Tatuagens estigmatizam a alma?

Jun 12th, 2017 | By | Category: Artigos

0000001tatooUma leitora narrou-me o seguinte: “meu noivo tem tatuados desenhos exóticos, como a “caveira”, “Capitão Gancho”, “morte”, “deuses da mitologia nórdica” e “símbolos de bandas Death Metal”. Sei que tais emblemas o representam, pois que ele venera essas coisas. Acho de mau gosto, estranhos e um tanto “patológicos”. Entretanto é a opção dele. A escolha dele só a ele diz respeito”. Você concorda comigo?

Explicamos para a nossa leitora que ante as regras morais do Espiritismo não há dispositivos para “danações infernais”. Certamente, pela tatuagem a pessoa pode estar pronunciando algo de si mesma. Todavia e apesar disso, paradoxalmente, não cremos que as tatuagens retratem totalmente a índole e o caráter de alguém. Nada obstante conhecermos alguns modelos de tatuagens, com pretextos assombrosos que podem ser classificados (sem excomunhões) como censuráveis e inadequados para o cristão.

Ainda sobre o tema, outra leitora nos indagou: “a tatuagem é uma forma de arte no corpo? Se é uma arte deverá ser condenada? Tenho uma tatuagem no braço de uma linda borboleta. Ela me representa inteiramente. A borboleta é considerada o símbolo da transformação, da felicidade, da beleza, da inconstância, da efemeridade da natureza e da renovação. Não posso crer que algo tão expressivo para mim possa ser pernicioso na minha vida no além-túmulo. O que você acha?

Explicamos que não identificamos argumentos de caráter rigorosamente útil o uso de quaisquer tatuagens, especialmente se a lesão imposta ao próprio corpo for por idolatria, vaidade e egocentrismo. Contudo, o uso de tatuagens não abafa as qualidades morais. Até porque ninguém pode penetrar na intimidade da consciência de alguém e saber o que aí ocorre.

Outro leitor escreveu: “meu corpo físico já é uma arte, em face disso não ousaria manchar-lhe! E vou mais adiante, quem teria audácia de rabiscar sobre as telas originais de um Vincent van Gogh, de Michelangelo, de Leonardo da Vinci ou de Pablo Picasso? Ora, a minha irmão me contradiz, argumentando que se o corpo é um templo, porque não decorar as paredes? Cada caso é um caso, e não se pode dizer que uma tatuagem é um rabisco em uma obra de arte. O corpo é uma obra de arte dada a nós como presente, sim, e não é uma tatuagem que irá tirar esse aspecto de obra de arte”. Me elucide aí, Jorge Hessen.

Aqui especificamente redargui que pelos ditames do livre arbítrio cada um responderá por si. Porém, lembremos que mesmo com toda tecnologia atual, uma tatuagem não é espontaneamente removível. Não há como desconhecermos que o corpo é o templo do Espírito e não nos pertence, portanto, é importante preservá-lo contra ofensivas que possam truncar a sua composição natural.

É difícil sabermos se haverá ou não mutilação perispiritual por causa das tatuagens. Embora saibamos que o perispírito seja lesado pelas anomalias de caráter, desequilíbrios emocionais, vícios físicos e mentais, rancores, pessimismos, ambição, vaidade desmesurada, luxúria, nem todos os tatuados se enquadram nesses desvios morais.

É verdade! Golpeia-se o perispírito todas as vezes que se prejudica o semelhante através da maledicência, da agressividade, da aventura extraconjugal, da violência de todos os níveis, da deslealdade. Deste modo, analisando por esse ângulo, as tatuagens afetam nada ou quase nada o perispírito.

As tatuagens que alguns indivíduos elaboram como forma de demonstrar carinho a exemplo de alguém que grava o nome do pai ou da mãe no corpo de modo discreto não trariam, acreditamos, os mesmos efeitos que ocorreriam com aqueles que se tatuam de modo resoluto, movimentados por anseios mais abrutalhados.

André Luiz registra que “os desencarnados podem, sob o ponto de vista fluídico, moldar mentalmente e de maneira automática, no mundo dos Espíritos, roupas e objetos de uso e gosto pessoal”. (1) Como se observa, é possível, embora deploremos, que um ser no além-túmulo permaneça condicionado aos vícios, modismos e tantas outras coisas inúteis da sociedade terrena.

Perante essas questões propostas, evocamos a lógica espírita que nos convida ao autoconhecimento, ao estágio do auto aprimoramento sob o patrocínio da liberdade responsável. Os Benfeitores espirituais recomendam o bom senso, a autoconfiança, a altivez, o equilíbrio e a busca incessante de Deus, que nos faculta contentamento e paz ao coração e à consciência, sem as penúrias de procurarmos alentos nas figuras e emblemas incrustrados na epiderme.

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Referência bibliográfica:

[1]     Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1955

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4 Comments to “Tatuagens estigmatizam a alma?”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Eu tendo a achar que são meras alegorias que essas pessoas cultivam, talvez uma forma de autoafirmação que buscam, carimbando no corpo o que pensam ser sua identidade.

    Mais uma das coisas efêmeras que o ser humano cultua e cultiva.
    Geraldo Magela Miranda

  2. PEDRO ILHO diz:

    Eu penso que a tatuagem, representa o estado de evolução em que o espírito se encontra naquele momento. É questão de gosto, a pessoa está num momento de evolução que aquilo ali é o máximo para ele, quem pensa igual apoia, outros não apoiam. Pode ter certeza que vai chegar a vez em que vão desaprovar o que fizeram um dia porque aquilo ali não representa mais nada para a sua vaidade. Vão olhar para traz e vão achar ridículo o que fizeram. É bem verdade que tem alguns que chegam a se mutilarem, esses além de se arrependerem vão ter que pagar por terem danificado um bem que não eram donos, simplesmente tinham a posse e o direito de usar, esses serão enquadrados na lei de infiéis depositários, provavelmente numa próxima existência vindo como deficiente físico, porque a lesão ficou gravada no perispírito.

  3. As tatuagens e também os piercings eu creio dizem respeito ao estado evolutivo daquele ser encarnado. Eu por exemplo, tenho aversão a esse tipos de emblemas, até mesmo quando vejo uma tatuagem ou um piercing em alguém sinto-me constrangida e, até parece que aquela pessoa está com algo errado ou pecaminoso, mas como isso é uma questão de gosto, ou seja, uma satisfação pessoal, prefiro não opinar a respeito de tal situação.

  4. Wanderlei diz:

    Olá

    Caro amigos…

    Eu vou com os dizeres de Cristo…

    O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. (Mateus 15:11)

    O que importa e o que vem do coração…Não e a cor da pele, raça, etnia ou tatuagens etc….

    Muito bem lembrado… Jorge Hessen… Sobre a questão da densidade do perispírito… Ele vai ser mais ou menos denso de acordo com os sentimentos intrínsecos de uma pessoa… Se carregarmos sentimentos menos dignos… Seremos como uma ave com asas quebradas… Do que uma pessoa… Que possui bons sentimentos que vai alçar voo….Rumo a eternidade…

    Fiquem com Deus

    Wanderlei

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