente a todos os grupos sérios, que dispõem de médiuns também sérios, e não a tais ou quais, com exclusão dos outros.” ESE, Cap. XXI, item 10, 6º §. (5)
    Por outro lado, a Ciência ainda não comprovou a eficácia da técnica apométrica. E se é por ela admitida, também desconhecemos.
    Por estes fatos, não pode ser admitida como vinculada à Doutrina dos Espíritos, pois não atende a nenhum dos dois critérios definidos por Kardec:
    “Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica.” (6)
    Assim, não deve ser adotada em Instituições verdadeiramente Espíritas.
    * Jeziel Silva Ramos – Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia (GO).

    BIBLIOGRAFIA:
    1 – BARBOSA, Elias. No Mundo de Chico Xavier. Edição Calvário, São Paulo, 1968, p. 78;
    2 – KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Ed. FEB, RJ. Introdução, p. 44;
    3 – Bíblia Sagrada;
    4 – KARDEC, Allan. Revista Espírita. Edicel, SP,Tomo IV, 1863, p. 257;
    5 – KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 118ed. FEB, Rio de Janeiro, 2001, C. XXI, item 10, 6º §;
    6 – KARDEC, Allan. A Gênese. 34ed. FEB, Rio de Janeiro, 1991, Cap. I, item 13.

    Apometria não convém às Casas Espíritas – Parte 2

    Inconsistências e manifestações de respeitável Espírito e de Médiuns

    Gebaldo José de Sousa e Jeziel Silva Ramos *

    “É necessário preservar o Espiritismo conforme o herdamos do eminente Codificador, mantendo-lhe a claridade dos postulados, a limpidez dos seus conteúdos, não permitindo que se lhe instale adenda perniciosa, que somente irá confundir os incautos e os menos conhecedores das suas diretrizes.” Bezerra de Menezes/Divaldo P. Franco – Reformador/Dezembro 2003, p. 446.
    Os apômetras adotam terminologias diversas daquelas utilizadas pela Doutrina Espírita e conceitos de crenças orientais. Além disso, certas afirmações deles colidem com a razão:

    a) – O perdão quase instantâneo, por parte de adversários seculares, após serem submetidos à técnica;

    b) – A incorporação de ‘vários corpos’, de uma só personalidade, encarnada, ou não, em vários médiuns, com doutrinação simultânea, nas ‘manifestações desses corpos’!

    Para justificar o primeiro item, afirmam que, pela técnica do desdobramento e o uso de pulsos de energia, a entidade espiritual sofredora e vingativa é transportada no tempo, ao passado e ao futuro, perdoando em poucos segundos, esquecendo o ódio de séculos ou milênios, contrariando a própria natureza humana e a necessidade de reforma íntima! E preconiza esse resultado em todos os casos!
    Em contraposição a esses conceitos, consultemos algumas obras de fontes seguras.
    Ao final dos livros “Instruções Psicofônicas” e “Vozes do Grande Além”, de mensagens recebidas por Francisco C. Xavier, em trabalhos de desobsessão, nos anos de 1952 a 1956, em Pedro Leopoldo, há boletins anuais, com estatísticas dos atendimentos, aos quais remetemos o leitor, onde se vê que é muito pequeno o percentual de recuperação plena.

    E lembrem-se de que estes trabalhos mediúnicos contavam com a presença do maior médium da história da Humanidade – Francisco Cândido Xavier!
    Manoel P. de Miranda/Divaldo, em “Loucura e Obsessão”, afirma à página 14:
    “A cura das obsessões, conforme ocorre no caso da loucura, é de difícil curso e nem sempre rápida, estando a depender de múltiplos fatores, especialmente, da renovação, para melhor, do paciente (…). (Grifo nosso).
    Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. 28, item 84, diz:
    “Observação. – A cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança e devotamento.”
    Albino Teixeira/Francisco C. Xavier, em “Paz e Renovação”, indaga, no capítulo 48 (Obsessão e Cura), à p. 135:
    “Em qualquer progresso ou desenvolvimento de aquisições do mundo, nada se obtém sem paciência, amor, educação e serviço; como quereis, meus irmãos da Terra, que a obsessão – que é freqüentemente desequilíbrio cronificado da alma, – venha a desaparecer sem paciência, amor, educação e serviço, de um dia para o outro?”
    Bastam estas citações, eminentemente doutrinárias, para saber que a cura das obsessões não se faz com um toque de mágica, de uma hora para outra. É também o que nos revela a experiência.
    Nossa razão não aceita tanta facilidade – eis que não admite seja possível transformação tão rápida em Espíritos que cultivam o ódio tão intensamente.
    Quanto ao item b, pelo inusitado da proposta e para não nos alongarmos ainda mais, deixamos que cada um avalie por si mesmo!

    2) MANIFESTAÇÕES DE RESPEITÁVEL ESPÍRITO E DE MÉDIUNS.

    2.1) Francisco Cândido Xavier relata orientações recebidas de Emmanuel, seu mentor:
    “Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo.” (Chico Xavier: Mediunidade e Coração, de Carlos A. Baccelli, Editora IDEAL, 1985, p. 12/3: Emmanuel e Duas Orientações para o Resto da Vida).

    2.2) Divaldo Pereira Franco, durante uma larga entrevista, no programa Presença Espírita da Rádio Boa Nova, de Guarulhos (SP), em Agosto/2001, a partir de uma pergunta a ele dirigida, afirma:
    “Não irei entrar no mérito nem no estudo da apometria porque eu não sou apômetra, eu sou espírita. O que posso dizer é que a apometria, segundo os apômetras, não é Espiritismo, porquanto as suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de “O Livro dos Médiuns”. (Grifamos)
    Não examinaremos aqui o mérito ou demérito porque eu não pratico a apometria, mas, segundo os livros que têm sido publicados, a apometria, segundo a presunção de alguns, é um passo avançado do Movimento Espírita no qual Allan Kardec estaria ultrapassado.
    Allan Kardec foi a proposta para o século XIX e para parte do século XX e a apometria é o degrau mais evoluído, no qual Allan Kardec encontra-se totalmente ultrapassado.
    Tese com a qual, na condição de espírita, eu não concordo em absoluto.
    Na prática e nos métodos de libertação dos obsessores, a violência que ditos métodos apresentam, a mim pessoalmente – me parece tão chocante que faz recordar-me da lei de Talião, que Moisés suavizou com o código legal e que Jesus sublimou através do amor. (…)
    Tenho certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro, não conhecem as bases Kardequianas, e, ao conhecerem-nas, nunca as vivenciaram para terem certeza.
    Então, se alguém prefere a apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito! Mas não misture, para não confundir. (…)
    Não temos nada contra a apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudocientíficos. Mas como espíritas, nós deveremos cuidar da proposta espírita. (Destacamos)
    (…) Não entrarei no mérito dos métodos, que são bastante chocantes para a nossa mentalidade espírita, que não admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos, porque a única força é aquela que vem de dentro – a moral. “Para esta classe de espíritos são necessários jejum e oração.” – disse Jesus. Jornal virtual “A Jornada” (www.ajornada.hpg.ig.com.br/doutrina/mat-0030a.htm)

    2.3) – O Dr. Ricardo Di Bernardi – que é inteiramente favorável à correta utilização do método apométrico e defende o aprofundamento do estudo -, admite falhas nessa prática e fala em umbandização da Doutrina Espírita:
    “Com todo respeito aos nossos “primos” umbandistas, que executam trabalho sério e útil, faz-se necessário definir algumas fronteiras que devem ser tão nítidas quanto fraternas. Não há porque criarmos grupos de umbanda técnico-científica nas casas espíritas. Ao invés do clássico e necessário “DIÁLOGO COM AS SOMBRAS” tão preconizado por Hermínio de Miranda, passamos a ouvir o contínuo estalar de dedos, seguido, de verdadeiras expulsões dos espíritos obsessores ou simplesmente sofredores.
    O diálogo construtivo e fraterno passou a ser considerado peça de museu. Ao invés de amor e filosofia, muita sonoridade e gesticulação espalhafatosa, sob o argumento de que som serve de veículo para a energia. Então, bater palmas e gritar alto seria tão útil quanto mais ruidosos forem… Naturalmente, o impacto energético seria cada vez mais produtivo quanto mais escandalosa for a sessão… É necessário que acordemos para que logo não estejamos admitindo outras atitudes materiais e periféricas totalmente incompatíveis com nossa filosofia. O trabalho espiritual é, acima de tudo, mental. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra: equilíbrio… (…)
    Obsessores retirados do campo mental do obsediado “a fortiori” e enviados a “outros planetas” ou a estranhos locais ou dimensões extra-físicas, talvez merecessem uma atenção mais adequada.
    A ausência de diálogo com espíritos enfermos, em certos casos, apenas determinará a mudança de endereço dos obsessores, bem como a admissão de novos inquilinos na casa mental desocupada do obsediado. (…)
    Faz-se necessário recolocarmos a filosofia espírita, o amor e a seriedade nos trabalhos mediúnicos e não umbandizarmos a doutrina espírita, nem brincarmos irresponsavelmente com animadas técnicas.”
    – Artigo “Apometria: Nem problema, nem solução” http://www.ipepe.com.br/apometria.html
    * Jeziel Silva Ramos – Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia (GO).

    Apometria não convém às Casas Espíritas – Parte 3

    Considerações finais e conclusões

    Gebaldo José de Sousa e Jeziel Silva Ramos *

    3) TÉCNICAS MEDIÚNICAS EXISTEM QUE NÃO SÃO PRÁTICAS ESPÍRITAS

    A mediunidade não é patrimônio exclusivo da Doutrina Espírita e muitas práticas alheias ao Espiritismo a utilizam. É dever de todo espírita estudar profundamente as obras básicas, para que possamos preservar a pureza doutrinária. O Codificador, referindo-se ao Espiritismo, indaga-nos: “Como pretender-se em algumas horas adquirir a Ciência do Infinito?”, em “O Livro dos Espíritos” (Introdução ao estudo da Doutrina Espírita, item XIII, p. 39), edição FEB.

    3.1 – Diversos cultos religiosos desenvolvem atividades que favorecem a renovação espiritual de encarnados e desencarnados. Merecem nosso respeito, mas nem por isso vamos adotar seus rituais e práticas exteriores, por considerá-los contrários aos princípios básicos da Doutrina Espírita.
    Concluímos que falta o conhecimento da Doutrina Espírita. Não basta a freqüência à Casa Espírita. Indispensável estudá-la, incessante, incansavelmente. Seu aprendizado exige esforços.
    Percebe-se, claramente, que a Doutrina Espírita é uma ilustre desconhecida de boa parte dos ‘espíritas’, especialmente quanto à sua parte teórica.
    Reconhecemos haver pessoas sinceras, com elevados sentimentos, que enveredam por esses outros caminhos; mas sabemos que não bastam os bons sentimentos, como bem nos recomenda o Espírito da Verdade, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. VI, item 5:
    “Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”
    Portanto, urge estudar a Doutrina Espírita, para melhor aplicá-la. Indispensável estabelecer critérios mais rigorosos quanto à admissão de participantes às reuniões mediúnicas. Allan Kardec era extremamente rigoroso para admitir freqüentadores às reuniões ditas experimentais.
    Há dois meios fundamentais ao aprimoramento das reuniões mediúnicas: estudo e reforma íntima.
    “Não imaginais o que se pode obter numa reunião séria, de onde se haja banido todo sentimento de orgulho e de personalismo e onde reine perfeito o de mútua cordialidade.”
    4) – CONCLUSÕES.
    Do exposto, concluíram os integrantes da Comissão de Trabalhos Mediúnicos:

    4.1) Que o Espiritismo constitui-se numa doutrina completa, em seus aspectos moral, religioso, filosófico e científico, com suas raízes no Evangelho de Jesus Cristo, representando o Cristianismo Redivivo;

    4.2) Que não basta afirmar-se espírita e utilizar a mediunidade para que uma prática seja considerada espírita;

    4.3) Que as orientações dos Espíritos Superiores que acompanham o Movimento Espírita no Brasil são muito claras quanto à fidelidade aos princípios codificados por Allan Kardec;

    4.4) Que a orientação, a experiência e a prática dos médiuns mais amadurecidos como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, entre outros, tem demonstrado sempre a necessidade de vigilância com relação à preservação da pureza dos princípios básicos da Doutrina Espírita;

    4.5) Que esta prática da técnica apométrica realizada dentro da Casa de Eurípedes teve caráter experimental, com o objetivo de avaliar sua aplicabilidade, eficiência e adequação aos princípios espíritas que aquela Instituição tem preservado com rigor e fidelidade;

    4.6) Que ultrapassado esse período de experimentação e avaliação, concluíram pela incompatibilidade da apometria com os princípios que a Casa adota;

    4.7) Que o uso de energia para afastar obsessores sem a necessária transformação moral (Reforma Íntima), indispensável à libertação real dos envolvidos nos dramas obsessivos, contradiz os princípios básicos do Espiritismo, pois, o simples afastamento das entidades rancorosas não resolve a questão;

    4.8) Que a apometria, especialmente por suas leis e rituais, não é técnica que se enquadra nos princípios doutrinários espíritas, codificados por Allan Kardec não sendo, portanto, uma prática Espírita; (Grifos do original).

    4.9) Que a ausência, nas reuniões da apometria, de atitudes de recolhimento íntimo, de concentração superior e da manutenção do ambiente de prece e elevação mental contraria as orientações doutrinárias espíritas, tanto do ponto de vista moral como da técnica mediúnica espírita, propiciando as manifestações anímicas e a mistificação, com grande risco de se perder o controle e evoluir para processos obsessivos graves;

    4.10) Que a utilização pela prática apométrica de contagens de pulsos, gestos especiais, entre outros atos exteriores, abre precedentes graves para implantação de rituais e maneirismos, totalmente inaceitáveis na prática espírita, que é doutrina da fé raciocinada;

    4.11) Que o programa terapêutico do Hospital prevê a abordagem do ser humano nos seus aspectos bio-psico-sócio-espirituais, oferecendo tratamento médico, sócio-familiar, psicoterápico e espiritual de forma integrada e solidária, de acordo com a visão espírita, não existindo dados que possam garantir superioridade da técnica apométrica isoladamente sobre quaisquer outras utilizadas pelo Hospital.

    Concluíram, afinal, após longos estudos e, especialmente, ouvir detalhada exposição do assunto, com uso de datashow, pela equipe que a praticava em nossa Instituição, que a apometria não se ajusta à Doutrina Espírita e, por isso, sua prática não é adequada à Casa de Eurípides. Nestes três artigos expomos aos interessados o resultado desses estudos, que justificam nossa posição contrária à utilização desse método.

    Assim, o parecer daquela Comissão sugeriu que o Conselho Doutrinário e Mediúnico recomendasse, ao grupo que aplica a técnica apométrica naquele Hospital Espírita, que a suspendesse, retornando à prática das reuniões mediúnicas de desobsessão, de acordo com os princípios doutrinários espíritas.
    Aventou, ainda, a possibilidade de o Conselho Doutrinário e Mediúnico adotar alternativas, para o encaminhamento da relevante questão. Mas que considerasse sobretudo a responsabilidade que lhe pesa nos ombros, conforme assinala o digno Dr. Bezerra de Menezes:
    “Cumpre-vos transferir às gerações porvindouras, com a pulcritude que o recebestes, o patrimônio espírita legado pelos Benfeitores da Humanidade e codificado pelo ínclito Allan Kardec, preparando as gerações novas, que vos sucederão na jornada de construção do mundo novo.” (Bezerra de Menezes/Divaldo P. Franco: Bezerra de Menezes ontem e hoje, ed. FEB, p. 155)

    A recomendação para que se preserve, naquele Hospital Espírita, a fidelidade ao Espiritismo, que é doutrina completa, cristalina, dispensando enxertias de quaisquer natureza, foi aprovada.

    Lamentavelmente, não obstante reiterados apelos de vários integrantes do Conselho, o grupo não acatou a sugestão de voltar à lídima prática mediúnica espírita, preferindo afastar-se da Casa de Eurípedes. Mas lhes foi dito que as portas da Casa permanecem-lhes abertas, bem assim os nossos corações, se se dispuserem à fidelidade a Jesus e a Allan Kardec!

    * Jeziel Silva Ramos – Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia (GO). DEPOIMENTO DO DIVALDO FRANCO ABAIXO:
    Esclarecimentos sobre a Apometria

    O médico carioca residente em Porto Alegre, doutor José Lacerda, desde os anos 50, espírita que era então, começou a realizar numa pequena sala do Hospital Espírita de Porto Alegre chamada “A Casa do Jardim”, atividades mediúnicas normais. Com o tempo ele recebeu instruções dos espíritos e realizou investigações pessoais que desaguaram em um movimento ao qual ele deu o nome de Apometria. Não irei entrar no mérito nem no estudo da apometria porque eu não sou apómetra, eu sou espírita o que posso dizer é que a apometria, segundo os apómetras, não é espiritismo. Porquanto as suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de ‘O Livro dos Médiuns’. Não examinaremos aqui o mérito ou demérito porque eu não pratico a apometria, mas segundo os livros que tem sido publicados, a apometria, segundo a presunção de alguns, é um passo avançado do movimento Espírita no qual Allan Kardec estaria ultrapassado. Allan Kardec foi a proposta para o século XIX e parte do século XX, enquanto a apometria é o degrau mais evoluído. Tese com a qual, na condição de espírita, eu não concordo em absoluto. Na prática e nos métodos de libertação dos obsessores, a violência que tais métodos apresentam, a mim, a mim pessoalmente, me parecem tão chocantes que fazem recordar-me da lei de Talião, que Moisés suavizou com o código legal e que Jesus sublimou através do amor. Quando as entidades são rebeldes os doutrinadores, depois de realizarem uma contagem cabalística ou de terem o gestual muito específico, expulsam pela violência esse espírito para o magma da Terra, a substância ainda em ebulição do nosso planeta. O colocam em cápsulas espaciais e disparam para o mundo da erraticidade.

    Não iremos examinar a questão esdrúxula desse comportamento, mas se eu, na condição de espírito imperfeito que sou, chegasse desesperado num lugar pedindo misericórdia e apoio na minha loucura, e outrem, o meu próximo, me exilasse para o magma da Terra, para eu experimentar a dureza de um inferno mitológico ou ser desintegrado, eu renegaria àquele Deus que inspirou esse adversário da compaixão. Ou se me mandasse numa cápsula espacial para que fosse expulso da Terra. Com qual autoridade? Quando Jesus disse que o seu reino é dos miseráveis, na parábola do Festim de Bodas, ele manda buscar os mendigos, aqueles que estão nos lugares escabrosos já que os eleitos recusaram e mataram os seus embaixadores. A Doutrina Espírita centraliza-se no amor e todas essas práticas novas, das mentalizações, das correntes mento-magnéticas, psico-telérgicas para nós espíritas merecem todo respeito, mas não tem nada a ver com Espiritismo. Seria o mesmo que realizarmos a prática da Terapia de Existências Passadas dentro da casa espírita ou, ainda, da cromoterapia ou da cristalterapia, fugindo totalmente da nossa finalidade.

    A Casa Espírita não é uma clínica alternativa, não é lugar onde toda experiência nova vai colocada em execução. Tenho certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro, não conhecem as bases Kardequianas e ao conhecerem-nas nunca vivenciaram para terem certeza. Seria desmentir todo material revelado pelo mundo espiritual nestes 144 anos de codificação, no Brasil e no mundo, pela mediunidade incomparável de Chico Xavier. Seria renegar as informações que vieram por esse médium ímpar, pela notável Yvone do Amaral Pereira, por Zilda Gama, por tantos médiuns nobres conhecidos e nobres desconhecidos no seu trabalho de socorro. Então se alguém prefere a apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito! Mas não misture para não confundir.

    A nossa tarefa é de iluminar, não é de eliminar. O espírito mau, perverso, cruel é nosso irmão na ignorância. Poderia haver alguém mais cruel do que o jovem Saulo de Tarso? Ele havia assassinado Estevão a pedradas, havia assassinado outros, e foi a Damasco para assassinar Ananias. Jesus não o colocou numa cápsula espacial e disparou para o infinito. Não! Apareceu a ele! Conquistou-o pelo amor: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Pode haver maior ternura nisso? E ele tomado de espanto perguntou: “Que é isto?” “-Eu sou Jesus, aquele a quem persegues”. E ele então caiu em sí. Emmanuel usa esta frase: “E caindo em si, quer dizer aquela capa do ego cedeu lugar ao encontro com o ser profundo, caindo em si, ele despertou. E graças a ele nós conhecemos Jesus pela sua palavra, pelas suas lutas, pelo alto preço que pagou, apedrejado várias vezes até ser considerado morto, jogado por detrás dos muros nos lugares do lixo, dos dejetos ele foi resgatado pelos amigos e continuou pregando”. Então os espíritos perversos merecem nossa compaixão e não nosso repúdio. Coloquemo-nos no lugar deles. Basta que alguém nos pise no calcanhar ou nos tome aquilo que supomos que é nosso, para ver como irrompe a nossa tendência violenta e nós nos transformamos de um para outro momento. Não temos nada contra a Apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudo-científicos. Não temos nada. Mas como espíritas, nós deveremos cuidar da proposta Espírita. E da minha condição de Espírita exercendo a mediunidade há mais de 54 anos, os resultados têm sido todos colhidos da árvore do amor e da caridade. Não entrarei no mérito dos métodos, que são bastante chocantes para a nossa mentalidade espírita, que não admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos, porque a única força é aquela que vem de dentro. Para esta classe de espíritos são necessários jejum e oração. Transcrito do programa “Presença Espírita” da Rádio Boa Nova, a partir de palestra de Divaldo Pereira Franco (Agosto/2001). (Sublinhamos) “O Livro dos Médiuns”, cap. XXV, item 282, 15ª ed. FEB.

    SUGERIMO AINDA LEITURA DOS LINKS ABAIXO:
    http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2009/06/falemos-de-apometria.html

    http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2009/06/apometria-e-as-praticas-espiritas.html

    http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2009/07/fidelidade-espirita-uma-questao-de.html

    http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2009/06/resguardemos-kardec-das-enxertias.html

  10. Nos diz o Livro dos Espíritos – querem mantê-los na ignorância em que estão. – Muito atual relembrar isso. Isso é ser Espírita.

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