Um homem, uma história resignificando o vínculo solidário

Mar 24th, 2017 | By | Category: Artigos

00010001Objetivando transmitir uma mensagem de “alento” e “esperança” a pessoas em desespero, John Edwards, de 61 anos, um ex-dependente de drogas e ex-alcóolatra (sóbrio há mais de duas décadas) inexplicavelmente se voluntariou deitar em um caixão que foi fechado e enterrado no terreno de uma igreja de Belfast, na Irlanda do Norte. Obviamente o ataúde foi especialmente adaptado para que Edwards “sobrevivesse” por três dias (quando fosse desenterrado) e pudesse transmitir a experiência ao vivo pelas redes sociais.

No passado Edwards enfrentou abuso sexual, viveu na rua, recebeu tratamentos para distúrbios mentais, sobreviveu a várias overdoses e “perdeu” mais de 20 amigos por conta de abuso de drogas, álcool e suicídios. Sobreviveu a dois cânceres e a um transplante de fígado após desenvolver hepatite C por causa de uma agulha contaminada.

Há quase 30 anos, após passar pelo que descreveu como um “incrível encontro com Deus”, Edwards criou vários centros cristãos de reabilitação e abrigos para moradores de rua. Atualmente se dedica a aconselhar e orar com pessoas em situações de abandono e desesperança. [1]

Em que pese o desígnio altruístico de John Edwards, é evidente que agiu de forma irracional ao se permitir enterrar vivo por três dias, visando gritar o brado da “esperança” para as pessoas em desespero. A rigor, tal manifesto não faz sentido lógico sob qualquer análise racional. Entretanto, deixando de lado essa insanidade (sepultar-se vivo), vislumbremos os efeitos positivos da transformação de sua vida pessoal.

Importa reconhecermos que os diversos núcleos de reabilitação e abrigos para moradores de rua instituídos por John são passaportes pujantes para auto conquista da paz espiritual. Nisso Edwards acertou em cheio, pois embrenhou-se no orbe da solidariedade através do compartilhamento de um sentimento de identificação em relação ao sofrimento alheio. Não apenas reconheceu a situação delicada dos moradores de rua, mas também auxiliou essas pessoas desamparadas.

Sabemos que os males que afligem a Humanidade são resultantes exclusivamente do egoísmo (ausência de solidariedade). A eterna preocupação com o próprio bem-estar é a grande fonte geradora de desatinos e paixões desajustantes. A máxima “Fora da Caridade não há Salvação” [2] é a bandeira da Doutrina Espírita na luta contra o egoísmo. Nesse sentido, a solidariedade é a caridade em ação, a caridade consciente, responsável, atuante, empreendedora.

Os preceitos espíritas contribuem para o progresso social, deterioram o materialismo, orientam para que os homens compreendam onde está seu verdadeiro interesse. O Espiritismo destrói os preconceitos “de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos” [3]. Destarte, segundo os Benfeitores espirituais, “quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade” [4].

A recomendação do Cristo de “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” [5] assegura-nos o regime da verdadeira solidariedade e garante a confiança e o entendimento recíproco entre os homens. A solidariedade na vida social é como o ar para o avião.

É imprescindível darmo-nos através do suor da colaboração e do esforço espontâneo na solidariedade para atender substancialmente as nossas obrigações primárias à frente do Cristo. [6]

Ante as responsabilidades resultantes da consciência doutrinária que nos impõe a superar a temática de vulgaridade e imediatismo ante o comportamento humano, em larga maioria, a máxima da solidariedade apresenta-se como roteiro abençoado de uma ação espírita consciente, capaz de esclarecer e edificar os corações com a força irresistível do exemplo

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Referências bibliográficas:

[1]       Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-39191185  acesso em 21-03-2017

[2]       Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. XV

[3]       Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, pergunta 799

[4]       Idem

[5]       Jo 15.12

[6]       Xavier, Francisco Cândido.  “Fonte Viva” ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1992

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3 Comments to “Um homem, uma história resignificando o vínculo solidário”

  1. GERALDO MAGELA MIRANDA diz:

    Embora que tão simples seja o conceito da solidariedade, e tão patente os resultados advindos da sua prática, vemos ainda episódios absurdos desencadeados pelo egoísmo, em maior ou menor grau, desde uma “vantagem” no trânsito até um massacre por fins hediondos, verdadeiras insanidades.

    Mas essa é a condição do homem, que inúmeras vezes usa sua inteligência em prol do obscuro e do irracional.

    Quem dera se compreendesse o que prescreve a Doutrina Espírita. O mundo seria outro.

    Abraço, e bom final de semana
    Geraldo Magela Miranda

  2. Irmãos W diz:

    Olá

    Amigos…

    Saudação Kardequianas…

    Somos parecidos com um Universo… Quanto mais saímos da concha de nosso egoismo… Seguindo os mandamentos do Nazareno da Galileia… Nos 2 mandamentos que nos deixou… O nosso ser se expande… Pois quanto mais realizamos pelo bem do próximo… Acabamos se esquecendo de nossas dores… Que acabam ficando pequenas…

    Fiquem com Deus

    Irmãos W.

  3. PEDRO ILHO diz:

    Este homem nasceu com o objetivo de fazer alguma coisa, só que antes enveredou pelos caminhos errados e praticou diversos erros que poderiam muito bem ser evitados. Ainda bem que corrigiu em tempo, e mesmo no meio de algumas debilidades mentais desnecessárias, por exemplo ser enterrado vivo, um sacrifício que não precisaria sofrer, acabou praticando o bem, que talvez nem percebeu o que estava fazendo, mas que vai servir para o seu adiantamento no futuro, porque tudo o que se faz em benefício do próximo é reconhecido por Deus, fica registrado no perispírito de cada um, e as derrotas, também é lógico!!!

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