“Suzano”, as armas de fogo e o vulgarismo da bestialidade

Mar 17th, 2019 | By | Category: Artigos

downloadAlguns dos mais variados setores da sociedade brasileira defendem a manutenção do comércio legal de armas de fogo aos cidadãos que necessitarem, por algum motivo, justificando que todos têm direito a possuir, nos limites da Lei, uma arma de fogo para se defender de qualquer atentado à incolumidade física do indivíduo, sua vida, seu patrimônio etc.

Mas, precisamos refletir mais sobre liberação de armas de fogo. O massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), que deixou dez mortos e 11 feridos, trouxe à tona novamente o debate sobre o controle de armas de fogo – como o revólver calibre 38 usado pelos autores do ataque.

Na cultura rural de diversas regiões norte-americanas, é comum os pais estimularem os filhos a usar armas de fogo. Essa trágica cultura é tão forte que nem o massacre na escola de Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, em dezembro de 2012 – na esteira de outros ataques a tiros, como Columbine, Virginia Tech e Aurora – criou condições suficientes para aprovar legislação norte amaericana tornando mais rigoroso o controle de armas.

Ao ser questionado sobre os assassinatos na escola de Suzano (SP), o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que “os jovens estão muito viciados em videogames violentos”, dando a entender que jogos de realidade virtual poderiam ter estimulado os ataques. Para a polícia paulista, as botas, as roupas pretas e a máscara de caveira que Guilherme usava, indicam que ele e Luiz Henrique agiram motivados jogos de videogame que reproduzem cenários de guerras e combates. Porém, seria somente isso?

Notemos, em 1996, um massacre de crianças em uma escola na Escócia levou a uma mudança radical na lei e, como consequência, na acentuada redução do número de ataques do tipo e de mortes por armas de fogo na Grã-Bretanha. No começo de 1997, o governo britânico levou à aprovação no Parlamento a proposta de proibição total da posse de pistolas com calibre superior a 22. Poucos meses depois o governo ampliou a proibição para todas as pistolas, de qualquer calibre. Atualmente a Grã-Bretanha tem um dos menores índices de homicídios por armas de fogo em todo o mundo.

Consterna-nos saber que o Brasil é um dos líderes mundiais em casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo, destarte, a sociedade clama por soluções efetivas para o problema da violência urbana. Muitos vivem sob o guante da síndrome das balas perdidas.

Os espíritas cônscios acreditam, obviamente, que uma das soluções para a criminalidade seria a proibição da venda de armas de fogo em todo o território nacional, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal e estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituída, na forma prevista em Lei.

Os pediatras, psicólogos, professores e estudiosos consideram muito prejudicial para as crianças e jovens o incentivo a “autodefesa armada”, pelo efeito da violência que essas práticas produzem, pois armas podem fascinar as mentes infantis, principalmente porque são desempenhados por “heróis” de filmes de ação, vistos em cinemas, revistas em quadrinhos ou na televisão.

Uma legítima educação é aquela em que os poderes espirituais regem a vida social. Todavia, o “homem moderno” e que se diz “civilizado” se envaidece com a sua capacidade de subjugar os outros, de mandar, de impor medo, quando o ideal seria ensinar à sua prole o respeito humano e compreensão das leis de Deus. A degradação moral do homem contemporâneo abriu as comportas da violência, represada debilmente pelas barreiras artificiais da civilização.

Concebemos como um conjunto de forças como a inversão dos valores éticos sugeridas pela televisão, internet, cinema, teatro e clubes que convidam crianças e adolescentes para uma realidade nua e cruel, o que equivale afirmar que elas estão sendo arrancadas do seu universo lúdico e juvenil e conduzidas para a violência, estimuladas, também, pela alienação moral dos pais.

Destarte, o período de inocência e tranquilidade infanto juvenil foi diminuindo. Cada vez mais cedo, e com maior intensidade, as inquietações da adolescência brotam acrescidas pelos múltiplos e desencontrados apelos dos videogames violentos , das revistas pornográficas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo descontrolado, do mau gosto comportamental, da vulgaridade exibida, das técnicas de tiro e outras tantas extravagâncias, como reflexos óbvios de pais que vivem alienados, estagnados e obsidiados, enclausurados em seus afazeres diários e que nunca podem permanecer à frente da educação dos próprios filhos.

O que identificamos de forma generalizada é o total distanciamento dos pais modernos ao nível de educação dos filhos nesse sentido. De maneira geral, transferem suas responsabilidades para as escolas ou para o Estado, enquanto eles é que tinham que dizer aos filhos se isso ou aquilo é perigoso para menores ou não. Os pais precisam fazer com que os filhos entendam que eles têm que cumprir sua parte para usufruir as benesses do amor. Os pais precisam exigir mais. Ademais o servidor fiel do Espiritismo possui, no esforço da educação dos filhos e no bom exemplo, a consciência tranquila e a fortaleza moral.

 

 

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4 Comments to ““Suzano”, as armas de fogo e o vulgarismo da bestialidade”

  1. PEDRO ILHO diz:

    Lendo e vendo essas barbaridades q acontecem hoje nesse mundo “moderno” em q vivemos, fico a meditar minha inocente infância, onde um olhar dos pais principalmente os meus, um olhar já era uma palavra uma ordem, todos os mais velhos eram senhores, se apanhava da professora fazia questão que os pais não soubessem para não apanhar de novo. Ir para a escola conduzindo armas? Nem pensar, brigar com colegas da escola idem. Hoje em dia nesse mundo “moderno” em q vivemos, se fôssemos um povo evoluído tínhamos condições de viver muito bem, melhor do q nos anos 50, mas parece q o povo não evoluiu, pais não sabem educar filhos, os mesmos não respeitam os pais. Os pais de hoje já vem de uma geração doente em educação. Os governos sai entra outro, um pior q o outro. Armas não precisam ser legalizadas todo mundo usa de qualquer jeito sendo legalizada ou não!!! Eu tenho um pensamento comigo q o resultado final do produto de uma arma nunca é um final feliz.

  2. WANDERLEI diz:

    Olá
    Caros amigos….
    Este fato ocorrido… Nos faz refletir!!!…
    Até que ponto uma pessoa que se afasta do ideario de Cristo…
    Pode chegar…
    Se não estamos alicerçados nos bens imortais de nosso espírito…
    Que são os 2 mandamentos de Cristo…
    Os nossos pensamentos divagam… Acabamos sintonizando…
    Com as força destrutivas….
    Como aconteceu no Brasil… E foi reprisado na Nova Zelândia…
    Com os massacres que foram filmados em tempo real…
    Mesmo que estes personagens… Não se conhecendo….
    O poder da sintonia mental… No bem ou no mal… Se cria um liame…
    Sendo assim… Se o nosso pensamento segue o bem maior…
    Vamos atrair o bem maior… ESTA E A LEI….
    Como nos ensina Cristo e que foi Codificado por Allan Kardec…
    Somos frutos de nossos pensamentos que se irradiam pelo planeta…
    E que vai atrair os seus semelhantes….
    SIGAMOS EM NOSSA VIDA… PLANTANDO O BEM… E VAMOS ATRAIR…
    O BEM MAIOR!!!….

    Fiquem com Deus
    Wanderlei

  3. Clinaura Macedo diz:

    Jorge , a permissão para o uso de armas é o maior perigo !!! Banaliza o ato e atirar … Deus nos livre ! Excelente você dizer que o período da infância e adolescência está diminuindo cada vez mais …
    Acho que um assunto pouco valorizado pelos educadores e pela sociedade é o Bullying . NADA JUSTIFICA alguém matar . NADA !!!
    Porém … Você lembra daquele caso de São Gonçalo, no Rio de Janeiro ? Um jovem entrou numa escola onde ele estudou e matou 11 ( se não me engano) alunos ???
    Pois bem … Não ocasião, um engenheiro deu um depoimento: ele estudou naquela escola e foi da turminha que enlouqueceu o “assassino” … Esse engenheiro contou as barbaridades que eles faziam com aquele que à época era um menino:
    Uma das “brincadeiras” era a seguinte:
    Botavam a cabeça dele dentro do vaso sanitário e davam descarga !!!
    Outra “diversão” dessa turminha era jogar esse menino dentro do container do lixo … São apenas dois exemplos das barbaridades que esse menino sofreu …
    Agora pensemos: quem permanece sadio da cabeça depois de passar por tudo isso, dia após dia na escola ? … E sem poder contar em casa porque vive sob ameaça …
    Esse assunto é SERÍSSIMO !! E está sendo negligenciado pelos educadores e psicólogos, eu acho…
    Na Escola de Suzano, segundo o professor de Geografia ao falar para a televisão, existe muito Bullying.
    Acho que tem que ser drasticamente proibido o porte de armas e drasticamente combatido o poder de turminhas de adolescentes subjugarem um colega.
    Um dos atiradores de Suzano era infernizado diariamente porque, sua mãe seria um mulher de conduta complicada … O menino não tinha sossego .
    Pelo amor de Deus, Jorge, Não estou defendendo o crime!!! NADA justifica !!! Mas ninguém, vivendo atormentado, pode ser equilibrado e ter saúde mental …
    Está difícil porque as coisas chegaram a um ponto extremo. Acha-se engraçado muitas coisas que causam sofrimento aos outros… Isso vai fazendo um estrago tão grande na alma de alguém e quanto vemos … A tragédia está pronta…

    Desculpe por me alongar tanto … Grande abraço, Jorge !!!

    Clinaura Macedo

  4. Rafael diz:

    “Os espíritas cônscios acreditam, obviamente, que uma das soluções para a criminalidade seria a proibição da venda de armas de fogo em todo o território nacional, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal e estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituída, na forma prevista em Lei.”
    – eu acho que neste parágrafo, a palavra “cônscios” deveria ser substituída por “inocentes úteis” ou “ingênuos”, uma vez que não adianta nada proibir a venda de armas, pois bandidos, por definição, não obedecem leis. A tal proibição só serviu para nos deixar reféns dos bandidos, que têm a certeza de que os cidadãos de bem estão desarmados. Sendo assim, não concordo com o teor do artigo no que tange às armas. Quanto à educação dos filhos, isto é um sintoma do aumento da “vida virtual”, que está afastando cada vez mais as pessoas umas das outras, ao invés de aproximá-las.

    Relembro que no próprio Livro dos Espíritos está escrito que a legítima defesa é, por assim dizer, legítima, devendo-se apenas tomar o cuidado para que, caso seja possível, não matemos a pessoa de quem estamos nos defendendo. Eu acho, portanto, justo que um pai de família tenha o direito de ter sua arma em casa para que, caso um bandido invada sua residência, ele possa proteger sua família – de preferência incapacitando o marginal, atirando em suas pernas ou em seu braço, e matando-o apenas no caso de “vida ou morte”. Acho justo também que um cidadão armado possa andar com sua arma e assim servir como mais um elemento dissuasório para os bandidos que vagam pelas ruas – sem saber quem está armado e quem não está, pensarão duas vezes antes de tentar qualquer coisa. A melhor arma é aquela que nunca usamos, que cumpre seu papel de dissuasora.
    Amigos, eu também gostaria de viver num mundo sem armas, mas como ainda existem bandidos, sinto que precisamos nos defender.

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